Texto: Orgãos Vegetais

Orgãos Vegetais

Agora que aprendemos como surgiram os vegetais e como eles ocuparam o ambiente terrestre, é a hora de conhecermos mais a respeito de sua estrutura. Uma das principais características observadas nos animais complexos é a presença de tecidos, órgãos e sistemas que funcionam em conjunto para a sua sobrevivência. Com as plantas não é diferente: elas também desenvolveram tecidos e órgãos para se adaptarem ao ambiente que ocupam. É bem difícil imaginar que uma planta também tem órgãos como a gente, mas é importante ressaltar que eles funcionam de maneira diferente. O corpo da maioria das plantas é constituído por duas partes principais: a parte localizada sob o solo (composta principalmente pelas raízes) e a parte aérea (composta fundamentalmente pelo caule, folhas, flores e frutos). A partir de agora, veremos quais são os principais órgãos vegetais de cada uma dessas partes e suas respectivas funções. 


Raízes

Como foi dito no tópico anterior, a raiz é o órgão vegetal que permitiu a permanência das plantas no ambiente terrestre. As raízes são responsáveis pela absorção da água e dos sais minerais contidos no solo e que serão utilizados por todas as células do organismo vegetal. Além disso, são elas que mantêm o corpo da planta fixo ao chão. Existem vários tipos de raízes diferentes que podem ter funções diferentes das citadas anteriormente. As raízes respiratórias se especializaram em captar gases atmosféricos, e estão presentes em plantas que vivem em solos muito encharcados. As raízes tuberosas armazenam o alimento produzido pelas plantas para uso futuro. Já as raízes suporte servem para aumentar o suporte fornecido pelo caule, a próxima estrutura que veremos.
 
Exemplos de raízes: raízes escora (A), raízes tuberosas (B) e raízes respiratória (C)
 

Caule

O caule é órgão que conecta as raízes e as folhas. É ele que contém os vasos condutores que levam a água e os sais minerais recolhidos pela raiz e os conduz para as folhas, local onde serão utilizados para a produção do alimento. Além disso, é ele que redistribui o alimento produzido no sentido inverso: das folhas para a raiz. O caule pode apresentar diferentes espessuras e estruturas dependendo da espécie de planta. Plantas como as gramíneas (capim e grama) apresentam um caule com pouca espessura e sem estruturas adicionais de revestimento. Já quase todas as árvores possuem um caule mais espesso e apresentam uma casca lenhosa que garante uma maior proteção e sustentação, adaptações necessárias para seres com maior altura que precisam de suporte para manter-se em pé. 
 
Exemplos de caules: caule do tipo bulbo (A), estipe (B) tronco (C) e rizoma (D)

Apesar de crescerem principalmente no sentido vertical, o caule também pode crescer horizontalmente em relação ao solo e inclusive ser subterrâneo, como é o caso do rizoma, que se diferencia da raiz pela presença de gemas. As gemas são o conjunto de células presentes no topo e nas laterais do caule e que são responsáveis por originar as folhas e os ramos laterais. 

Assim como as raízes, existem vários tipos de caules. Os principais são os troncos, estipes, bulbos e rizomas, que já foram citados. Os troncos são comumente encontrados em árvores de grande porte e são lenhosos. Os estipes são caules típicos de palmeiras, não apresentam ramificações e suas folhas são encontradas em forma de tufo em seu ápice.  Por fim, os bulbos são caules formados pela união com as folhas, que as envolvem externamente. É o tipo de caule encontrado em cebolas.
 

Você Sabia?

Você sabe de onde vem o papel? Se você respondeu das plantas, você acertou. O papel é produzido a partir de uma substância que só os vegetais produzem: a celulose. A celulose é uma substância que está presente em todas as células vegetais e é matéria prima para a produção de papel. Para produzi-lo, as empresas plantam extensas florestas de eucalipto para evitar o desmatamento.


Folhas

As folhas sem dúvida são o principal órgão dos vegetais justamente pela função que desempenham: a realização da fotossíntese. Como foi dito no tópico anterior, elas surgem a partir das gemas presentes no caule. Sua cor é conferida pela presença da clorofila, o pigmento responsável pela captação da luz solar. As folhas apresentam três partes distintas: o limbo, o pecíolo e a bainha. O limbo é composto pela parte laminar da folha e este se liga ao caule por meio do pecíolo. A bainha, que está presente apenas em algumas espécies de plantas, é uma expansão da base da folha que a enrola no interior do caule. 
 
Exemplos de folhas: folha simples (A) e folha composta (B). Os estômatos presentes no limbo foliar (C)

Uma estrutura muito importante para as plantas também se localiza nas folhas: os estômatos. Os estômatos são células especializadas que se localizam no limbo foliar e deixam entrar os gases atmosféricos necessários para a realização da fotossíntese. Eles apresentam um mecanismo que os abre e fecha de acordo com as condições ambientais. Por ser uma abertura que permite o contato das células da folha com o meio externo, há uma maior perda de água por meio da evapotranspiração. Desse modo, a habilidade de fechar-se é essencial para a redução da perda excessiva de água.
 

As folhas são classificadas de acordo com o tipo de limbo. Ele pode ser simples (não dividido) ou composto (dividido em folíolos). O tipo simples é o mais comum, e apresenta diversos formatos, sendo o lanceolar (formato de ponta de lança) o mais frequente. Folhas compostas são dividas em folíolos, que é o nome dado a essa subdivisão, e são encontradas em plantas como as samambaias.


Flores

A flor é o órgão reprodutivo das plantas. Ela é responsável por produzir o fruto e a semente, estruturas que protegem o embrião que formará um novo indivíduo. Assim como os animais, os vegetais podem ser hermafroditas (apresentar o dois sexos no mesma flor) ou diclinos (flores com sexos separados que podem estar no mesma planta ou não). Além de conter as estruturas reprodutivas, elas também são responsáveis pela atração dos polinizadores, que são os animais que carregam o grão de pólen entre flores para a ocorrência da fecundação. Esta atração é garantida pela corola, que é a estrutura formada pelo conjunto de pétalas da flor. O número de pétalas pode variar de acordo com a espécie.
 
Esquema simplificado de uma flor

A parte feminina da flor é formada pelo gineceu. O gineceu é constituído pela integração do ovário (local onde os gametas femininos são armazenados), o estigma (abertura por onde o grão de pólen entra no ovário) e o estilete (canal de ligação entre o ovário e o estigma). A parte masculina é formada androceu, que é composto por duas estruturas apenas: o estame (local de produção e armazenamento do grão de pólen) e o filete (estrutura de sustentação do estame). 

É importante ressaltar a existência de inflorescências. Em algumas espécies de plantas, várias flores se agrupam em um mesmo ramo, dando origem a essa estrutura. Essa disposição facilita o encontro das flores pelos polinizadores, pois se tornam mais vistosas.


Frutos

Os frutos são estruturas vegetais bastante conhecidas por fazerem parte da nossa alimentação. Eles estão presentes no nosso dia a dia e são importantes para a nossa saúde por conter vitaminas e outras substâncias essenciais. O fruto é resultado do desenvolvimento do ovário após a ocorrência da fecundação. Sua principal função é a proteção da semente, estrutura que contém o embrião.
 
Exemplos de frutos: partes do fruto (A), fruto seco (B) e pseudofruto (C)

O fruto pode ser dividido em duas partes: a semente e o pericarpo, que é a parte que contém a polpa e a casca. O pericarpo é constituído por três partes: o endocarpo (membrana que reveste a semente), o mesocarpo (a polpa propriamente dita) e o epicarpo (a casca que protege o fruto externamente).

A respeito dos tipos de frutos, existem três: os frutos carnosos, os frutos secos e os pseudofrutos. Os frutos carnosos, como o próprio nome diz, apresentam uma polpa macia, suculenta e adocicada, como por exemplo, a laranja. Já os frutos secos apresentam o pericarpo totalmente seco e duro, chegando a ser quebradiços, como é o caso do amendoim. Por fim, existem os pseudofrutos. O prefixo pseudo quer dizer falso, o que caracteriza esse tipo como “fruto falso”. Ele é chamado assim pois, diferentemente dos frutos secos e carnosos, sua parte comestível não se desenvolveu a partir da transformação do ovário e sim de outras partes da flor que acumularam substâncias nutritivas.  São exemplos de pseudofruto o abacaxi e o caju.


Sementes

As sementes são o resultado do desenvolvimento do óvulo fecundado. Sua principal função é proteger o embrião que dará origem a um novo individuo. As sementes também são muito importantes na alimentação humana, já que grande parte dos itens alimentícios que consumimos diariamente são sementes, como por exemplo, o arroz e o feijão.
 
Esquema simplificado de uma semente

A semente é formada por três partes: o embrião, o endosperma e a casca. O embrião é a estrutura resultante da união do grão de pólen e do óvulo, e é ele que possui os percursores da primeira folha, do caule e da raiz. O endosperma é o tecido de reserva nutricional que envolve o embrião, mantendo-o vivo até que ele seja capaz de realizar a fotossíntese por si só.  A casca é o revestimento protetor da semente. 
 

Você Sabia?

Você sabia qual é a diferença entre grão e cereal? O cereal é um grupo específico de plantas que contêm vegetais como o trigo, o arroz e a aveia. Já o grão é a semente que o cereal produz. Plantas como o feijoeiro, a ervilha e o amendoim não são cereais, e sua semente não apresenta um nome distinto, como é o caso dos cereais.


Em Resumo

O corpo das plantas pode ser dividido em duas regiões: a parte sob o solo e a parte aérea. A primeira parte é formada por raízes, que são responsáveis por absorver a água e os nutrientes presentes no solo e fixar as plantas no solo. Há também raízes responsáveis pela respiração (respiratórias), armazenamento de substâncias (tuberosas) e sustentação (suporte). 

Já a segunda parte é formada:
  • pelo caule, responsável pela sustentação das folhas, flores e frutos, e distribuição dos nutrientes e gases respiratórios por todo o corpo da planta por meio dos vasos condutores. Há vários tipos de caule (troncos, estipes, bulbos e rizomas).
     
  • pelas folhas, que são responsáveis pela realização da fotossíntese. Existem dois tipos de folhas quanto a sua divisão (simples e compostas).
     
  • pelas flores, que são responsáveis pela reprodução sexuada das plantas e pela atração de polinizadores.
     
  • pelos frutos, que são responsáveis pela proteção das sementes. Existem três tipos de frutos (carnosos, secos e pseudofrutos).
     
  • pelas sementes, que contêm o embrião que se desenvolverá em um novo organismo.
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