Questão 5

Em A exigência ética, Logstrup manifestou uma visão mais otimista das inclinações naturais humanas. “É uma característica da vida humana que normalmente encaremos uns aos outros com natural confiança”, escreveu ele. “Só em função de alguma circunstância especial desconfiamos antecipadamente de um estranho... Em circunstâncias normais, contudo, nós não duvidamos dele até que tenhamos uma razão particular para isso. Nunca suspeitamos da falsidade de uma pessoa até que a tenhamos apanhado numa mentira”.
Logstrup elaborou A exigência ética durante os oito anos subsequentes ao seu casamento com Rosalie Maria Pauly, passados numa pequena e tranquila paróquia da Ilha de Funen. Com o devido respeito aos amigáveis e sociáveis moradores de Aarhus, onde Logstrup viveria o restante de seus dias ensinando teologia na universidade local, duvido que ele pudesse ter concebido tais ideias caso tivesse se estabelecido naquela cidade e confrontado diretamente as realidades do mundo em guerra e sob ocupação, como um membro ativo da resistência dinamarquesa.
As pessoas tendem a tecer suas memórias do mundo utilizando o fio de suas experiências. Os membros da atual geração podem achar artificial a imagem alegre de um mundo confiante e fiel, em profundo desacordo com o que é insinuado pelas narrativas comuns da experiência humana e recomendado pelas estratégias de vida que lhes são apresentadas no dia a dia. Prefeririam reconhecer-se nos atos e confissões dos personagens que aparecem em programas televisivos, altamente populares e avidamente assistidos, tipo Big Brother, Survivor e The Weakest Link. Eles passam uma mensagem bem diferente: um estranho não é alguém em quem se deva confiar. A série Survivor tem um subtítulo que diz tudo: “Não confie em ninguém”. Os fãs dos reality shows poderiam inverter o veredicto de Logstrup: “É uma característica da vida humana que normalmente encaremos uns aos outros com natureza suspeita”.
Esses espetáculos televisivos que tomaram milhões de espectadores de assalto e imediatamente capturaram sua imaginação são ensaios públicos sobre a descartabilidade dos seres humanos. Trazem prazer e advertências juntos, com a mensagem de que ninguém é indispensável, ninguém tem o direito a sua parte dos frutos de um esforço conjunto apenas por ter dado alguma contribuição ao seu crescimento – muito menos por ser simplesmente um membro da equipe. A vida é um jogo duro para pessoas duras, dizia a mensagem. 
 
(Adaptado de: BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 108-109.)
No trecho “Eles passam uma mensagem bem diferente: um estranho não é alguém em quem se deva confiar”, o sinal de pontuação que liga as duas partes do período estabelece uma relação lógica de:
a)
b)
c)
d)
Carregando equações...
Já é cadastrado? Faça o Login!