Texto: As Primeiras Sociedades Complexas: o Egito Antigo

As Primeiras Sociedades Complexas: o Egito Antigo

 

As Pirâmides de Gizé. 

 
Há mais de 4000 anos, floresceu no nordeste da África uma próspera civilização: o Egito. Considerado pelo historiador grego Heródoto uma dádiva do rio Nilo ”, o Antigo Egito foi favorecido por rio bíblico e pelos solos férteis de sua margem. No entanto, esses não foram os únicos fatores que ocasionaram o êxito dos egípcios de povoarem uma região desértica, somam-se a isso as habilidades humanas de transformar o próprio meio. 
 

A Evolução Política 

Os primeiros povos a ocupar o Egito foram os nomos há cerca de 5000 a.C. Devido às dificuldades da vida no deserto, esses povos foram paulatinamente estreitando seus laços através de ações cooperativas, como a construção de canais para aproveitar a água do Nilo e beneficiar toda a população local. Desse processo de inteiração surgiram dois reinos: o Baixo Egito, no norte, e o Alto Egito, no sul. Os dois reinos foram unificados em 3200 a.C. por Menés, o primeiro faraó do Egito. 

 

Durante o período em que o Egito foi governado pelos faraós, ocorreu um grande desenvolvimento cultural. Foi nesse período que as famosas pirâmides Quéops, Quéfren e Miquerinos foram erigidas. Outro aspecto importante foram as guerras de expansão que levaram à construção de um imenso império. 

 

Com um exército permanente, os egípcios conseguiram conquistar territórios no norte da África e regiões da Ásia, como a Babilônia e Jerusalém. No entanto, o período de prosperidade se encerraria por volta do ano 1167 a.C, e o Império Egípcio amargaria um longo período marcado por diversas insurgências populares. Apessar disso, o declínio da sociedade egípcia só ocorreu em 30 a.C, quando o Império Romano conquistou a região. 

 

Extensão territorial máxima do Antigo Egito (século XV a.C.). 

 

 

A Sociedade Egípcia 

A sociedade egípcia era bastante complexa, as camadas sociais eram determinadas por diversos fatores como a função ocupada pelo indivúduo, sua linhagem familiar ou casta. A natureza do poder político também era peculiar, o soberano egípcio era o faraó, espécie de monarca que concentrava, além dos poderes políticos - de forma absoluta -, o poder religioso, sendo ele considerado um verdadeiro deus. 

 

 

A camada de maior prestígio da sociedade egípcia era composta por três categorias: nobres, sacerdotes e escribas. A nobreza ocupava os altos cargos, tanto na política quanto no exército; a sucessão das funções era hereditária, ou seja, transmitida para outro membro da família. Os sacerdotes eram responsáveis pelo zelo dos templos religiosos e pelas celebrações. Por fim, os escribas exerciam funções públicas, como censos e a cobrança de impostos. 

 

Outras três categorias compunham a camada social menos favorecida do Egito: artesãos, felás e escravos. Os artesãos eram trabalhadores urbanos que geralmente desempenhavam suas funções nas construções do governo. Os felás, maioria da população, trabalhavam na construção de obras públicas. Os menos favorecidos do Egito Antigo eram os escravos, prisioneiros de guerra e condenados à prestação de serviço pesado, eles também não possuíam os direitos gozados pelo restante da população. 

 

O modo de produção do Egito Antigo é conhecido como servidão coletiva. Isso porque o Estado era o grande provedor da população, sendo o portador das terras e o incentivador de construções de obras públicas, como templos, pirâmides e diques. A agricultura também tinha papel preponderante nessa sociedade, sobretudo relacionada à produção de grãos. Havia também caravanas comerciais que traziam trigo, cerâmicas e tecidos da Palestina, de Creta e da Fenícia. 

 

A Cultura no Antigo Egito 

A produção cultural do Egito Antigo foi correspondente aos demais aspectos dessa grande civilização. A principal fonte de inspiração da arte e da arquitetura foi a religiosidade. Politeístas, ou seja, crentes em diversos deuses, foram erigidas diversas edificações destinadas a atividades religiosas, como os templos e túmulos (pirâmides). No interior dessas construções foram encontradas diversas pinturas e esculturas retratando faraós e os deuses. 

 

O Rio Nilo, atualmente. 

 

As cerimônias de mumificação - embalsamamento do corpo - também expressam essa influência religiosa. Os egípcios acreditavam que precisariam do corpo no outro mundo, por isso eles desenvolveram técnicas de conservação dos cadáveres, prática que proporcionou grande desenvolvimento de áreas do conhecimento como a anatomia e a medicina. 

 

 

Ainda sobre a ciência, os egípcios desenvolveram noções experimentais de química através da produção de remédios. A matemática foi aprimorada para ser utilizada nas transações comerciais e a geometria aplicada às obras arquitetônicas. Por fim, o estudo da astrologia, muito útil para a agricultura. 

 

Em Resumo 

Embora a Grécia e a Roma ocupem lugar de maior destaque na sociedade ocidental, a contribuição do Egito Antigo para a história da humanidade foi notável. Essa próspera civilização deixou obras que o tempo não conseguiu apagar, como sua cultura e construções, além de terem desenvolvido conhecimentos ainda utilizados em campos como a astronomia, a medicina, a matemática e a química. 

 

Referências 

AYMARD, A.; AUBOYER, J. História geral das civilizações. Tomo 1 - O Oriente e a Grécia. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1972. 

CASELLI, G. As primeiras civilizações. São Paulo: Melhoramentos, 2000. 

COTRIM, G. História para o ensino médio - Brasil e Geral - Volume único / 1ªed. São Paulo: Saraiva, 2002. 

 

 

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