texto: Crase

Crase

Vamos aprender, neste tópico, o que é a crase e a utilização de seu sinal indicativo. A origem da palavra crase é grega ( krâsis) e significa mistura. No caso da língua portuguesa, temos a contração da preposição a com os artigos definidos femininos ( a ou as) ou com os pronomes demonstrativos ( aquele, aquela, aqueles, aquelas e aquilo). Podemos identificar, na escrita, a presença da crase, devido à presença do sinal grave (`) na letra a das palavras em que houve a contração.
 

A crase é o resultado do encontro da preposição a e dos artigos definidos femininos ou dos demonstrativos que se iniciam com a letra a. Isso ocorre, na prática, em função do seguinte raciocínio:

Sempre deverá haver um termo regente que exige a preposição a e, em seguida, um termo regido que admite o artigo feminino ( a, as) ou que seja o próprio demonstrativo ( aquele, aquela, aqueles, aquelas ou aquilo).

Termo regente →  a + a → palavra feminina
 
  • Nós nos referimos a + as novas ideias de Paulo.
→ Nós nos referimos as novas ideias de Paulo.
 
  • Ontem meus amigos assistiram a + a peça de teatro que ganhou vários prêmios. 
→ Ontem meus amigos assistiram à peça de teatro que ganhou vários prêmios.
 
  • Nunca faça alusão a + a família dela quando falar da história da cidade. 
→ Nunca faça alusão à família dela quando falar da história da cidade.
 

Você Sabia?

Na escrita, colocamos o sinal grave indicando a crase. Na fala, esse acento não modifica nada em relação à pronúncia das palavras. Não devemos ler em duplicidade a vogal a quando ocorrer crase.


Regras Básicas para o Uso da Crase

  • A crase somente ocorrerá diante de palavras femininas:
→ As peças da coleção de verão serão vendidas a partir da próxima semana.
 
Nessa frase não há crase pelo fato de partir ser verbo, ou seja, é palavra neutra.
 
→ Ninguém perguntou a mim o que fazer naquele momento.
 
O pronome mim não é palavra feminina.
 
→ Fizemos toda a prova a lápis.
 
Lápis é substantivo masculino.
  • Alguns verbos que indicam movimento são regidos pela preposição a. Para sabermos se a crase é obrigatória junto aos verbos que indicam destino (comparecer, ir, vir, chegar etc.), analisamos os verbos que, num contexto específico, indicam procedência. Se surgir da, a crase estará presente; caso contrário, com o surgimento de de, não haverá crase. Importante observar que a regra trata de localidades; por isso, falamos de destino e procedência. Exemplos:
→ Fomos a Europa nas últimas férias. Ocorre a crase?
 
Voltamos da Europa... 
    
→ Sim, há crase após o verbo fomos.
 
Portanto: Fomos à Europa nas últimas férias.

→ Eles voltarão a Belo Horizonte para um novo treinamento técnico. Colocamos a crase?
 
Eles voltaram de Belo Horizonte... → Não, a crase não deve ser colocada.
 
  • Para quaisquer verbos, exceto os que indiquem movimento: basta que você troque a palavra feminina por uma, masculina. Se aparecer na construção ao, é sinal de que a crase deverá estar presente. 
Exemplos:
    
→ Entregamos o documento a pessoa responsável. Tem crase?

Vamos trocar a pessoa por o indivíduo:
    
Entregamos o pacote ao indivíduo.
 
Sim, temos crase nessa frase.
 
→ Entregamos o pacote à pessoa.
 
→ Susana se referia as revistas da década de 1990. Há crase?
 
Vamos trocar as revistas por os jornais:
 
→ Susana se referia aos jornais da década de 1990.
 
Sim, há crase. 
 
Susana se referia às revistas da década de 1990.
  • Sempre usamos a crase na indicação de horas:
→ Pontualmente, ele começava os trabalhos às oito da manhã.
 
→ Amanhã deveremos ajustar os relógios à meia-noite.
 

Alguns Casos de Crase Facultativa

Podemos ou não colocar o acento grave para indicar a crase diante de algumas palavras:
  • Nomes próprios femininos:
→ Eu dedico esta canção a Renata. / Eu dedico esta canção à Renata.
 
  • Pronomes possessivos femininos:
→ Elas não foram convidadas para virem a sua festa? / Elas não foram convidadas para virem à sua festa?
 

Atenção!

A crase é facultativa quando o artigo for facultativo, ou seja, podemos dizer: Renata é minha prima ou A Renata é minha prima. Sendo assim, a crase também será facultativa, existindo somente quando optarmos por usar o artigo.
 

Alguns Casos em que a Crase é Proibida

  • Em expressões com substantivos repetidos:
→ O farmacêutico dosava a substância gota a gota.
→ No final do filme, o xerife ficou cara a cara com o forasteiro.
→ Estamos agora cara a cara
    Caímos numa armadilha rara
     Barão Vermelho – Cara a cara
 
 
→ Os policiais examinaram o local do crime de ponta a ponta. 
 
  • Diante de pronomes pessoais ou de tratamento:
→ Dissemos a ela a verdade.
→ Cabe a você resolver o problema e contar, a Vossa Majestade, o que aconteceu hoje.
 

Em Resumo

A crase representa a contração da preposição a com os artigos definidos femininos ou com os pronomes demonstrativos iniciados pela letra a. Há casos em que seu uso é obrigatório; em que ela não deve ser usada; ou em que pode ou não ser indicado o acento grave da crase.
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