Texto: Mundo do Trabalho

Mundo do Trabalho

Vimos anteriormente que o trabalho está submetido a uma ideologia (um conjunto de ideias logicamente estruturadas). O trabalho do homem – o modo de produzir a vida material – sofre coerção tanto da ideologia do Estado quanto da ideologia dos proprietários dos meios de produção. São raras as situações em que o trabalhador consegue escapar delas, ou seja, raras são as nuances do trabalhador. 

 

Neste derradeiro tópico estudaremos um pouco sobre a noção de trabalho e indicaremos uma dessas nuances. 

 

 

Sobre a Noção de Salário

Nesta aldeia global em que vivemos, trabalho e trabalhador ainda são alienados. Que significa tal afirmação? Ora, que o trabalhador ainda é privado de se reconhecer como autor de seu trabalho. Contudo, em alguns casos é possível escapar da alienação e produzir o próprio pensamento, encarnando-o em algo, numa música ou num texto, por exemplo. Porém, esse escape pode ter o sentido de uma fuga, não de uma transformação social. Escrever, assim, pode significar uma nuance.

 

No entanto, de maneira geral, o trabalhador recebe em troca daquilo que produziu não exatamente a obra de seu trabalho, isto é, o produto. O empresário a retém, apesar de haver uma falsa ilusão de que o empregado tem a posse do produto. No entanto, em troca da força de trabalho e da obra produzida, os empresários estipulam apenas um salário. 

 

O termo “apenas” não expressa o valor que certo trabalhador ganha, ou seja, se é um ou dois salários. Esse termo expressa que o salário, como forma de pagamento, substitui a obra, o produto, a arte, a ação, a força, a vida material e intelectual, a criatividade, as potências, e os pensamentos do trabalhador. Em outras palavras, salário e melhores condições de trabalho (benefícios como plano de saúde, tíquete-alimentação, prêmios de produtividade etc.) não significam o fim da exploração do trabalho e do trabalhador, tampouco da alienação. O termo “apenas” significa que se conquistaram tão somente melhores condições para que o trabalhador exerça sua força de trabalho. Não há transformação social. O que existe são benefícios, como aumento de salário, férias-prêmio, premiações diversas etc., concedidos tanto pelo Estado quanto pelos grupos de empresários para frear a transformação política e social, não menos que frear o conhece-te a ti mesmo socrático.

 

Alienação do trabalho significa, portanto, que o proprietário exerce poder e posse tanto sobre o processo, quanto sobre o produto do trabalho desenvolvido. É o proprietário da empresa (da fábrica), e não aquele que executa o trabalho, que tem a posse do processo e da obra produzida. Em troca da força de trabalho e do produto feito pelo trabalhador, a empresa concede o salário. 

 

Uma Nuance

Foucault – filósofo e escritor francês – buscou na escrita uma nuance, isto é, uma maneira de libertar-se dos poderes do Estado, dos meios de comunicação de massa, da indústria cultural, bem como dos proprietários dos meios de produção. A escrita, para ele, figura uma nuance no sentido de buscar a realização de seus pensamentos (ver a noção de pensamento trabalhada nos tópicos anteriores). Diz Foucault: “Vários, como eu, sem dúvida escrevem para não ter mais um rosto. Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo: é uma moral de estado civil, a qual rege nossos papéis. Que ela nos deixe livres quando se trata de escrever”. Escrever é uma nuance.

 

Em Resumo

No início do módulo Política, lemos, como dito por Aristóteles, que a noção originária de politica é bela, maravilhosa e forte. Com o passar dos anos, os homens esqueceram que a política expressa beleza e, sobretudo, a amizade entre os homens. Muitos pensadores buscaram retomar essa noção originária de política, isto é, a promoção do bem comum, e dentre eles podemos citar Platão, Aristóteles, Maquiavel, Montesquieu, Locke, Hobbes, Bakunin e Marx

 

Vivemos a era tecnológica com possibilidades culturais fantásticas e grandiosas, mas o domínio da produção tanto das tecnologias quanto das ciências está nas mãos daqueles que arrogam para si o poder de decidir o destino da sociedade: o Estado e os grupos econômicos. 

 

Filósofos como Deleuze, Foucault, Nietzsche, Gramsci e Freud são pensadores que indicam soluções para os problemas sociais e políticos que enfrentamos nesta vida. Mas busquem vocês também as soluções e compartilhem-nas: escrevam textos, sejam médicos, engenheiros, cozinheiros, psicólogos, dentistas, dançarinos, artistas, jogadores de futebol etc. Independentemente do que queiram ser, filosofem! Busquem o conhecimento e pesquisem! Exerçam a cidadania de maneira excelente, leiam literatura e vivam! Pois a vida é bela. Terrivelmente bela.

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