Texto: A Formação do BRICS

A Formação do BRICS

mundo atual ainda passa por uma reorganização política e econômica, mesmo após 20 anos do fim da União Soviética (URSS) e da Guerra Fria. As modificações que ocorreram nesse período são tamanhas que seria impossível estabelecer uma previsão para o futuro, por mais próximo que ele esteja, dada a velocidade com que as mudanças vêm ocorrendo.

 

Na economia, antigos países que tinham caráter subdesenvolvido começam a despontar como prováveis desenvolvidos. Essas nações, que reúnem as melhores condições de alcançar tal posto, ficaram conhecidas a partir dos anos 2000 por meio da sigla montada pelas iniciais de seus nomes. Essa sigla, conhecida inicialmente como BRIC, foi criada pelo economista inglês Jim O’Neill, membro do grupo financeiro Goldman Sachs, em 2001, para agrupar Brasil, Rússia, Índia e China. Em seu artigo, o economista defendia que, devido ao rápido crescimento de suas economias, em 2050 o grupo constituiria as principais economias do planeta; no momento atual, já representa quase metade da população mundial e área territorial do planeta, sendo apontado que, nesse ano (2050), os países citados poderão deter cerca de 40% do mercado global. Não se deve confundir o BRIC como um bloco econômico, tal qual são a União Europeia e o MERCOSUL, e sim como países que possuem grande potencial de crescimento para o século XXI. 

 

Ao contrário do que também se possa pensar, há mais diferenças do que semelhanças entre esses países, começando pela cultura, visto que cada um do grupo BRIC representa um povo distinto, com religião, costumes e línguas variados. Seus territórios se localizam em zonas climáticas bastante diversificadas, o que também os beneficia na produção de diferentes tipos de alimentos. China e Índia detêm, sozinhas, praticamente 1/3 da população mundial, com quase 2,5 bilhões de pessoas. Já Brasil e Rússia têm, juntos, cerca de 350 milhões de habitantes, imensos territórios e grande produção de grãos.

 

Encontro dos líderes dos cinco países que compõem o BRICS em 2011, na China

 

Já ao final da primeira década do século XXI, com o crescente debate envolvendo esse grupo, passou-se a considerar um novo membro: a África do Sul, sendo colocada, a partir de então, a sigla BRICS (isso se deve ao fato de o nome daquele país, em inglês, iniciar com a letra “S– –South Africa). Ao agregar mais uma nação, ampliaram-se ainda mais as diferenças sociais, econômicas e políticas desses países emergentes. Tal adesão gerou algumas controvérsias, mas,oficialmente, foi aceita pelos outros membros, passando a considerar a África do Sul como parte integrante.

 

Sob aspectos geopolíticos, o grupo também detém níveis variados de envolvimento em questões mundiais. Ao se considerar o Brasil, ele busca apoio internacional para ampliação de fóruns de decisão multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU e um modelo de inserção pacifista no planeta. Já Rússia e China, membros permanentes desse conselho, são potências nucleares de primeira linha, dotadas de armamento com alcance global e cada vez mais envolvidas em conflitos que afetam seus interesses econômicos. A China, desde o fim da Guerra Fria, tem despontado como futura potência militar do Pacífico, capaz de disputar a hegemonia sob regiões de influência dos Estados Unidos. Já a Índia, que possui armamento nuclear de alcance regional, tem no vizinho Paquistão seu principal rival, o qual é aliado estratégico da China, também rival da Índia. Excetuando-se o Brasil, todos os países do BRICS possuem ou já possuíram armas nucleares e tecnologia para sua produção, já que a África do Sul chegou a deter seis dessas armas em seu arsenal, fruto de um programa nuclear secreto com Israel, mas que fora desmantelado antes do fim do regime do Apartheid, em 1994.

 

Apesar de não se constituírem formalmente como um bloco, os líderes do BRICS têm se reunido de maneira a formar um grupo político capaz de agir em reuniões da ONU e do G-20. Desse modo, seus objetivos políticos se tornam mais eficazes pelo fato de ter, na agenda, encontros anuais para tomar decisões conjuntas, podendo, no futuro, constituir um bloco político.

 

Mapa dos membros do BRICS que mostra a amplitude territorial de seus países

 

 

Em Resumo

O grupo do BRICS não se constitui de um bloco econômico, tendo sido criado a partir da análise de um economista inglês que reuniu países com características de crescimento econômico capazes de se tornarem, em 2050, as maiores economias do planeta. Inicialmente constituído por Brasil, Rússia, Índia e China, o bloco recebeu a adesão da África do Sul, sendo, visto como um grupo com características bastante diversas.

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