Texto: Evolução da População Brasileira e Tendências

Evolução da População Brasileira e Tendências

Como sabemos, o Brasil é um país com imensa diversidade populacional. Antes da chegada dos colonizadores portugueses em 1500, já havia a ocupação de nosso território pelos nativos indígenas. Apesar de não haver números precisos, dados da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) apontam que a população de nativos em 1500 era bastante numerosa, variando de um a 10 milhões de indivíduos. Após esse período, a esse contingente de nativos foram acrescidos outros milhões de habitantes. Entre os principais grupos de imigrantes que contribuíram para constituir nossa estrutura populacional estão os próprios portugueses, italianos, alemães, espanhóis, japoneses, árabes, africanos, entre outros.

 

O primeiro recenseamento (contagem) da população brasileira foi realizado em 1872. Naquele ano, a população total do país era de 9.930.478 habitantes e, a partir de então, vários outros censos demográficos foram realizados, sendo que desde 1940 eles são feitos a cada 10 anos. O órgão federal responsável pela contagem populacional é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O último censo, realizado em 2010, apontou que nossa população atingiu um total de 190.732.694 de indivíduos. Mas, de acordo com o último levantamento estatístico divulgado pelo IBGE em 2013, nossa população já atingiu a marca de 201 milhões de indivíduos. O gráfico seguinte nos permite visualizar a evolução populacional do país desde o primeiro recenseamento, realizado em 1872, até o último, feito em 2010.

 

Evolução da população residente no país

 

A partir da análise do gráfico, é possível afirmar que o maior crescimento populacional no país foi registrado nas décadas de 1950 e 1960. Observe que, de 1950 para 1970, a população nacional quase dobrou de tamanho. Esse grande aumento populacional caracteriza a entrada do país na chamada fase de Transição Demográfica, conforme estudamos no tópico 3 deste módulo. Naquele período, o maior número de pessoas que passou a residir em cidades favoreceu a queda das taxas de mortalidade, já que, nas cidades, o acesso ao sistema médico-hospitalar é mais facilitado. Se por um lado, as taxas de mortalidade caíram nesse período, as de fecundidade ainda se mantiveram elevadas, ocasionando um elevado crescimento vegetativo. 

 

A partir da década de 1970, a população nacional continuou crescendo, mas a um ritmo menos intenso que antes. Isso decorre da redução do número de nascimento a partir daquele momento. Veja o gráfico que demonstra a diminuição das taxas de fecundidade, principalmente a partir dos anos 1970.

 

Evolução da taxa de fecundidade no Brasil

 

Percebe-se que, em 2010, a média de 1,9 filho por mulher já era menor que o mínimo recomendado pela ONU, que é de 2,1, para que a população de um país se renove naturalmente. Segundo projeções do IBGE, a tendência é que esses números diminuam ainda mais, chegando a 1,5 filho, em média e por mulher, em 2030.

 

Entre os fatores que explicam a diminuição das taxas de fecundidade no Brasil, podemos citar:

 

  • Disseminação de métodos contraceptivos, como pílulas anticoncepcionais, preservativos, entre outros.
 
  • Altos custos para a criação de filhos na cidade, já que, a partir dos anos 1970, a maior parte da população nacional passou a residir no meio urbano.
 
  • Maior participação das mulheres no mercado de trabalho.

 

Nas pirâmides etárias do Brasil apresentadas a seguir, é possível notar a alteração de nossa estrutura populacional:

 

Pirâmides etárias do Brasil em 1980 e 2010

 

A pirâmide que representa a população no ano de 1980 possui uma estrutura populacional que caracteriza um país de população jovem. A base larga evidencia elevadas taxas de natalidade, o que resulta em elevado número de crianças e adolescentes. Já o topo estreito indica uma pequena quantidade de idosos, demonstrando baixa expectativa de vida da população. Conforme estudamos, pirâmides etárias com essa estrutura são típicas de países menos desenvolvidos.

 

Enquanto isso, a pirâmide que representa a população em 2010 demonstra um grande processo evolutivo de nossa estrutura populacional. Comparada à pirâmide de 1980, nesta a base é mais estreita, indicando que houve uma diminuição nas taxas de natalidade, já que há menos crianças. O corpo da pirâmide, que é a parte do meio e engloba a população em idade adulta, está mais largo, mostrando que há no país grande número de população em idade ativa, ou seja, muita mão de obra disponível para o mercado de trabalho. Já no topo, percebe-se uma tendência de aumento do número de idosos, o que evidencia que o país evoluiu na qualidade de vida, proporcionando a longevidade à sua população. No entanto, o aumento da quantidade de idosos representa necessidades de se investir mais nos sistemas de saúde e de previdência, pois, quanto mais idosos, maior é a necessidade de pagamento de aposentadorias.

 

Saiba Mais!

 

Tendências para a População Brasileira

 

De acordo com estimativas feitas pelo IBGE, a população de nosso país atingirá seu maior contingente em 2042, quando chegará a 228,4 milhões de habitantes. A partir de então, haverá um decréscimo populacional, o qual será motivado pela redução das taxas de natalidade. Por outro lado, o aumento da expectativa de vida fará com que o número de idosos quadruplique, fazendo com que, em 2060, a quantidade de indivíduos pertencentes a essa faixa etária seja bem maior que a atual. Nesse período, existirão dois idosos com mais de 65 anos para cada criança. Observe a tabela:

 

(IBGE) Estimativa de projeção da população brasileira ( 2000 a 2060)

 

 

Em Resumo

A população brasileira foi formada por diversos povos. Aos nativos indígenas que já viviam por aqui antes da colonização, foram acrescidos povos europeus e alguns asiáticos e africanos. A primeira contagem da população foi feita em 1872, quando nossa população somava 9,9 milhões de pessoas. Em 2013, segundo o IBGE, o total populacional brasileiro ultrapassou a marca dos 200 milhões de indivíduos. Segundo projeções, o pico será atingido em 2042, quando 228 milhões de pessoas habitarão esse país. A partir disso, a população decrescerá em função das baixas taxas de natalidade. Em contraposição ao menor número de crianças, haverá um acréscimo do contingente de idosos em função da melhoria das condições sociais e do consequente aumento da expectativa de vida.

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