Texto: História: Objetos e Documentos

História: Objetos e Documentos

É bastante comum ouvirmos pessoas questionando os motivos pelos quais estudamos história, tratando-a como o estudo do passado morto e enterrado. Ao contrário dessa perspectiva, devemos pensar a história como algo que faz parte das nossas vidas e do nosso dia a dia, ligando as temporalidades (passado e presente), o que nos possibilitaria compreender as relações e processos que desencadearam nossa sociedade e as relações postas nela. Ora, quando estudamos o passado, lançamos olhares a partir do nosso tempo (o presente) e ainda a partir desse movimento (de olhar o passado a partir de problemas presentes) podemos imaginar e/ou prospectar possibilidades futuras – a História funciona como a nossa “máquina do tempo”. 
 
 

O Estudo de História 

Na escola, tomamos contato com a História como uma área do conhecimento, como a Biologia, a Matemática, a Física, a Geografia ou a Química. A História, porém, se dedica a estudar as relações e acontecimentos realizadas pelas pessoas pertencentes aos mais diferentes grupos sociais no decorrer do tempo. É objeto da História, também, às transformações e continuidades ocorridas nas diversas sociedades do mundo, ao longo do tempo. Dessa forma, estudar as “eras” e as mudanças geradas nas relações estabelecidas, bem como os inventos e inovações que corroboraram com a transformação da natureza e do meio onde o ser humano se insere, expressando ideias, organizando-se politicamente, economicamente, gerando e resolvendo problemas e demandas que surgem a partir da sua simples relação com o meio em que se vive e das nuances da vida em sociedade. A partir dessas afirmativas, notamos que a história nos permite perceber que tudo pode ser mudado, transformando-nos em indivíduos críticos e ativos em relação ao mundo que nos cerca. 

 

No estudo de história, o pesquisador pode utilizar como fonte tudo que é produzido pelo ser humano, desse modo: letras de música, documentos diversos, depoimentos, diários, filmes, livros de memória, registros de cartórios, dentre outras fontes servem para o pesquisador como vestígios da História. 

 

A Periodização Histórica 

A periodização é a organização da História a partir de referências que possibilitem dividi -la em momentos e/ou etapas dos milhões de anos da história da humanidade. Desse modo, a periodização segue critérios estabelecidos por historiadores que dividem a história (ou o estudo dela) em etapas ou eras. Os critérios adotados para, a supracitada divisão, podem tomar como referência diversos aspectos da sociedade estudada, desse modo: economia, política, produção artística, cultura e etc., podem servir como o parâmetro da organização periódica. 

É de fundamental importância salientar, também, que as periodizações não são fixas e imutáveis. Inclusive, a partir do referencial teórico metodológico adotados pelo pesquisador, pode-se variar a periodização - alinhando -a a sua linha de análise e pesquisa do mesmo. 

 

Ao lançarmos olhares sobre a história da humanidade, a periodização mais comum é forjada a partir de critérios que consideram a ocorrência de fatores marcantes que corroboram para a separação das diversas “idades” históricas. Desse modo, além das divisões propriamente da História, na periodização mais comum, existe, ainda, a divisão entre a História e a chamada Pré-História. Vejamos: 

 

Pré História: 

  • Período Paleolítico – que vai do aparecimento dos primeiros ancestrais dos humanos até, aproximadamente, o ano 10.000 a.C.. 
  • Período Neolítico – que vai de, aproximadamente, o ano 10.000 a.C até cerca de 4.000 a.C., onde o advento da escrita marca a passagem da chamada Pré-História para a História. 
 

História: 

  • Idade Antiga – período que se estende entre os anos de 4.000 a.C. até 476, ano da desestruturação e queda do Império Romano do Ocidente. 
  • Idade Média – essa idade se estende entre os anos de 476 até 1453, ano da tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos. 
  • Idade Moderna – de 1453 até 1789, ou seja, o ano do início da Revolução Francesa. 
  • Idade Contemporânea – que se inicia em 1789 e se estende até os nossos dias. 
 

É de fundamental, ao lançar olhares para a periodização apresentada, ter em mente que esta divisão da História (e da Pré-História) não é a única perspectiva possível. A divisão em idades é, contudo, a mais utilizada nos processos seletivos para ingresso em Universidades. 

 

O Sujeito Histórico 

Os sujeitos históricos (ou sujeito histórico) são o coração da história. Ora, são os seres humanos (objetos da história) os responsáveis pelas dinâmicas, permanências e transformações sociais. Vale salientar, que até o século XIX, o processo de escrita da história adotava como sujeito histórico, sobretudo (ou apenas) os chamados grandes personagens da história. Ou seja, a dinâmica da história era atribuída a feitos individuais de figuras em posições singulares: papas, reis, príncipes, nobres, generais e etc. eram sobrepostos ao individuo “comum”. 

 

Ademais, principalmente a partir do século XIX, outros sujeitos históricos (“comuns”) passaram a ganhar destaque no discurso do historiador. Essa mudança de perspectiva é resultado do próprio processo histórico onde esses indivíduos “comuns” estavam inseridos. Ora, a partir do século XIX eles começaram a se revoltar e rebelar contra as situações de dominações. Desse modo, os grupos relegados a posições inferiores reclamaram e construíram o seu lugar na história. 

 

A história nos ajuda a entender quem somos. 

 

Em Resumo 

O estudo de história compreende a investigação dos vestígios deixados por seres humanos ao longo dos anos. Para a mencionada investigação, documentos como registros oficiais, filmes, músicas e etc. auxiliam o historiador no estudo do passado. 

Comumente, no intento de facilitar o estudo da História convencionaram-se periodizações que organizam a história em idades ou eras. A partir de então a própria dinâmica de pesquisa e escrita dos fatos passados, são motivados por questões presentes que, mais das vezes, ditam o tom da pesquisa e da escrita da História. 

 

Referências 

BLOCH, M. Apologia da História, ou o Ofício do Historiador. Tradução: André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002. 

LE GOFF, J. Documento / Monumento. In: História e Memória. São Paulo: Editora Unicamp, 1990. 

PINSKY, C.; LUCA, T. (orgs). O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2011. 

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