Questão 3

(ENEM) 
 
Aquele bêbado
 
– Juro nunca mais beber – e fez o sinal da cruz com os indicadores. Acrescentou: – Álcool.
No mais, ele achou que podia beber. Bebia paisagens, músicas de Tom Jobim, versos de Mário Quintana. Tomou um pileque de Segall. Nos fins de semana embebedava-se de Índia Reclinada, de Celso Antônio.
 
– Curou-se 100% de vício – comentavam os amigos.
 
Só ele sabia que andava bêbado que nem um gambá. Morreu de etilismo abstrato, no meio de uma carraspana de pôr de sol no Leblon, e seu féretro ostentava inúmeras coroas de ex-alcoólatras anônimos. 
 
(ANDRADE, C. D. de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record, 1991.)
 
A causa mortis do personagem, expressa no último parágrafo, adquire um efeito irônico no texto porque, ao longo da narrativa, ocorre uma:
a)
b)
c)
d)
e)
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