Texto: Homônimos, Parônimos, Regência Verbal I, Produção Textual

Homônimos, Parônimos, Regência Verbal I, Produção Textual

No tópico anterior, estudamos um pouco a respeito dos sinônimos, antônimos, hipônimos e hiperônimos. Neste tópico, vamos estudar sobre os homônimos e parônimos, que se ligam mais à ortografia mas que, ao serem utilizados em um texto, acionam também nosso entendimento em relação aos sentidos dele. Além disso, neste tópico, vamos começar a estudar um assunto de extrema importância para a escrita: a regência verbal. Fique atento e mãos à obra! 

 

Homônimos e Parônimos 

 

Homônimos 

Na palavra homônimo, o “homo” apresenta o significado de igual, semelhante, e o “-nimo” tem o significado de nome. Homônimo, portanto, é vocábulo que apresenta igualdade ou semelhança com outro(s) vocábulo(s). Se se falar ou ler isoladamente a palavra, por exemplo, papa, o que ela significa? Pode ser comida ou o pontífice. Papa (pontífice), então, é palavra homônima com papa (comida). Ainda no campo dos homônimos, podemos dividi-las em três classificações: homônimos homógrafos, homônimos homófonos e homônimos perfeitos. 

 

Os homógrafos são aqueles que apresentam igualdade na grafia (‘-grafos’), mas diferença na pronúncia (eu gosto [ó]/ o gosto [ô]). 

 

Os homófonos são aqueles que apresentam igualdade no som, mas têm significados diferentes. Lembre-se de cessão, seção, sessão, por exemplo. Há, na categoria dos homófonos, um grande número de vocábulos. 

 

Os homônimos perfeitos são aqueles que apresentam igualdade na pronúncia e na escrita, mas com significados diferentes. A palavra são, por exemplo, apresenta três significados básicos: verbo ser, saudável e santo. 

 

Parônimos 

Já os parônimos não apresentam nenhuma igualdade, mas são palavras que têm alguma proximidade na pronúncia. São palavras “parecidas”, com uma mudança em uma letra ou sílaba, como ratificar e retificar. Os parônimos são próximos na escrita, mas diferentes no significado. Veja abaixo a tira de Sieber, em que o recurso do parônimo aparece também com o trocadilho: 

 

Allan Sieber. Disponível em: <http://allansieber.blogosfera.uol.com.br/>.

 

A respeito dos parônimos e dos homônimos em concursos, o importante não é classificar o vocábulo como parônimo ou homônimo, mas, sim, entender corretamente o contexto e escrever de forma adequada a palavra pedida. Abaixo, uma lista de alguns homônimos e parônimos

 

 

O Texto e a Regência Verbal I 

Normalmente, as palavras que compõem um período relacionam-se entre si para formar um todo coeso e coerente. Denominamos de regência a relação estabelecida entre os vocábulos de uma oração e, no campo da regência, há uma distinção entre a nominal e a verbal. Como os próprios nomes dizem, a regência nominal trata da relação estabelecida entre os nomes da oração, como por exemplo em “dúvida de português”. Observe que o nome dúvida necessita de uma preposição (quem tem dúvida, tem dúvida “de”) e essa preposição estabelece a relação com a palavra seguinte. Dessa maneira, o nome dúvida, no exemplo, estabelece a regência com a palavra português por meio da preposição “de”. 

 

Neste e no próximo tópico, vamos revisar a regência verbal. Vamos verificar a regência de alguns verbos, geralmente os verbos que “caem” nos vestibulares e nos concursos em geral. Fique atento a essa importante matéria. 

 

Sobre a regência verbal em geral, atente-se também para o quesito transitividade e para o quesito sentido do verbo. Com base nisso (transitividade e sentido do verbo), podemos estabelecer os parâmetros da regência de vários verbos ditos problemáticos. Em nosso estudo, vamos priorizar o sentido do verbo. Fique atento também à regência verbal, porque dessa matéria já podemos estabelecer regras para o uso da crase. 

 

Verbo Aspirar 

 

Sorver, absorver, respirar: sem preposição.

 

Maria aspirava toda a poeira da sala com o novo aparelho. 

 

Naquela situação, era impossível não aspirar o perfume do manacá. 

 

Pretender, desejar: com a preposição “A”. 

 

Joana aspirava ao primeiro lugar no concurso. 

 

Ele aspirou a tão pouco na empresa.

 

*Obs. 1: quando o complemento verbal não apresentar preposição (objeto direto), podemos usar os pronomes o, a, os, as para substituir esses complementos (objeto direto). 

 

- Maria aspirava-a com o novo aparelho.

 

*Obs. 2: quando o complemento verbal apresentar preposição e for objeto direto, podemos usar os pronomes lhe, a ele, a ela, dele, dela. Para a substituição de um complemento quando este indicar “coisa”, não se usa lhe (lhe é usado para substituir seres). 

 

- Joana aspirava a cargo (aspirava a ele). 

 

Verbo Visar 

 

Apontar, mirar; pôr visto: sem preposição.

 

O gerente visou o documento, aprovando o contrato. 

 

Sem alternativas, o segurança visou o alvo e atirou. 

 

Pretender, desejar: com a preposição “A”.

 

Aquele estudante visava ao primeiro lugar no concurso. 

 

Ele visou a uma boa colocação no campeonato. 

 

Verbo Assistir

 

Ver, presenciar: com a preposição “A”. 

 

A família reuniu-se na sala para assistir à filmagem do batizado. 

 

Ajudar, prestar assistência, socorrer: com ou sem a preposição “A”. 

 

O governo municipal assistiu aos desabrigados pela chuva. 

 

O governo municipal assistiu os desabrigados pela chuva. 

 

Morar, residir: com a preposição “EM”. 

 

“Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,/ que viva de guardar alheio gado,/ [...]/ Tenho próprio casal e nele assisto” .

(Tomás Antônio Gonzaga

 

Ter direito, pertencer a, caber: com a preposição “A”. 

 

Não assiste ao homem matar seu semelhante. 

 

Não assiste ao inquilino direito algum sobre o imóvel. 

 

*Obs.: é amplamente usada na linguagem coloquial e por vários autores a construção assistir algo (sentido de “ver”) no lugar de assistir a algo. 

 

No próximo tópico, vamos revisar outros verbos e suas regências. 

 

Produção Textual 

Abaixo, apresentamos a produção textual do vestibular de 2014 da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Leia o texto e faça o que se pede. 

 

 

Não é de hoje que a autoajuda e o esoterismo criam polêmica. 

 

Enquanto uns torcem o nariz, outros encontram nos dois gêneros conforto para momentos difíceis. Depositar todas as expectativas e esperanças nesse tipo de literatura, contudo, pode ser perigoso. A opinião é de Daniel Bezerra e de Carlos Orsi, autores do recém-lançado Pura picaretagem (Ed. Leya). Mas, calma, não precisa rechaçar toda mensagem otimista que cruzar seu caminho: basta aprender a discernir o que é real do que é armadilha, indica a dupla. 

 

Manter uma visão positiva com relação à própria vida ajuda, sim, a encarar dificuldades. 

 

Mas pensar que “tudo vai dar certo” não garante que as coisas realmente aconteçam da melhor forma possível. Foi justamente com o intuito de “trazer as pessoas de volta à realidade” que o bacharel em Física Daniel se uniu ao jornalista e escritor Carlos Orsi. 

 

Fonte: Jornal Correio Braziliense - 30 jun. 2013. 

 

E para você, a autoajuda é mito ou realidade? 

 

Escreva um texto dissertativo de, no mínimo, 20 linhas e, no máximo, 25 linhas, apresentando sua opinião e seus argumentos sobre esse assunto tão polêmico. Não se esqueça de dar um título a seu texto. 

 

Em Resumo 

Neste tópico, você estudou a respeito dos parônimos e homônimos. Viu como são importantes recursos para o momento de escrita, levando-se em conta o contexto. Você começou também a revisar a respeito da regência verbal de alguns verbos que sempre estão presentes nos mais variados concursos e, além disso, começou a rever também o uso da crase. Por fim, você encontrou, neste tópico, uma proposta de produção textual em que pôde exercitar sua argumentação. 

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