texto: As Consequências da Guerra

As Consequências da Guerra

A Primeira Guerra Mundial deixou um rastro de destruição inédito na história da humanidade. O desenvolvimento da ciência foi utilizado para fins destrutivos, e recursos como explosivos, tanques, navios, submarinos e armas químicas permitiram um morticínio de aproximadamente 19 milhões de pessoas, entre soldados e civis. Tudo em decorrência da ambição das nações imperialistas, no anseio de conquistar a hegemonia mundial. 

 

A Europa no Pós-guerra

Embora o conflito tenha sido dividido entre vencedores e derrotados, as nações vitoriosas tiveram seu território destruído, sua economia em crise e suas famílias desmanteladas pelo conflito. A exceção foram os Estados Unidos, que saíram fortalecidos do conflito, uma vez que o país não foi palco de batalha e não sofreu grandes baixas. Além disso, com os demais concorrentes enfraquecidos, pôde progredir economicamente, auxiliando, inclusive, na reconstrução da Europa. Já no início da guerra, os Estados Unidos eram a maior potência econômica do mundo e, em 1929, detinham 42% da produção industrial do mundo. 

 

A guerra transformou a ordem mundial criada após as guerras napoleônicas, que colocaram fim aos Estados absolutistas. Três impérios foram dissolvidos: Alemão, Austro-Húngaro e Russo. No Oriente Médio e nos Balcãs, o poder foi fragmentado, assim como no Império Turco-Otomano. Famílias como os Habsburgos e os Homanov, que detinham grande poder político na Europa desde as Cruzadas, foram destituídas de seus poderes e os antigos impérios transformaram-se em repúblicas. 

 

O Tratado de Versalhes

Após o armistício de rendição assinado em novembro de 1918, foi firmado entre as potências europeias um acordo de paz conhecido como Tratado de Versalhes, em 1919, que formalizou o fim da Primeira Guerra Mundial. Nele foram determinadas as penalidades para as nações derrotadas na guerra. De todos, coube à Alemanha a pena mais pesada, a que, além das diversas sanções do tratado, teve que indenizar as nações vencedoras da Tríplice Entente. 

 

"O Tratado de Versalhes, em 1919, que formalizou o fim da Primeira Guerra Mundial"

 

Foi imposta à Alemanha uma multa de 30 bilhões de dólares às nações vencedoras. Ademais, o país teve seus domínios coloniais divididos pelos países da Entente e ficou proibida a constituição de um exército alemão. A recém-formada República de Weimar foi obrigada a reconhecer a independência da Áustria, novo país criado a partir da fragmentação do Império Austro-Húngaro, mas de mesma composição étnica que os alemães. Tais condições deixaram a Alemanha humilhada. Historiadores creditam a essas medidas uma grande contribuição para a ascensão do Nazismo e, consequentemente, a Segunda Guerra Mundial.

 

O Palácio de Versalhes, na França, era o símbolo da política internacional no pós-guerra. A escolha desse local para assinar o tratado que estabelecia os culpados pela guerra, bem como as sanções a eles impostas, não foi por acaso. Trata-se do mesmo lugar em que o Império Alemão havia sido proclamado, em 1871, em um gesto que feriu o moral dos franceses. Desta vez, após a Primeira Guerra Mundial, a nação humilhada foi a Alemanha. 

 

Dentre as demais autoridades presentes, comandaram a conferência em Versalhes o presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, e o primeiro-ministro britânico, Georges Clemenceau. Foi elaborado um documento com 14 pontos a serem desempenhados pelos derrotados no conflito, incluindo indenizar os países vencedores. A ideia central da conferência era estabelecer o equilíbrio entre as principais potências mundiais, mas acabou abrindo espaço para a intervenção dos Estados Unidos nos assuntos europeus, e por isso o documento com os 14 pontos foi rejeitado.

 

Para evitar a ocorrência de novos conflitos de dimensões mundiais, foi criada a Liga das Nações, um organismo internacional com sede em Genebra, na Suíça, que tratava diplomaticamente das tensões entre os países. Todavia, a Liga não cumpriu seu papel com eficiência, uma vez que dela não fizeram parte a Alemanha, a Rússia (que havia realizado a revolução socialista) e os Estados Unidos.

 

Os impérios Austro-Húngaro e Otomano foram fragmentados. O Tratado de Saint-Germain-En-Laye fez da Áustria uma república. Com a redução de seu território, o país perdeu sua saída para o mar Adriático e o acesso ao mar Mediterrâneo. Ainda foi obrigado a ceder as regiões de Trieste, Ístria e Tirol Meridional à Itália, e não podia se unir à Alemanha, país com composição étnica semelhante. Surgiram novos países: Polônia, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Hungria (que também se tornou república por ser considerada derrotada na guerra) e Bulgária (também considerada derrotada e destituída de territórios para Grécia e Iugoslávia, por meio do Tratado de Neully). 

 

 

O Império Otomano foi dissolvido por meio do Tratado de Sèrvres. Interessados em controlar as rotas da Índia e na região da Mesopotâmia, ingleses e franceses propuseram uma divisão que levou os otomanos a se rebelarem. O tratado foi repensado posteriormente e resultou na criação da Turquia. 

 

 

A Depressão

Mesmo para os vencedores, a Europa viveu um cenário extremamente desolador nos anos que se seguiram. Além da crise social e econômica, o continente viu nascer uma geração desacreditada depois da barbárie dos anos anteriores. O uso de tanta tecnologia empregada num esforço para aniquilar humanos, em nome da ambição imperialista, trouxe um grande questionamento sobre qual seria o modelo de civilização a ser adotado. 

 

Além do trauma das batalhas, restaram o rastro de destruição, as viúvas, os órfãos e os mutilados. Além dos quase 20 milhões de mortos (os números oscilam), havia quase a mesma quantidade de feridos. A economia dos países estava arruinada, os campos foram devastados e a produção agrícola caiu vertiginosamente. Nas indústrias havia escassez de mão de obra e as contas governamentais estavam deficitárias, sobretudo no caso das nações derrotadas, pelo pagamento de indenizações pela guerra, e, no caso dos vencedores, pelo endividamento após o empréstimo concedido pelos Estados Unidos na reconstrução dos países. 

 

Vale ressaltar uma mudança importante: o eixo da hegemonia política no mundo se modificou após a Primeira Guerra, deslocando-se da Europa, que iria se reconstruir após o conflito, para os Estados Unidos, que tiveram um cenário propício para o seu desenvolvimento.

 

Da crise europeia surgiram dois movimentos: o primeiro de tendência militarista, que cultivava o ódio pelos vitoriosos na guerra, e o ultranacionalismo, que tinha pretensões expansionistas. A partir desses dois movimentos supracitados, houve, em seguida, a ascensão dos fascismos. Os grandes líderes desses movimentos, como o fascismo e o nazismo, eram ex-combatentes da Primeira Guerra, e ascenderam ao poder em seus países sob a promessa de curar as feridas deixadas no confronto. Por outro lado, no seio desses movimentos, também houve uma grande produção artística, com pinturas, livros, filmes e discursos que traziam questões sociais e a luta pela paz para a pauta. 

 

Em Resumo

Neste tópico vimos:

 

  • A Europa no pós-guerra: desdobramentos subsequentes após o cessar-fogo.
 
  • O Tratado de Versalhes: conferência internacional que determinou as punições e os novos rumos do mundo após o conflito.
 
  • A depressão: discussão sobre os efeitos sociais, econômicos e morais deixados pelo conflito.

 

Referências

BEST, Nicholas. O Maior Dia da História - Como a Primeira Guerra Mundial Realmente Terminou. Editora: Paz e Terra, 2009.

BRENER, Jayme. A Primeira Guerra Mundial. Editora: Ática, 2008.

DINIZ, AndréA Primeira Guerra Mundial - Coleção História Mundial em Quadrinhos. Editora: Escala Educacional, 2008.

FERRO, Marc. A Grande Guerra - 1914-1918. Editora: Edições 70, 1969.

GARAMBONE , Sidney. A Primeira Guerra Mundial e a Imprensa Brasileira. Editora: Mauad, 2003.

GRIMBERG, Carl. História Universal vol.22 - A Caminho da Primeira Guerra Mundial. Editora: Europa América, 2003.

 
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