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Filosofia Medieval – A Igreja e Os Desafios de Um Novo Tempo

 

Principais Questões

Duas são as principais escolas filosóficas da Idade Média: a Patrística e a Escolástica. Impressiona o fato de que um dos maiores períodos de tempo da filosofia tenha revelado poucos filósofos. Seja como for, apenas dois nomes aparecem como centrais para a história da filosofia Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino. Antes, porém, de enfrentarmos suas ideias, vamos, neste tópico, compreender o pano de fundo com base no qual a filosofia medieval é construída. 

 

 

A filosofia medieval desenvolveu-se na Europa, durante a Idade Média, entre os séculos V e XV. Portanto, são quase mil anos de história. A grande influência da Igreja Católica nas diversas áreas do conhecimento acabou por fazer com que os temas religiosos predominassem também no campo filosófico.

 

As principais questões giram em torno de temas como a relação entre razão e fé. Muitos pensadores desse período defendiam que a fé não deveria se submeter à razão. Porém, outros, como Santo Agostinho de Hipona, por exemplo, buscavam a razão para justificar as crenças. A ideia da interioridade, que permitiu um estudo mais profundo sobre o homem e suas potencialidades, foi desenvolvida por ele.  

 

Saiba Mais!

filosofia cristã, estabelecida pelos Santos Padres da Igreja nos primeiros cinco séculos da era cristã, ficou conhecida justamente pelo nome de Patrística. Ela se caracterizava pelo combate à descrença e a outras religiões por meio de uma defesa intelectual e racional da nova religião. Para tanto, usava argumentações e conceitos provenientes, sobretudo, do platonismo.

 

A Patrística

O primeiro período da filosofia medieval é chamado de Patrística. Ele se extende do primeiro século da era cristã ao século VII depois de Cristo. Nesses 700 anos, a filosofia teve como objetivo principal consolidar o papel da Igreja Católica e, ao mesmo tempo, fazer com que as ideias do cristianismo se propagassem. Utilizando as Epístolas de São Paulo e os Evangelhos como referência, a Patrística defendeu a Igreja e garantiu que diversos conceitos cristãos, como a ideia de pecado original e a da criação do mundo por Deus, se solidificassem como fundamentos para o homem.

 

A Escolástica

Por outro lado, nos últimos 300 anos, prevaleceu a filosofia da Escolástica. O grande representante desse tempo é, sem dúvida, Santo Tomás de Aquino. Houve, por causa dele, uma retomada de muitos princípios filosóficos gregos, sobretudo aqueles de base aristotélica – esquecidos nos primeiros 700 anos da era cristã. A grande preocupação da Igreja Católica era a busca de uma aliança entre as noções de razão e a ciência daquele tempo. Nesse contexto, a teologia, que buscava explicar racionalmente a existência de Deus, surge como forma de garantir as verdades da fé católica. Outro detalhe importante é que a Escolástica é o resultado de estudos mais profundos da dialética. Na realidade, nesse período, ocorre uma radicalização dessa prática, as disputas. No começo, esses ensinamentos eram disseminados nas igrejas e nos monastérios, posteriormente, eles se estenderam às universidades, o que acabou por garantir o nome Escolástica.

 

O método adotado pela Escolástica era o resultado  do ensino. Por um lado, tinha-se a lectio. Nela, o mestre era o senhor da palavra. Por outro, havia a disputatio,  marcada por um debate livre entre o mestre e seu discípulo. Também a literatura desenvolveu-se de forma impressionante nessa época. Uma das Sumas mais renomadas, exemplo da riqueza dessa litaratura, é a Suma Teológica de São Tomás. 

 

Perceba que, ainda que tenha permitido alguns avanços tecnológicos e científicos, ainda que pequenos, a filosofia desenvolvida na Idade Média diferencia-se das demais correntes de pensamento justamente por não aceitar verdades que poderiam contrariar dogmas religiosos e outras verdades cristãs. Pelo contrário, sua busca é justamente por tentar confirmar a validade desses dogmas e das verdades reveladas.

 

Ao contrário do que possa parecer, a Filosofia Cristã, embora pressuponha a verdade dos dogmas, não se vale dela para explicar a existência de Deus, mas de argumentos racionais. Vê-se, dessa forma, que os filósofos cristãos usam a fé como um instrumento que permite uma melhor compreensão da realidade. Por outro lado, usam a razão para justificar a fé.  A relação que vemos aqui é, então, a de tentar harmonizar fé e razão.

 

 

A Querela dos Universais

Além da filosofia marcadamente cristã, a Idade Média assisitiu a uma outra discussão filosófica que perpassou vários séculos de história: o Problema dos Universais ou Querela dos Universais. Veremos que, apesar de não poder ser datado nem na Patrística, tampouco na Escolástica, esse problema tomou conta de várias discussões. Esta é uma das poucas discussões apresentadas nesses 1000 anos de história filosófica que não seguem exclusivamente a distinção entre fé e razão. Trata-se, na verdade, de descobrir a relação entre um universal e um particular - questão à qual voltaremos no último tópico deste módulo. 

 

Em Resumo

Vimos que os mil anos de história da filosofia que compreendem a Idade Média apresentaram a nós apenas dois grandes expoentes: Santo Agostinho e Santo Tomás. Esses mil anos podem ser divididos, didaticamente, em duas grandes partes, a Patrística e a Escolástica. A primeira é uma referência explícita à autoridade dos primeiros grandes Padres da Igreja. Já a segunda faz referências às primeiras universidades. No fundo da discussão, encontra-se a relação entre fé e razão. Procurava-se, em última análise, conciliar essas duas dimensões do ser humano em face de uma Igreja que dominou toda a Idade Média, a Igreja Católica. 

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