Texto: Contextualização

Contextualização

 

Concepções de Política

“O homem é um animal político”, disse certa vez um ilustre filósofo. Mas como pode ser político se, de todos os assuntos possíveis, é justamente esse o mais chato e o que menos desperta o interesse das pessoas, sobretudo dos jovens? A pergunta já está baseada no senso comum que a ela acrescentaria: religião, futebol e política não se discutem. Ora, se não se discutem, que graça teriam? Temos medo, é verdade, de discutir assuntos que geram tensões. Certamente, quando discutimos algo ligado à religião, por exemplo, temos tantas “certezas religiosas” e tantos preconceitos que a discussão é levada para o lado pessoal. Em vez de fazer as pessoas crescerem e amadurecerem seus pontos de vista sobre aquele assunto, isso as fecha ainda mais em suas próprias concepções. 

 

 

O mesmo acontece quando falamos em futebol. “Qual o melhor time?” – pergunta fulano. “Certamente que é o Itaquaquecetuba”, responde orgulhoso o representante daquele famoso time da periferia. “Não, não, é claro e evidente que é a Chapecómatinha, o time mais fabuloso do Brasil”, acrescenta cheio de si o chapecomatinense fiel. A discussão pode durar horas sem levar a absolutamente nada. O melhor atacante, a melhor defesa, o técnico desbravador, as goleadas de um a zero, o retranqueiro, o estrategista e mais um milhão de argumentos que a ninguém convencem, mas que não podem deixar de fazer parte das discussões. 

 

No senso comum, portanto, certos assuntos não se discutem, até porque as discussões praticadas acerca deles não levam a nada. Mas em Filosofia, dizer que algo não se discute é fazer com que perca a sua graça, o seu encanto. É justamente a possibilidade de discutir que torna interessantes os diferentes pontos de vista, as possibilidades de respostas, os outros modos de se pensar as coisas; é no embate deles que formulamos novos pensamentos. Por isso, devemos, sim, discutir, sobretudo acerca de política. 

 

Ela foi (e tem sido) um dos temas filosóficos mais profundos e desafiadores. Talvez você nem saiba, mas sua vida inteira é perpassada e atravessada por questões políticas, das mais simples às mais complexas. Do preço da gasolina que você compra à discussão com seu namorado ou sua namorada, tudo é política, e não estou, com isso, afirmando que a política seja tudo, mas é evidente que ela tem participação em todas as ações humanas. 

 

Vamos entender, pois, as bases do pensamento político para, nos próximos capítulos, tentar compreender os principais problemas que desafiam nosso pensamento acerca desse tema. Na Grécia antiga, a cidade grega era chamada de pólis, mas não era uma cidade como as nossas, dado que a cidade grega era interessantíssima. Independentemente das outras cidades, as poleis tinham uma administração própria e se organizavam de forma autônoma, sendo chamadas de cidades-estado. 

 

Numa guerra, por exemplo, os gregos se uniam por meio de suas cidades-estado. Nem todas participavam, e algumas até ficaram famosas pela sua vocação para a guerra, como Esparta. Nascer e crescer em Esparta era diferente de nascer e crescer em Atenas; embora as duas fossem cidades gregas, cada uma se organizava da maneira que bem entendia. 

 

O cidadão grego tinha privilégios com relação aos estrangeiros. Já naquela época, havia uma distinção bastante grande entre pessoas vindas de fora e indivíduos que comungavam a mesma terra e o mesmo berço. Nem todos podiam ser gregos, e, para ser considerada cidadã, a pessoa deveria, além de ter nascido na Grécia, ser filha de pai e mãe gregos e ter mais de 21 anos de idade. Do contrário, não teria os direitos de cidadão. 

 

Isso porque, para eles, o cidadão era uma figura muito importante. Era ele quem definia os destinos da pólis na chamada democracia direta. Tudo o que se queria para a cidade era discutido por todos os cidadãos; vem daí uma das primeiras e principais noções de política. 

 

Você Sabia?

Grécia foi um dos primeiros lugares no mundo a organizarem uma democracia. Por isso, até hoje o modelo grego é imitado e desejado por muitos. Sempre que se fala em democracia, na atualidade, um olhar se volta para o tempo dos gregos antigos. Pense que em 700 a. C. já haviam pessoas preocupadas com uma organização social que permitisse a participação de todos da forma mais igual e justa possível. 

 

Outra maneira de se pensar a palavra política diz respeito às relações de poder. A todo o momento, vivendo em sociedade, somos chamados a exercer ou a nos submeter a um poder. Sempre existem pessoas que podem efetuar certas ações enquanto outras, simplesmente, não podem. Ao discutir as relações de poder dentro de uma sociedade, estamos, na realidade, falando de política. 

 

Pensando assim, quando os homens se organizam em sociedade, na verdade, instituem as relações de poder entre eles. A uns é dada a realização de certas coisas, a outros, outras. O poder exercido nessas relações é político; dessa maneira, muito mais vezes do que imagina, você vivencia situações de poder. Você gostaria de sair da sala agora e fazer outra coisa? Pode fazer isso sem sofrer punições? Perceba que você está diante de uma relação de poder. Seu(sua) namorado(a) quer fazer certas coisas com você. Ele(a) pode? E com seus amigos? Não parece, mas mesmo as relações humanas mais simples envolvem poder. 

 

Você perceberá que existem graus de poder. Podemos falar de relações simples, como as dos exemplos, e outras bastante complexas, como a relação estabelecida entre países de um bloco econômico. Contudo, em ambos os casos, fala-se em poder, e, de alguma maneira, aborda-se política também. 

 

Saiba Mais!

Pesquise sobre as formas de organização das cidades-estado gregas. Sabendo disso, você será capaz de organizar melhor os seus conhecimentos sobre esse tema. Lembre-se: quanto mais você fundamenta seus conhecimentos, mais tempo eles ficam acessíveis à sua memória. 

 

Em Resumo

Vimos que existem pelo menos duas maneiras de se pensar a palavra política: uma relacionada com as cidades gregas, as poleis, outra pensando as relações de poder em uma sociedade. Nos dois casos, fica evidente a necessidade de se aprofundar as discussões acerca da política, seja para construirmos cidades, estados e países mais justos ou, ainda, para construirmos relações entre as pessoas de forma mais coerente.

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