Texto: A Formação dos Estados Nacionais

A Formação dos Estados Nacionais

Durante a Idade Média, a Europa era dividida em reinos cujo poder político era formado pelos rei e por grandes senhores feudais. Outra característica era a autonomia administrativa dos centros urbanos mais importantes. No entanto, o final do Feudalismo foi marcado pelo fortalecimento do poder dos reis, em que se inaugurava uma nova etapa da História. 
 

 

A Formação do Estado Moderno

A escassez de alimentos gerou uma profunda onda de violência nas cidades. Propriedades foram invadidas e saqueadas, e houve inúmeros atos de violência urbana. 
 
 
Tais fatores fizeram com que a burguesia passasse a reivindicar uma postura mais enérgica e arbitrária do rei, no que diz respeito à defesa da propriedade privada e à repressão das revoltas camponesas.
 
 
Além disso, a burguesia necessitava de estradas seguras e de uma unidade monetária para viabilizar as trocas comerciais. Tais demandas só seriam possíveis se os privilégios da nobreza fossem suprimidos e o rei centralizasse o poder político. 
 
 

Uma Nova Organização Política

De acordo com o historiador Gilberto Cotrim, o Estado Moderno se formou devido a dois aspectos: a fragmentação do poder político, em virtude da autonomia das cidades e da influência local dos senhores feudais; e a autoridade da Igreja Católica, que conseguia atingir todos os reinos e impor as determinações do Papa. 
 
 
Em contraposição a esses dois aspectos, o Estado Moderno se firmou nas seguintes características:
 
 
  • Administração pública - Foi criado um aparato burocrático para administrar os reinos. Foram nomeados, pelo rei, funcionários que atuariam junto à comunidade para garantir o cumprimento das leis. 
 
  • Exército Nacional - Para proteger o território e evitar a desordem interna, foram criados os exércitos nacionais permanentes. Vale ressaltar que, durante a Idade Média, havia diversas ordens militares com suseranos que comandavam exércitos quase tão poderosos quanto o do próprio rei. 
 
  • Legislação - Elaborou-se um conjunto de leis para mediar, julgar e punir os habitantes do reino. 
 
  • Unidade monetária - Foi estabelecida uma moeda nacional, o que favoreceu tanto as trocas comerciais como a padronização da cobrança de impostos. 
 
 

Os Teóricos do Estado Moderno

Embora houvesse o anseio de uma camada social reivindicando a centralização política do poder nas mãos do rei, alguns filósofos foram essenciais no processo, formulando as bases teóricas do absolutismo monárquico. 
 
 
Um dos principais teóricos do absolutismo monárquico foi o filósofo italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527). De acordo com ele, o poder político não deveria ser atrelado ao poder religioso; por isso, defendia a existência de um governo forte e absoluto. Outra forte noção de seu pensamento é a separação entre a moral cristã e a moral pública, a qual fora aplicada a partir da caracterização do chefe político (o Príncipe, segundo Maquiavel). Isso porque as ações de um soberano para se manter no poder e garantir seus objetivos não devem ser julgadas pela moral cristã estabelecida durante a Idade Média. 
 
 
Era também necessário fundamentar a origem do poder real, e os responsáveis por isso foram Jean Bodin (1530-1596) e Thomas Hobbes (1588-1679). 
 

O francês Jean Bodin é o responsável pela ideia de que a autoridade do rei tem origem divina. Para ele, o poder do rei era perpétuo e absoluto, algo que justificava a sua linhagem na sucessão do trono. Para os súditos, ele deveria ser considerado um escolhido de Deus. 
 
 
Já Thomas Hobbes utilizou-se da metáfora do Leviatã, presente no Livro de Jó da Bíblia cristã. Hobbes associara o monstro ao Estado, que deveria ser forte e proteger a população. De acordo com o filósofo inglês, o homem não estaria apto a viver em liberdade, pois isso levaria a um estado de caos e violência. Logo, é necessário um poder instituído, forte e centralizado. 
 
 
Nicholau Maquiavel
 

Os Estados Absolutistas

 

Portugal

O reino de Portugal surgiu no ano de 1139. A primeira dinastia foi a dos Borgonha, e seu primeiro rei foi D. Afonso Henriques. Durante séculos, a região do reino português (península Ibérica) esteve ocupada pelos mouros que, por sua vez, empreendiam uma campanha de expansão da fé islâmica.
 
 
Os mouros só foram expulsos do território português durante a guerra de reconquista, ocorrida em 1249. Após a vitória, a região de Algarves foi anexada ao reino de Portugal. 
 
 
Em 1383, D. João, Mestre de Avis, sagrou-se vencedor na disputa pela sucessão do trono português; era o início dinastia de Avis. Uma vez rei, D. João centralizou o poder político no país com o apoio da burguesia portuguesa. Desse modo, Portugal tornou-se o primeiro Estado absolutista do período. 
 


Espanha

O território que hoje corresponde à Espanha compunha diversos reinos, sendo eles: Leão, Castela, Navarra e Aragão. Assim como em Portugal, esses reinos também tiveram de lutar contra a dominação moura. 
 
 
Dois reinos se destacaram durante o século XIII, o de Castela e o de Aragão. Dois séculos mais tarde, a rainha de Castela, Isabel, e o rei de Aragão, Fernando, se casaram e unificaram os reinos, dando origem à Espanha. 
 
 

França

A centralização monárquica na França começou no século XVIII, durante a dinastia dos capetos. Durante aquele período, diversas ações foram tomadas para limitar a influência da nobreza e da Igreja. A Guerra dos Cem Anos (1337-1453) colaborou ainda mais para o enfraquecimento da nobreza e a consolidação da autoridade real. e o ponto máximo do absolutismo francês se deu durante o reinado de Luis XIV, cujo lema L’Etat c’est moi (O Estado sou eu) simboliza a natureza de seu governo. 
 
 
Leitura
 
A sociedade medieval baseava-se, internamente, numa hierarquia consagrada pela Igreja, em que cada indivíduo ocupava o lugar que Deus havia lhe predeterminado. Sendo assim, a tentativa de mudar a situação social era vista como um ato de rebeldia contra a vontade divina. Esse controle da Igreja era exercido principalmente sobre os moradores das cidades medievais, de mentalidade conservadora e atrelada às normas tradicionais. 
 
 
Com o desenvolvimento do comércio, a burguesia adquiriu um poder sem precedentes. Pequenos mercadores se transformaram em grandes comerciantes e deram início a um processo de dissolução das estruturas e concepções da antiga ordem social. Foi surgindo, pouco a pouco, uma classe burguesa que, com base em seu poder econômico e cultural, começou a romper os vínculos com o clero e a nobreza [...].
 
 
A nobreza, a partir do início do século XVI, foi se tornando cada vez mais dependente dos monarcas. 
Sob a ameaça de pena de morte, os nobres foram proibidos, por exemplo, de possuir canhões ou recrutar tropas em seus territórios. Sem poder guerrear e arruinada economicamente, a nobreza aproximou-se dos reis [...]. 
 
 
Com a falência política e econômica da nobreza, estabeleceu-se uma nova relação entre os grupos sociais; a burguesia e a Monarquia aliaram-se. Para a burguesia, essa aliança significava, sobretudo, livrar-se do antigo imposto feudal e aumentar suas possibilidades de enriquecimento, já que podia negociar diretamente com o Estado, ter uma moeda mais estável e se ligar ao aparelho administrativo. 
 
 
Os monarcas europeus, embora oriundos da aristocracia, buscavam formas de se libertar dos laços de suserania e vassalagem. Assim, a ambição política da Monarquia absorveu de bom grado o nascente ideal nacionalista que se difundia nas cidades e recebeu, em troca, o apoio político e econômico da burguesia. Foram surgindo as fortes monarquias europeias, que se tornaram Estados [...] soberanos. Assim, a aliança burguesia-realeza foi uma consequência [...] de ambições comuns. 
 
 
Adaptado de: CONHECER 2000: História - Da Idade Média à Idade Moderna. v. 10.In: PELLEGRINI, Marcos César. Vontade de saber história – 7º ano. 1. ed. São Paulo: FTD, 2009, p. 136. (Coleção Vontade de Saber)
 
 

Em Resumo

A formação dos Estados Modernos foi fruto de um longo processo de enfraquecimento da influência da nobreza e da Igreja, assim como do fortalecimento dos poderes do rei e da burguesia. Com essa combinação de elementos, surgiram diversas nações. 
 
 

Referências 

COTRIM, Gilberto. História para o ensino médio - Brasil e geral. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. Volume único. 
ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos históricos medievais. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1981. 
FRANCO JUNIOR, Hilário. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2006. 
LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente medieval. Bauru: EDUSC, 2005.
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