Texto: A Contrarreforma

 A Contrarreforma

A Contrarreforma (ou Reforma Católica) foi um movimento organizado pela Igreja Católica para rever as práticas da instituição e traçar as diretrizes a serem tomadas para combater o avanço da Reforma Protestante. 
 
 

O Concílio de Trento

Entre os anos 1545 e 1563, o Papa e as principais autoridades católicas se reuniram na cidade italiana de Trento para discutir a doutrina da Igreja. O Concílio teve como resultado a reafirmação dos sacramentos e do culto aos santos e à Virgem Maria. As mudanças doutrinárias realizadas pelos reformistas foram rejeitadas pela Igreja. 
 
 
Concílio de Trento
 
 
As tradições do livro sagrado dos cristãos, a Bíblia, foram reafirmadas, assim como a questão da salvação da alma relacionada com a fé e as obras realizadas pelo fiel em vida. 
 

Durante essa reunião de autoridades eclesiásticas, diversas ações foram adotadas para combater a corrupção no interior da Igreja. O comércio de artigos sagrados, assim como o de cargos na Igreja, foi proibido. Cumpre ressaltar que foram criados diversos seminários para dar uma formação intelectual sólida aos sacerdotes. 
 
 
O saldo do Concílio de Trento foi a divisão do cristianismo na Europa: de um lado os católicos, e do outro uma gama de vertentes protestantes. 
 
 

O Combate a Reforma

A Reforma Protestante e a consequente conversão de milhares de fiéis a outras vertentes do cristianismo enfraqueceram a influência da Igreja Católica na Europa. Para ampliar o número de fieis, a Igreja lançou mão de um instrumento bastante eficiente: a criação de ordens religiosas evangelizadoras. 
 
 
Em 1534, o espanhol Inácio de Loyola criou a Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas. A ação dos jesuítas não se restringiu ao continente europeu. Os navios das nações católicas que viajavam à América, Ásia e África levavam sacerdotes para evangelizar os nativos e convertê-los à fé católica. 
 
 
Então, foi divulgado o Catecismo da Igreja, publicação doutrinária distribuída nas escolas com o propósito de evangelizar crianças e jovens. 
 
 
Anteriormente, vimos que o desenvolvimento da imprensa auxiliou na divulgação do conhecimento, principalmente de obras que criticam os valores da Igreja Católica. Para fazer frente a essa influência, foi estabelecido o Índice de Livros Proibidos, o Index. Essa medida estabeleceu a censura (proibição) a qualquer obra que pudesse ser considerada prejudicial à Igreja. 
 
 
Talvez, o mais terrível instrumento de combate à Reforma Protestante tenha sido o Tribunal do Santo Ofício, a Inquisição. Criada no século XIII, essa ferramenta foi utilizada para investigar e punir aqueles indivíduos que fossem considerados perigosos para a doutrina católica.
 

Os principais perseguidos pela Igreja foram os hereges (pessoas que praticam algo condenado pela Igreja), judeus e muçulmanos. Durante o século XVIII, estabeleceu-se um tribunal inquisidor no Brasil, sendo que os principais perseguidos foram os cristãos novos, judeus que fingiam ter se convertido ao cristianismo mas que ainda cultuam os ritos judaicos. Além dos praticantes do judaísmo, eram comuns acusações de bigamia, heresia e feitiçaria. 
 
Pessoa sendo torturada durante a Inquisição
 
 

As Guerras Religiosas

Durante o século XVI, as diversas vertentes do cristianismo criadas a partir da Reforma já haviam se consolidado em regiões da Europa, como a Inglaterra e a Alemanha. No entanto, a coexistência de católicos e protestantes nem sempre foi pacífica. 
 
 
Na Alemanha, por exemplo, muitos católicos foram perseguidos por protestantes. O inverso ocorreu na Espanha, onde a Inquisição foi implacável com judeus, protestantes e muçulmanos. 
 
 
Embora a Inglaterra tivesse uma igreja oficial, outras vertentes do protestantismo não foram aceitas inicialmente. Os puritanos, ingleses calvinistas, foram constantemente perseguidos, o que os motivou a se mudarem para a América do Norte, onde não seriam incomodados devido à sua crença. 
 
 
Na França, o conflito ocorreu entre católicos e hugenotes, calvinistas franceses. Durante o reinado de Carlos IX (1560-1574), houve um massacre em Paris que deixara cerca de três mil hugenotes mortos. O episódio ficou conhecido como a Noite de São Bartolomeu. 
 
 

Em Resumo

A Contrarreforma foi um movimento de afirmação da doutrina católica. Entretanto, os meios utilizados geraram uma grande onda de violência. Seus efeitos não se desdobraram apenas ao continente europeu; o novo mundo recém-descoberto, a América, foi alvo de intensas ações católicas por meio dos jesuítas. 
 
 

Referências

APOLINÁRIO, Maria Raquel (Ed.). Projeto Araribá: História. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. 
ARMSTRONG, Karen. Uma história de Deus: quatro milênios de busca do judaísmo, cristianismo e islamismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
MARQUES, Ahemar Martins. História Moderna através de textos. 11. ed. São Paulo: Contexto, 2005.
PELLEGRINI, Marcos César. Vontade de saber história – 7º ano. 1. ed. São Paulo: FTD, 2009. (Coleção Vontade de Saber)
SEFFNER, Fernando. Da Reforma à Contrarreforma: o cristianismo em crise. São Paulo: Atual, 1993. 
Já é cadastrado? Faça o Login!