Texto: A Partilha da África e a Colonização do Continente

A Partilha da África e a Colonização do Continente

No decorrer do período que compreende do século XVI ao XVIII, o continente africano passou por um significativo aumento populacional, sobretudo em decorrência das melhorias nas técnicas agrícolas. Esse aumento populacional gerou, evidentemente, a busca por terras férteis, o que ocasionou uma guerra entre os diferentes reinos africanos. Nesse momento, alguns reinos dominavam outros e tornavam-se maiores. Posteriormente, esses grandes reinos passariam por novas disputas, mas, dessa vez, contra as forças de países europeus que queriam dominar suas terras.

 

 

O Neocolonialismo na África

Por volta do ano de 1882, cerca de 10% de todo o território africano estava ocupado por europeus. Já no início do século XX, em 1901, os europeus já haviam ocupado cerca de 90% do continente. A esse fenômeno damos o nome de neocolonialismo (ou imperialismo).

 

Os Belgas no Congo

Por volta de 1884, valendo-se de jogos diplomáticos e, também, do uso da força bruta, o rei Leopoldo II, da Bélgica, invadiu e dominou o reino de Congo – que possuía um território cerca de dez vezes maior do que a Bélgica. Leopoldo II passou a chamar essa região dominada de Estado Livre do Congo, sendo esse “Estado Livre” posto sob seu domínio.  Nesse sentido, valendo-se da severa exploração da mão de obra africana, Leopoldo II tirou do Congo uma imensa fortuna em borracha e marfim. Ademais, a dominação do Congo tornou-se uma verdadeira crueldade, em que mais de 10 milhões de africanos foram mortos pelo enriquecimento dos europeus.

 

Populações de Elefantes foram dizimadas para a extração do Marfim

 

Estátua em Bruxelas de Leopoldo II

 

Os Franceses na Argélia

No ano de 1830, os franceses forçaram um protetorado na Argélia. Tempos depois do protetorado, os franceses tomaram o governo do país e passaram a obrigar a população local a trabalhar para eles, sobretudo no cultivo de oliveiras, vinhas e legumes, destinados à exportação. Além disso, diversos missionários e “educadores” foram para a Argélia com o intento de civilizar a população, ensinando a cultura ocidental que, para os europeus, era superior a todas as outras. Já os nativos, percebendo que seus interesses eram absolutamente distintos dos colonizadores, apresentaram resistência à opressão exercida. 

 

Expedição de soldados franceses na Argélia

 

Atenção!

Protetorado é um país ou território com governo próprio, porém controlado por outro Estado, como no caso da França, que exercia o domínio sobre a Argélia.

 

Os Domínios Britânicos

Os britânicos lideraram a corrida de neocolonização pelo continente africano. No Egito, por exemplo, eles urdiram um protetorado e aproveitaram para se fortalecer valendo-se do endividamento do governo egípcio, motivado pela construção do Canal de Suez – obra financiada com dinheiro egípcio e francês.

 

No Sudão, os ingleses fizeram intenso uso de violência para exercer dominação sobre os sudaneses. Contudo, os locais praticantes da religião mulçumana reagiram às aspirações britânicas, o que gerou os conflitos chamados de guerra santa. Apesar de terem alcançado algumas vitórias, os sudaneses acabaram derrotados, dada a capacidade bélica dos ingleses. Ademais, além de Egito e Sudão, os britânicos ainda invadiram e dominaram a Uganda (atual Quênia) e a Rodésia (atual Zimbábue).

 

Explorador britânico Samuel White Baker em meio a nativos africanos

 

Outros Domínios

A Alemanha também teve participação na corrida por domínios no continente africano, estabelecendo duas colônias no continente: uma banhada pelo Oceano Atlântico, a África do Sudoeste Alemão, e outra pelo Índico, a África Oriental Alemã.

 

Portugal, no neocolonialismo, manteve a maior parte dos domínios conquistados durante os séculos XV e XVI, como Guiné, Angola, São Tomé, Porto Príncipe, dentre outros. E a Espanha, seguindo a linha de Portugal, manteve parte do Marrocos.

 

Embarcações atravessando o Canal de Suez

 

A Conferência de Berlim

A corrida imperialista acarretou problemas e atritos que passaram a ameaçar a paz entre os países europeus. Para evitar uma guerra, as principais potências europeias reuniram-se em 1885 e deliberaram que um país europeu só poderia ocupar uma área africana se comunicasse às nações europeias e, imediatamente, mandasse para o local uma autoridade capaz de fazer valer, ali, os direitos adquiridos. Combinaram, ainda, que os europeus, independentemente de domínios, teriam livre navegação e livre comércio no rio Congo e no Niger.

 

Nessa conferência, foi definido, ainda, um novo mapa da África, determinando fronteiras artificiais que, muitas das vezes, não respeitavam as diferenças étnicas e culturais dos povos africanos, gerando, entre eles, algumas guerras que duram até hoje.

 

 

Em Resumo

Com a intenção de enriquecimento cada vez mais latente, potências europeias lançaram-se num processo de severa dominação (através da violência) sobre os países africanos. Socialmente, esses impactos foram sentidos, sobretudo, nas transformações geopolíticas impostas pela Conferência de Berlim, a qual gerou conflitos étnicos e culturais que ainda hoje atormentam o continente africano. São os efeitos do neocolonialismo.

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