Texto: Os Persas

Os Persas

Além dos hebreus e dos fenícios, outro povo igualmente importante na Antiguidade Oriental foram os persas. Os persas submeteram diversos povos a seu domínio e seu império compreendeu uma área territorial de aproximadamente 5 milhões de km². Para controlar o tamanho do império, foi necessária uma eficiente administração. Vamos conhecer melhor quem foi esse povo e suas peculiaridades. 

 

Origens 

As origens dos persas estão, aproximadamente, no II milênio a.C.. O contexto de seu surgimento compreende o momento em que várias tribos indo-europeias emigraram para a região da Ásia Central, mais especificamente ao planalto do Irã. Essa região era bastante montanhosa e com muitas áreas desertas, e as terras eram impróprias para a produção agrícola. Porém, eram cercados por regiões ricas em minérios, como chumbo, ferro e metais preciosos. Havia o cultivo de frutas e cereais entre os vales das montanhas. 

 

Das tribos que passaram por esse processo de emigração, sobressaíram os medos e os persas. No século VII a.C., os medos dominavam os persas, pois possuíam uma sociedade mais organizada. Devido ao império estabelecido, os medos, sob a liderança de Ciaxares, envolveram-se em diversas guerras e, em 612 a.C., dominaram os assírios. Após a morte de Ciaxares, seu filho, Astíages, assumiu o controle e a administração o império. 

 

Os persas, por outro lado, no reinado de Ciro II, revoltaram-se contra o domínio dos medos e conseguiram (re)conquistar o território deles em 550 a.C.. Ciro II conseguiu unificar os dois povos, persas e medos, lançando as bases para a construção de um dos maiores impérios da Antiguidade. 

 

Mapa do domínio Persa

 

Administração 

O apogeu do Império Persa ocorreu no reinado de Dario I, entre 521 a 485 a.C.. No período em que Dario I administrou o Império Persa, uma de suas medidas foi dividi-lo em províncias, que receberam o nome de Satrapias. Estas tinham administração individual, sendo que a fiscalização e/ou cobrança de tributos em cada uma estava a cargo dos chefes do exército, que eram indicados pelo próprio imperador. Ademais, havia, ainda, funcionários do rei que, de tempos em tempos, fiscalizavam as satrapias. Um fato interessante é que o império não tinha uma capital e o rei ficava em algumas cidades por tempo determinado.

 

Com relação à comunicação, as estradas e o serviço de correio eram bem desenvolvidos, interligando as principais cidades do império. A língua oficial era o aramaico. 

 

Economia 

Uma peculiaridade do governo persa era que as terras conquistadas podiam manter suas atividades culturais e econômicas. Assim, cada província exercia um tipo de economia. No governo de Dario I, foram feitas moedas de ouro, conhecidas como daricos, para facilitar o comércio entre as satrapias e outras regiões. Vale salientar que a quantidade de daricos (moedas) era insuficiente para atender a necessidade do império. Mesmo quando foi permitida a cunhagem de moedas em prata, a situação não melhorou. Desse modo, ao invés de haver circulação desses metais, iniciou-se o período de acúmulo de riqueza em metais preciosos − provenientes, sobretudo, dos tributos dos súditos.

 

Você Sabia? 

O livro Assim falou Zaratustra, escrito por Friedrich Nietzsche entre 1883 e 1885, relata os ensinamentos de Zaratustra, que fundou a religião Zoroastrismo, na Pérsia. No livro, Nietzsche explora as ideias de Zaratustra de forma poética e satírica. 

 

Cultura 

A religião persa foi um diferencial dessa sociedade. Ela foi criada por Zoroastro no século VI a.C., sob a nomenclatura de Zoroastrismo (ou Masdeísmo), e seu livro sagrado chamava-se Avesta. Era uma religião dualista, que pregava a existência de uma luta entre o Bem, representado pelo deus Omuz e o Mal, representado pelo deus Arimã. O Bem só venceria o Mal no juízo final, no julgamento dos homens. 

 

Ademais, vale a ciência de que não há imagens do deus Omuz. Ele era representado pelo fogo e contava com a ajuda de um deus, chamado Mitra, na luta contra o mal. Como dogma, o Zoroastrismo pregava o livre arbítrio. 

 

Portão das Nações, nas ruínas da antiga Persépolis 

 

Decadência 

A decadência do Império Persa começa quando Dario I saiu no intento de conquistar novos territórios e de tentar conquistar, sobretudo, a Grécia. Os persas foram derrotados pelos gregos na Batalha de Maratona em 490 a.C.. Essa batalha ocorreu durante a Primeira Guerra Médica, na qual o exército ateniense derrotou o exército persa. 

 

Mais tarde, o imperador persa, Xerxes I, tentou, novamente, dominar a Grécia, mas não obteve sucesso. A partir daí, o império entrou em decadência e, em 330 a.C., foi conquistado por Alexandre, o Grande, da Macedônia. 

 

Saiba Mais!

As Guerras Médicas foram conflitos entre gregos e persas durante o século V a.C.. Os conflitos foram divididos em duas etapas: Primeira Guerra Médica e Segunda Guerra Médica. 

O filme 300 (2006), dirigido por Zack Snyder, retrata a guerra entre persas e espartanos na Segunda Guerra Médica. 

 

Em Resumo 

Os persas criaram um vasto império na Antiguidade Oriental, apresentando particularidades na religião e na administração desse imenso império. Ademais, os povos persas pretenderam criar um único império para toda a humanidade e, nesse intento, travaram muitas batalhas importantes. Tais batalhas acarretaram sua própria decadência. 

 

Referências 

ALVES, Alexandre; DE OLIVEIRA, Letícia Fagundes. Conexões com a História. 1.ed. São Paulo: Editora Moderna, 2010. 

CASELLI, Giovanni. As primeiras civilizações. São Paulo: Melhoramentos, 2000. 

COTRIM, Gilberto. História para o ensino médio – Brasil e Geral. 1.ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 

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