Texto: A Revolução Industrial

A Revolução Industrial

A Revolução Industrial teve início na Inglaterra durante o século XVIII e se difundiu pelo mundo no século seguinte. Até então, as pessoas trabalhavam em pequenos grupos e produziam, em pequena escala, tudo aquilo que necessitavam para sua sobrevivência. Embora houvesse grandes cidades, com intenso fluxo comercial, essa atividade se multiplicara após o advento das máquinas. 
 


A Transição do Modo Artesanal para a Produção Mecanizada

Antes do surgimento das máquinas, a produção de mercadorias era feita de modo artesanal. Isso exigia do artesão o conhecimento de todas as etapas da produção, desde a extração da matéria-prima até o produto final a ser comercializado. 
 

Ao se referir ao pensador escocês Adam Smith, Gilberto Cotrim ilustra o trabalho de um artesão produtor de alfinetes da seguinte maneira: primeiro ele endireita o arame, corta-o, afia uma ponta, coloca a cabeça na outra extremidade e dá o acabamento final. 
 

Perceba que, para produzir um simples alfinete, era necessário que o artesão tomasse conhecimento de todas as etapas de sua produção. Essa organização se tornou dispensável a partir do momento em que se formaram as manufaturas, permitindo a divisão do trabalho e a intensificação da produção. 
 

Voltando ao exemplo do alfinete, a organização de sua produção se daria da seguinte forma: um puxava o arame, outro alinhava, um terceiro cortava, o quarto afiava uma extremidade, o quinto esmerilhava, o sexto colocava a cabeça e o último fazia o acabamento. 
 

Dessa forma, a produção fica muito mais dinâmica, acelerando o ritmo do trabalho. Embora não fosse mais necessário que o trabalhador conhecesse todas as etapas da produção de uma mercadoria, tal ritmo ainda estava condicionado ao controle humano. Isso mudaria com a mecanização, quando a máquina passara a determinar o tempo de produção. 
 

Trabalhadores de uma mina de carvão
 
 


O Pioneirismo Inglês

Diversos fatores contribuíram para que o advento da Revolução Industrial ocorresse na Inglaterra. O pioneirismo inglês se deve primeiramente à consolidação e ao fortalecimento da classe burguesa no país, devido ao crescimento de uma zona de livre-comércio que permitia um acúmulo maior de riquezas. 
 

Outro aspecto foi o desenvolvimento de uma política monetária, a partir da criação do Banco da Inglaterra em 1694. Foi elaborado um sistema de créditos que permitia a ampliação dos empreendimentos burgueses. 
 

A burguesia inglesa não detinha apenas o poder econômico, haja vista que a Revolução Gloriosa limitou o poder do monarca e permitiu uma participação política maior de outros agentes. 
 

De fato, a posição geográfica da Inglaterra também favoreceu seu pioneirismo, haja vista que a ilha se situa próxima à Europa em um ponto em que a navegação para a distribuição de mercadorias é privilegiado. Além disso, o país contava com muitas minas de carvão, matéria-prima para aquecer as caldeiras das máquinas. 
 

Por fim, mas não menos importante, devemos pensar sobre os chamados cercamentos, processo iniciado no século XVII, quando a nobreza inglesa começou a cercar suas terras e arrendar para criação de ovelhas, com vistas à extração de lã (matéria-prima para a indústria têxtil que seria desenvolvida no país). Sem ocupação no campo, uma massa de trabalhadores foi forçada a migrar para a cidade em busca de uma fonte de sustento. O êxodo rural gerou um grande contingente de mão de obra barata para atuar nos empreendimentos burgueses. Essa especificidade socioeconômica da Inglaterra foi preponderante para o desenvolvimento da indústria no país. 
 

Coalbrookdale, cidade britânica, considerada um dos berços da Revolução Industrial
 


As Fases da Revolução Industrial

A Revolução Industrial pode ser dividida em três fases:
 
 
  • A primeira fase (1760-1860) compreende o período em que o desenvolvimento das máquinas se restringiu apenas à Inglaterra. A principal característica dessa etapa diz respeito ao desenvolvimento da indústria têxtil por meio da elaboração de teares mecânicos movidos a vapor. Já nesse período, havia forte presença de trabalho feminino e infantil, e o proletariado sofria com péssimas condições de trabalho e baixos salários. 
 
  • Na segunda fase (1860-1900), a Revolução Industrial se espalhava por toda a Europa, Estados Unidos e Japão. As principais inovações do período foram a substituição do ferro pelo aço e a utilização de combustíveis alternativos, como a eletricidade e o petróleo. Durante a segunda fase, houve grande aperfeiçoamento nas técnicas de produção, aumentando extraordinariamente o número de mercadorias produzidas (o Fordismo foi uma tecnologia criada no período). O progresso tecnológico permitiu a construção de veículos automotores e meios de comunicação, a exemplo do rádio e do telefone. 
 
  • Por fim, a terceira fase concerne ao final da Segunda Guerra Mundial até os dias atuais. O principal polo de desenvolvimento desse período são os Estados Unidos, mas países da Europa e da Ásia ainda apresentam níveis notáveis de desenvolvimento. A genética e a biotecnologia são áreas de destaque, bem como a internet, por sua contribuição na área de comunicações. A luta por direitos dos trabalhadores permanece, mas conquistas como férias, seguro e redução da jornada de trabalho podem ser observadas em boa parte do planeta. O principal obstáculo dessa etapa é a degradação ambiental. 
 
 

Leitura

 
A Revolução Industrial teve início na segunda metade do século XVIII, na Inglaterra. Essa revolução completou a transição do feudalismo ao capitalismo, pois significou o momento final do processo de expropriação dos produtores diretos. O modo de produção capitalista pode ser caracterizado pela introdução da maquinofatura e pelas relações sociais de produções assalariadas. Tais relações passaram a predominar a partir do momento em que houve a separação definitiva entre capital e trabalho, reflexo direto da industrialização. 
 

Como observou Maurice Dobb, “[...] assim, uns possuem, enquanto outros trabalham para aqueles que possuem – e que são naturalmente obrigados a isso, pois que, nada possuindo, e não tendo acesso aos meios de produção, não dispõem de outros meios de subsistência”. Muitos autores já discutiram a respeito do conceito de Revolução Industrial. Para alguns, como Paul Mantoux, não se trata de uma revolução, pois estava relacionada com causas remotas, apesar de reconhecer a velocidade de seu desenvolvimento e suas consequências. Outros, como Rioux, Dobb e Hobsbawn, consideram que estava ocorrendo, naquele momento, uma ruptura qualitativa nas estruturas socioeconômicas, sendo pertinente a utilização do conceito de revolução. As alterações técnicas aumentaram a produtividade do trabalho e implementaram um ritmo novo à produção. 
 

Ao mesmo tempo em que aumentava a produtividade do trabalho, podia-se observar um extraordinário crescimento nas fileiras do proletariado, submetido a dramáticas condições de vida. O trabalho feminino e infantil passou a ser explorado intensamente, impondo a todos o tempo da máquina, que passou a ser o tempo dos homens. [...]
 

Adaptado de: MARQUES, Adhemar Martins e outros. História Contemporânea através de textos. In: PELLEGRINI, Marco César; DIAS, Adriana Machado; GRINBERG, Keila. Vontade de saber história – 8º ano. 2. ed. São Paulo: FTD, 2012.


Em Resumo

A Revolução Industrial foi um dos principais acontecimentos do século XIX. O advento das máquinas modificou toda a organização social, que passou a se caracterizar pelo modo de vida urbano com duas categorias sociais: a burguesia e o proletariado. Outro notável desdobramento foi a consolidação do sistema capitalista, hegemônico até os dias atuais. 
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