Texto: A Economia no Brasil Colônia

A Economia no Brasil Colônia

A principal motivação para a expansão marítima portuguesa foi a busca por metais preciosos e o estabelecimento de novas rotas comerciais. Como durante os dois primeiros séculos de colonização não foi encontrado ouro no Brasil, os portugueses implantaram outro empreendimento lucrativo: o cultivo de cana-de-açúcar. No entanto, essa não foi a única atividade desenvolvida durante o período, visto que o trabalho artesanal e a pecuária também ocuparam lugar de estaque na organização econômica brasileira durante os primeiros séculos de colonização. 
 


A Empresa Açucareira

Como foi visto anteriormente, a primeira forma de administração do território brasileiro foram as capitanias hereditárias. Nestas, havia uma divisão das terras em grandes lotes, os latifúndios. Aqueles proprietários que não tinham condições de produzir em toda extensão de seu latifúndio poderiam utilizar parte da terra como pagamento de dívidas. Esse sistema ficou conhecido como arrendamento. 
 

Esse sistema fez-se necessário em virtude dos altos custos de instalação de uma empresa açucareira, como a estrutura necessária para se produzir e a compra de escravos para serem utilizados como mão de obra. Para isso, foi necessária a intervenção de investidores financeiros, sobretudo holandeses, no fomento dessa atividade.
 

A estrutura de produção de açúcar era o engenho. Os engenhos funcionavam como células autossuficientes, onde havia plantação de cana, residência para escravos, colonos e proprietários – os senhores de engenho –, além de toda a estrutura necessária para o preparo da cana e outras atividades, como agricultura de subsistência e pecuária. 
 


A Organização do Engenho

A maior parte da produção no engenho era oriunda do trabalho escravo, no entanto, havia outros ofícios desempenhados por homens livres, são eles:
 
 
  • Feitores – O chamado feitor de eito cuidava do solo e da separação das áreas de plantio, além dos momentos adequados para o cultivo e a colheita. Já o feitor da moenda era responsável pela produção do caldo de cana. No topo da hierarquia estava o feitor-mor, responsável pela manutenção dos equipamentos. 
 
  • Mestre de açúcar – Ao mestre de açúcar cabia o cuidado do cozimento do caldo e a destinação do melaço para a casa de purga.
 
  • Outros trabalhadores – Diversos outros trabalhadores exerciam funções importantes na produção de açúcar. Por exemplo, o purgador, que se encarregava do clareamento do açúcar, além do caixeiro, encarregado do empacotamento dos produtos. 
 
 

Os Escravos 

Como foi dito, a maior parte da mão de obra utilizada nos engenhos era escrava. Havia escravos em praticamente todas as etapas da produção. Os homens desempenhavam funções de marceneiros, carpinteiros, ferreiros, dentre outros, e as mulheres se encarregavam de funções domésticas. 
 

Havia uma instalação destinada especificamente para abrigar os escravos, a senzala. Essas moradias apresentavam estruturas precárias para a moradia e com pouca privacidade.
 


Outras Atividades Econômicas

A produção de cana-de-açúcar voltada para o comércio externo foi a principal atividade econômica do Brasil entre os séculos XVI e XVII, no entanto, havia outras atividades que atendiam o comércio externo, mas visavam também o abastecimento do mercado interno.
 
 

Pecuária

A criação de animais foi introduzida como uma atividade complementar da empresa açucareira, em que o gado, sobretudo, era utilizado como meio de transporte e tração. Posteriormente a venda da carne, do leite e do couro de animais tornou-se uma atividade importante na colônia. 
 

Como na região nordeste a prioridade era o cultivo da cana-de-açúcar, os pecuaristas não viram outra solução senão adentrar o interior do território brasileiro. Essa atividade favoreceu o povoamento e a exploração de outras regiões do país. 
 


Fumo e Algodão

Outro gênero agrícola muito valorizado no mercado europeu era o fumo. O Brasil destacou-se na produção desse gênero, sobretudo na Bahia, principal centro produtor do país. Além do mercado europeu, o fumo era utilizado na África como moeda de troca na aquisição de escravos.
O algodão já era cultivado pelos nativos antes mesmo da chegada dos europeus, e esse produto foi muito utilizado na colônia na produção de tecidos. A partir do século XVIII, o algodão transformou-se num importante produto de exportação do Brasil.
 


Em Resumo

Durante os primeiros séculos de colonização, desenvolveram-se no Brasil diversas e intensas atividades econômicas que favoreceram tanto o abastecimento do mercado europeu quando o desenvolvimento econômico do país. 
 


Referências

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul – século XVI e XVII. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
AVANCINI, Elsa Gonçalves. Doce inferno: açúcar – guerra e escravidão no Brasil holandês (1580-1654). 3.ed. São Paulo: Atual, 1991. (Coleção História em documentos).
CASCUDO, Luís da Câmara. História da alimentação no Brasil. São Paulo: Global, 2004. 
FREYRE, Gilberto. Casa-grande e senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 31.ed. Rio de Janeiro: Record, 1996. 
PELEGRINI, Marco César. Vontade de saber história – 7º ano. 1.ed. São Paulo: FTD, 2009. (Coleção Vontade de saber).
APOLINÁRIO, Maria Raquel (Ed.). Projeto Araribá: História. 3.ed. São Paulo: Moderna, 2010.
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