Texto: O Texto e as Conjunções III

O Texto e as Conjunções III

Como já visto nas unidades anteriores deste livro, as conjunções podem ser classificadas em subordinativas, quando estabelecem uma relação de subordinação (dependência) entre as frases, ou coodernativas, quando possuem apenas uma relação de coordenação entre as orações. Nesta unidade, trabalharemos com as locuções conjuntivas e com a análise das conjunções nos textos. 

 

Locuções conjuntivas 

São formadas por duas ou mais palavras que conectam orações. Da mesma forma que as conjunções, as locuções conjuntivas classificam-se como subordinativas e coordenativas. As locuções conjuntivas são comumente compostas por advérbios, particípios seguidos pela conjunção que e preposições. 

 

Exemplos: visto que, ainda que, desde que, por mais que, à medida que, à proporção que, logo que, uma vez que, já que, sem que, posto que, entre outras. 

 

Atenção 

É necessário saber, ainda, que uma mesma conjunção e locução conjuntiva podem estar presentes em frases que exprimam sentidos diferentes. Assim, o trabalho com as conjunções deve se atentar aos sentidos com os quais elas serão empregadas e não simplesmente à decoreba de suas classificações. Enfim, uma mesma conjunção pode exercer várias funções quando inseridas em contextos diferentes.

 

A relação de produção textual e as conjunções 

Sabemos que o uso das conjunções é de extrema importância para o encadeamento de frases em um texto, pois, com os verbos, as preposições e os elementos coesivos, há a sequenciação dos fatos ou orações de uma narrativa. Dessa forma, o autor consegue transmitir de forma clara seus argumentos por meio do texto. Assim, é necessária a atenção exclusiva para as conjunções, tanto na produção de textos quanto na leitura destes. 

 

A seguir, observe o exemplo de um texto analisado, levando em consideração o uso das conjunções e locuções conjuntivas. 

 

Tijolos do corpo 

 

Assim que você começar a ler esta reportagem, três substâncias dentro do seu corpo trabalham para ajudá-lo. A hemoglobina corre pelo sangue para pegar oxigênio nos pulmões e levá -lo às células dos olhos e do cérebro, dando-lhe energia necessária à leitura. Ao mesmo tempo, a miosina estica e encolhe os músculos da cabeça para que sua vista possa seguir as palavras. Enfim, um composto chamado receptor de serotonina controla a entrada e a saída de sinais dos neurônios, por meio dos quais você compreende as frases. 

 

Energia, movimento e raciocínio – nada mal para simples moléculas, certo? Pois assim são as proteínas, nome da categoria química à qual pertence o trio que você acaba de conhecer. Espertas e habilidosas, compostas de dezenas de milhares de átomos cada uma, as substâncias dessa categoria não são fragmentos inertes de matéria. Elas funcionam como micromáquinas biológicas e tomam conta de tudo no organismo. 

 

Algumas fazem o papel de tijolos. Servem para montar os órgãos, os ossos, a pele ou os cabelos. Outras, como operárias, executam as tarefas vitais – carregar oxigênio, abrir portas das células ou acionar músculos são apenas três das atividades que elas administram, incansáveis. Para se ter uma ideia, o corpo dispõe de 100.000 moléculas diferentes, uma para cada função essencial. No total, tirando a água, elas representam três quartos do seu peso, ficando apenas um quarto para o resto, como açúcares, gorduras, ácidos, sais minerais etc. Sem exagero, as proteínas são você, leitor. [...] 

 

LUCÍRIO, Ivonete D.; DIEGUEZ, Flávio. Superinteressante. São Paulo: Abril, abr.1999. (Fragmento). 

 

As palavras em destaque no texto são conjunções e locuções conjuntivas que estabelecem sentido, para que as ideias tenham sequência e encadeamento. Já no início do texto, temos a locução conjuntiva assim que, que expressa uma escala temporal no início do texto, explicando que a ação de ler ocorre antes da ação de trabalhar. 

 

Logo, as conjunções e presentes no próximo período do texto ligam as orações “pegar oxigênio nos pulmões/ levá-lo às células”, estas que são as duas finalidades da hemoglobina. Já nas orações “dos olhos/ dos cérebros”, a conjunção e liga os dois tipos de célula. Ademais, nas palavras “estica/encolhe”, a conjunção exerce uma relação aditiva, pois conecta as duas funções que a miosina desempenha. 

 

A seguir, a conjunção para que expressa uma relação de finalidade, com o intuito de explicar o que a miosina causa nos músculos da cabeça, quando ela é ativada. Contudo, as demais conjunções e expressas no texto transpõem a função de adicionar tanto ações, como características e funções das orações. 

 

Leitura 

Para que haja outras reflexões acerca do uso das conjunções e do sentido que elas possam exercer em determinados contextos, é de grande valia a leitura do verbete de dicionário do autor Luis Fernando Veríssimo. Leia e reflita: 

 

Alfabeto 

E - conjunção. Importantíssima. Sem o E, muitas frases ficariam ininteligíveis, dificultando ainda mais a comunicação entre as pessoas. Em compensação, não existiriam as duplas caipiras [...] 

 

VERISSIMO, Luis Fernando. O Estado de São Paulo. 22 dez. 2002.(Fragmento) 

 

Em resumo 

Saber reconhecer uma conjunção, bem como a função que ela exerce no texto é de grande relevância para o entendimento das ideias ou para sua própria produção. Nesta unidade, aprendemos o quanto essas conjunções são necessárias para a coesão do texto, pois sem ela não é possível sequer entender o sentido do que se lê. 

Já é cadastrado? Faça o Login!