Texto: Os Elementos Germânicos da Cultura Feudal

Os Elementos Germânicos da Cultura Feudal

O feudalismo foi um período histórico da humanidade que resultou da junção de elementos romanos e germânicos. Dentre as heranças dos povos bárbaros, podemos citar o direito consuetudinário e o comitatus, importantes elementos culturais muito presentes na sociedade europeia da Idade Média.
 
 

O Reinado do Líder

Entre os povos germânicos, a principal ocupação era a guerra. O fruto dessa atividade proporcionava riquezas e novos territórios destinados à prática da agricultura, provendo o sustendo do povo. Nesse universo beligerante (combativo), a figura do chefe guerreiro ocupava uma posição de destaque, sendo este a principal liderança política. 
 
 
Uma das práticas germânicas adaptadas à Idade Média foi o comitatus. Em tempos de guerra, os germânicos se reuniam em uma assembleia e determinavam uma liderança para chefiar as tropas. Cabia ao líder escolhido conduzir os soldados à vitória e, posteriormente, arcar com a partilha do território e das riquezas conquistadas. Com o tempo, esse direito de liderança se tornou hereditário.
 
 
Outro aspecto atribuído aos líderes germânicos era a crença na descendência dos deuses, fator que dava uma conotação sagrada ao poder dos chefes militares. Essa noção seria consolidada durante o Feudalismo com a figura do rei, que, além de ter seus nobres e fiéis cavaleiros que lhe prestavam serviços militares durante as guerras, tinha seu poder legitimado como um desejo de Deus. 
 
 

A Administração Germânica 

A organização burocrática do Estado Imperial Romano, que contava com funcionários públicos e uma legislação, foi dissolvida a partir do momento em que os povos bárbaros iniciaram as invasões sob o território romano. Consequentemente, o antigo território romano também foi fragmentado, e o que antes correspondia a uma grande unidade territorial se tornou um emaranhado de reinos independentes.
 
 
O direito romano foi substituído pelo conjunto de leis tradicionais dos povos bárbaros. Os germânicos não possuíam leis escritas; tudo era baseado na tradição que fora repassada oralmente de geração em geração. Chamamos isso de direito consuetudinário, ou seja, o conjunto de leis baseado na tradição de um povo. 
 
 

As Invasões Germânicas 

Após a conquista dos territórios do Império Romano do Ocidente, durante o século V, as tribos germânicas começaram a instalar seus reinos na região. A ausência do aparato administrativo dos romanos fez com que essas sociedades não constituíssem uma estadia duradoura. O fato de os povos bárbaros não terem constituído um Estado até o século V culminou com a ausência de instituições fortes e um corpo administrativo capaz de sustentar e organizar o reino. 
 
 
Na maioria dos casos, as tribos lutavam entre si. Além das guerras e rebeliões, havia o problema de os germânicos serem a minoria da população nas regiões ocupadas. Outro aspecto que gerou conflito foi a religião dos povos germânicos, uma vez que o politeísmo era incompatível com o cristianismo. 
 
 
Com o tempo, os descendentes germânicos e romanos começaram a constituir família e a formar uma aristocracia romano-germânica. Isso proporcionou a fixação das comunidades por um tempo maior, e, posteriormente, as guerras internas foram diminuindo à medida que os povos invasores se enfraqueciam. 
 
 
Iniciou-se então uma junção entre as culturas. Os colonos passaram a realizar casamentos mistos, e os povos germânicos implementaram a cultura escrita, criando instituições administrativas. 
 
 

Leitura

As Invasões
 
Os greco-romanos chamavam de bárbaros os povos estranhos à sua cultura e ao seu mundo. Dentre eles, os mais próximos eram os germanos, divididos em duas grandes famílias: a gótica (francos, anglos, vândalos, lombardos) e a teutônica (francos, anglos, vândalos, lombardos). Localizados nas fronteiras [ao norte] do mundo romano, os germanos mantinham [...] contatos esporádicos [com os habitantes do império]. No século IV, com a crise [romana], muitas tribos germânicas foram incorporadas ao exército [imperial] para policiar as fronteiras [...]. No momento de recuo demográfico da população romana e de sua crescente cristianização, diminuiu a procura da carreira militar, o que propiciou o aumento da presença de germanos no exército [...].
 
 
A posterior ocupação dos territórios romanos pelos germanos foi, assim, apenas o resultado de uma evolução que os tornara a força viva do império. Portanto, por cerca de dois séculos houve uma penetração pacífica, e apenas na primeira metade do século V aconteceram as verdadeiras ocupações germânicas. Estas, na realidade, foram precipitadas pela pressão de um povo oriental, os hunos, que levaram os germanos em Guga a entrarem maciçamente em território romano. 
Colocavam-se, dessa forma, frente a frente duas civilizações que ao longo dos séculos seguintes iriam se fundindo para formar a Europa, a romana e a germânica [...].
 
 
Apesar de representarem apenas 5% da população total do Império Romano, em poucos anos os germânicos ocuparam pontos [estratégicos] do império. A cidade de Roma foi conquistada em 476, e o último imperador, deposto; quebrava-se a unidade política anterior. Surgiram vários reinos germânicos, pontos de partida para o futuro dos países europeus. Começava a Idade Média. 
 
 
Adaptado de: FRANCO JUNIOR, Hilário; ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira. In: PELLEGRINI, Marcos César. Vontade de saber história – 7º ano. 1. ed. São Paulo: FTD, 2009. (Coleção Vontade de Saber)

 


Em Resumo

Após uma série de invasões e fracassos na tentativa de se estabelecer no solo que outrora pertencia ao Império Romano, os povos germânicos paulatinamente absorveram valores culturais romanos e perpetuaram aspectos centrais de seus costumes. Dessa junção nasceram os reinos feudais e a cultura medieval. 
 
 

Referências

ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao feudalismo.  2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1989.
APOLINÁRIO, Maria Raquel (Ed.). Projeto Araribá: História. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010. 
FRANCO JR., Hilário. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 1986.
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