Texto: O Cubismo

O Cubismo

Estudaremos, neste tópico, o cubismo, iniciado em 1907 com Pablo Picasso. 

 

O Movimento de Vanguarda 

Esta vanguarda iniciou-se em 1907 e tem como principais nomes na literatura Guillaume Apolinaire e, na pintura, Pablo Picasso e Piet Mondrian. A primeira obra cubista surgiu em 1907, sob o título de “Les demoiseles d’avignon”, de Pablo Picasso. 

 

Quadro Les demoiselles d’avignon, de Pablo Picasso 

 

A tela é elaborada mediante a presença de diversas mulheres, com cada uma delas em um ângulo diferente, possuindo a cabeça e o corpo ainda em angulações distintas. As formas geométricas e o objeto visto por vários ângulos simultâneos caracterizam o cubismo na pintura. As formas são geometrizadas, elaboradas mediante cores duras e chapadas. Assim, Picasso conseguiu romper séculos de tradição artística. 

 

Saiba Mais! 

O filme intitulado “Os amores de Picasso” (1996), sob a direção de James Ivory, conta um pouco do temperamento e da genialidade do artista, utilizando como pano de fundo a sua agitada vida amorosa. Vale a pena conferir! 

 

Vejamos, agora, quais são as características do cubismo na literatura. Os textos cubistas também são marcados pela supressão da lógica formal. Na literatura, teremos como ponto inicial a obra Caligramas, de Apolinaire. Nela, encontraremos poemas que sinalizam a existência de objetos por meio da distribuição das palavras na folha de papel. Assim, temos uma mistura de artes plásticas com a literatura. 

 

 

Considerando o exposto, podemos afirmar que o cubismo possui a seguinte característica: a integração dos diversos modos de arte. A obra de Apolinaire já mencionada pode ser considerada um bom exemplo para essa questão. Outro artifício bastante utilizado pelos pintores cubistas é a colagem de elementos, por exemplo, um recorte de jornal colado no quadro. Portanto, cada vez mais acontecerá um hibridismo de artes, razão pela qual não poderemos mais afirmar que uma obra corresponde a tão-somente a expressão de uma única manifestação artística. 

 

Outra característica importante diz respeito à realidade fracionada, que corresponde à superposição de planos em uma pintura. Assim, teremos, por exemplo, o rosto de uma pessoa, o nariz de perfil, um dos olhos de frente, o outro, de perfil invertido, e assim por diante. Corresponde a uma superposição de formas simultâneas. Esse fato ocorre devido ao desejo do artista em dizer que ele possui a compreensão ampla da realidade, bem como uma tentativa de evidenciar uma relativização dela, pois ele sabe que não existe apenas uma realidade, apenas uma verdade, mas, sim, várias realidades simultâneas. Assim, para demonstrar isso em forma de arte, ele pintará uma mesma figura em todos os ângulos simultaneamente, demonstrando um domínio e uma consciência dessa realidade. 

 

Pinturas de Pablo Picasso 

 

Outra questão relevante diz respeito ao ilogismo e à aversão ao intelectualismo. O artista cubista busca representar tudo aquilo que seja não racional. Assim, a utilização de técnicas como a simultaneidade e o instantaneismo oferece uma representação caótica da realidade. 

 

Nessa direção, ainda temos como marca dessa vanguarda a presença de uma linguagem nominal e caótica. A busca de uma estrutura nominal na literatura, além de demonstrar as diversas faces da realidade, mediante também as analogias, evidencia o quão caótica é a realidade, bem como a criação artística e sua espontaneidade. Portanto, não há uma busca da palavra ideal ou perfeita: simplesmente, acontece a liberdade para o processo criativo, pois se estabelece uma analogia entre as palavras de forma aleatória. 

 

Atenção! 

A colagem, junto ao conceito de montagem, corresponde a conceitos determinantes da arte contemporânea. Esses conceitos podem ser encontrados na obra Teoria de Vanguarda, de Peter Bürger, quando, no capítulo III de sua tese, pormenorizou as categorias da obra de vanguarda, sendo elas a obra, o novo, o acaso, a alegoria, a montagem e a colagem. Recortando a esteira de categorias do teórico nas duas últimas, a montagem é uma categoria fundamental para se pensar a obra de vanguarda, uma vez que esse processo é fundador dos procedimentos estéticos de fragmentação e colagem/sentido de uma obra. Nas palavras desse crítico alemão, “a montagem pressupõe a fragmentação da realidade e descreve a fase da constituição da obra” (BÜRGER, 2008, p. 131). A colagem, por sua vez, fundamenta a obra vanguardista, uma vez que o fragmento da realidade passa a fazer parte da tela. Fique atento a esses processos

 

Leitura! 

Com a ampliação da perspectiva na obra de arte, Picasso mudou a direção das artes plásticas. Observe o posicionamento de John Goldin (2000), em Conceitos de arte moderna: 

 

Durante 500 anos, desde o início da Renascença italiana, os artistas tinham sido guiados pelos princípios da perspectiva matemática e científica, de acordo com os quais o artista via o seu modelo ou objeto de um único ponto de vista estacionário. Agora, é como se Picasso tivesse andado 180 graus em redor do seu modelo e tivesse sintetizado suas sucessivas impressões numa única imagem. O rompimento com a perspectiva tradicional resultaria, nos anos seguintes, no que os críticos da época chamaram visão “simultânea” – a fusão de várias vistas de uma figura ou objeto numa única imagem (STANGOS, 2000, p. 47). 

 

Você Sabia?

No Brasil, o movimento concretista utiliza elementos da estética cubista, tal qual podemos perceber no poema a seguir, de Augusto de Campos: 

                                                 Poema concretista

 

Em Resumo 

O cubismo foi uma vanguarda artística do início do século XX, inaugurada nas artes plásticas com Pablo Picasso, e se estendeu à literatura com Apolinaire. O quadro “Le demoiselles d’Avingon”, de Picasso, corresponde a um marco dessa vanguarda, possuindo como principais características a integração das artes, a questão da realidade fracionada, da colagem, bem como a presença de uma linguagem nominal e caótica. 

 

Referências 

BÜRGER, Peter. A obra de arte de vanguarda. In: Teoria da vanguarda. Tradução de José Pedro Antunes. São Paulo: Cosac Naify, 2008. 

GOLDIN, Jonh. In: STANGOS, Nikos (Org.). Conceitos de arte moderna. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 2000.

HARRISON, C. Abstração. In: HARRISON, C. et al. (Org.). Primitivismo, cubismo, abstração: começo do século XX. São Paulo: Cosac & Naif, 1998. p. 185-264. 

HAUSER, Arnold. História social da arte e da literatura. São Paulo: Marins Fontes, 1998. 

JAMESON, Fredric. Pós-modernidade e sociedade de consumo. In: Revista Novos Estudos, CEBRAP, São Paulo, n. 12, 1985, p. 16-26. 

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