Texto: Movimentos Sociais e Políticos no Século XIX

Movimentos Sociais e Políticos no Século XIX

As modificações ocorridas no final do século XVIII e início do XIX, como a Revolução Francesa, a Revolução Industrial, a ascensão da burguesia e o surgimento dos movimentos operários, possibilitaram transformações na forma de pensar a sociedade, a política e a economia. Essas novas ideias foram as bases para as mudanças que aconteceram no mundo contemporâneo  como a independência das colônias (que antes serviam às grandes potencias europeias) e a unificação da Alemanha e da Itália.

 

O Liberalismo Econômico

O surgimento das fábricas e as novas relações estabelecidas entre trabalhadores e donos dos meios de produção possibilitaram que alguns estudiosos propusessem novas ideias e teorias que explicassem o que estava acontecendo. Dessas explicações e diretrizes nasceu o Liberalismo Econômico

 

O principal fator dessa filosofia politica é a teoria liberal, que apresenta o homem como um ser independente dos vínculos sociais, sendo a sua motivação a chave para a realização de seus objetivos. Dessa forma, tal teoria vê o indivíduo como mais importante que a sociedade/coletividade. Destarte, os indivíduos deveriam ser livres para ir atrás de seus interesses, sem nenhum impedimento, e buscando satisfazer seus anseios pessoais eles beneficiariam, também, a sociedade, já que suas atividades gerariam empregos e renda e moveriam a nação.

 

O teórico considerado mais importante do Liberalismo Econômico foi Adam Smith. Em seu livro A Riqueza das Nações, Smith apresenta as diretrizes que devem ser seguidas para alcançar uma sociedade estruturada nas bases do Liberalismo. As principais são:

 

  • Supressão de toda restrição que impossibilite o livre desenvolvimento do mercado;
 
  • Liberdade para obter lucros;
 
  • Economia regida por leis naturais; logo, o Estado não deve intervir nela;
 
  • Estado com atuação apenas na defesa do país contra guerras ou invasões, administração da justiça e construção de obras públicas. 

 

Todos esses fatores contribuíram para que a economia caminhasse da melhor forma, seguindo as leis naturais e de acordo com as leis da oferta e da procura, possibilitando oportunidades de crescimento tanto para o empregado quanto para o empregador.

 Adam Smith

 

 

Leitura

 

Adam Smith (1723-1790) nasceu em Kirkcaldy, Escócia, e foi batizado no dia 5 de junho de 1723. Filho do advogado Adam Smith e de Margaret Douglas, ficou órfão aos dois anos de idade. Fez o curso secundário no Burgh School of Kirkcaldy. Estudou Filosofia em Glasgow, na Universidade de Edimburgo, e em 1740 ingressou no Balliol College, da Universidade de Oxford.

 

Radicado em Edimburgo, em 1748, deu cursos sobre ética e economia até ser nomeado professor de Lógica na Universidade de Glasgow, em 1751. Assumiu a cátedra de filosofia Moral, em 1752. Publicou seu principal tratado, The theory of moral sentiments (1759). Como tutor do duque de Buccleuch, viajou pela França e Suíça entre 1763 e 1766, onde teve contato com os fisiocratas, como Voltaire e François Quesnay, fundador da fisiocracia.

 

De volta à Escócia abandonou a atividade acadêmica e alternou sua residência entre Kirkcaldy e Londres, e publicou sua obra principal, An inquiry into the nature and causes of the wealth of nations (1776), que teve importância para o nascimento da economia política liberal e para o progresso de toda a teoria econômica. Pregava a não intervenção do Estado na economia e um Estado limitado às funções de guardião da segurança pública, mantenedor da ordem e garantia da propriedade privada.

 

Adam Smith defendia a liberdade contratual, em que patrões e empregados seriam livres para negociar os contratos de trabalho. Foi nomeado inspetor de alfândega em Edimburgo (1777), onde passou o resto da vida, e encerrou sua carreira profissional como reitor da Universidade de Glasgow. Postumamente, ainda foi publicado o livro Essays on philosophical subjects (1795).

 

FONTE: <http://www.e-biografias.net/adam_smith/>. 

 

 

O Socialismo

O socialismo, desenvolvido na primeira metade do século XIX, ficou conhecido, em uma de suas vertentes (a mais ortodoxa) como socialismo utópico, pois os seus idealizadores apresentaram os princípios, mas não ensinaram como empregá-los. Entre os nomes que fizeram parte dessa primeira fase estão: Robert Owen, Charles Fourier, Saint-Simon e Louis Blanc, considerados os principais pensadores da teoria. As bases compositivas do chamado socialismo utópico surgiram como uma reação ao liberalismo econômico, pois os socialistas criticavam as injustiças sociais geradas pelo liberalismo e propunham a implantação de uma sociedade igualitária – a transformação da sociedade dependia da ajuda de todos. 

 

 

Mais tarde, com Karl Marx e Friedrich Engels, surgiu o socialismo científico, como ficou conhecido. Em 1848, foi publicado o Manifesto Comunista, escrito por Marx e Engels, no qual eram apresentadas propostas para a modificação da sociedade. Intentavam que os proletários conquistassem o poder político e econômico para a construção de uma nova sociedade igualitária.  A fase final do socialismo seria o comunismo, quando haveria a extinção das classes e a inexistência da propriedade privada. 

 

Saiba Mais

Sobre o socialismo, vale a pena assistir o longa-metragem Film Socialisme, dirigido por Jean-Luc Godard (2010). 

 

O Anarquismo

O anarquismo surgiu como uma alternativa para mobilizar o movimento operário, em resposta às experiências que não tiveram o resultado esperado. Sua principal crítica vai de encontro às políticas do liberalismo e à existência do Estado; para os anarquistas, as liberdades defendidas pelo liberalismo não atingiam a todos, ficando restritas a uma minoria. O Estado era opressivo e autoritário, sendo responsável por impedir a autonomia dos indivíduos. 

 

Sendo assim, o Estado deveria ser substituído por associações livres de indivíduos e não deveria haver leis nem hierarquias – os indivíduos teriam a liberdade para se desenvolver e atingir objetivos comuns. O desejo era uma ordem social livre e sem autoridades.  As decisões seriam tomadas pelos cidadãos; logo, a representação política seria desnecessária. O nacionalismo também era rejeitado, sendo que todos pertenceriam ao mesmo lugar – independentemente de nacionalidades ou origem. 

 

 

Leitura

 

O que é o anarquismo?

 

“Ninguém se deslustra com ser anarquista; são-no algumas das maiores individualidades da atualidade; H. Spencer, Kropotkine, Eliseu Reclus, Tolstoi, Ibsen. isto é, o maior sociólogo, o maior apóstolo da liberdade, o maior geógrafo, o maior cristão, o maior dramaturgo. De maneira que: ou o anarquismo é uma utopia formidável ou uma fatalidade social” (Dr. Silva Mendes – tese de doutoramento na Universidade de Coimbra).

 

O anarquismo é, antes de tudo, uma ideia, uma doutrina, uma filosofia de vida sem fronteiras, universal, que teve e tem entre os seus adeptos-defensores algumas das mais ilustradas e brilhantes figuras no campo da ciência, das artes, da literatura, da filosofia, da sociologia e firma-se principalmente nos princípios naturais e básicos da razão, da liberdade total e consciente, na igualdade de direitos e de deveres, na paz e no amor fraterno, na solidariedade humana universal.

 

É humanista toda a sua filosofia de vida, sua doutrina, porque coloca o homem como o centro do universo, como a célula mais importante de tudo que existe para desenvolver e preservar!

 

O desenvolvimento e o bem-estar, no seu mais amplo sentido, são o maior cavalo de batalha dos anarquistas que não aceitam fronteiras para o saber; não distinguem raças, cores, idades e partem da firme convicção de que se pode e deve conseguir o máximo de bem-estar, de conhecimentos para todos de forma a permitir ao indivíduo ser ele mesmo, cidadão livre, em terra livre.

 

Para ele, é fundamental o saber e a busca da cultura, em todos os campos, a fim de confrontar ideias, corrigi-las, numa evolução constante, no caminho da conquista dos meios de coexistência racionais, igualitários, em comunhão de bens sociais, em que não mais se levante a mão do forte para castigar o fraco; em que o jovem não ria do velho, do inválido; o branco, do negro; o mais lúcido e hábil, do menos capaz.

 

Partem sempre do simples para o composto, da unidade para o grupo, da base para cima, no sentido de alcançar a felicidade total e coletiva para a humanidade.

 

Suas normas básicas são de mais liberdade, menos opressão; mais autodeterminação, menos mandatários; mais autogestão, menos chefes; mais cultura racionalista, menos ensino convencional; mais autoridade racional, menos autoridade irracional; mais realidade terra à terra, menos fantasia (nos setores religiosos, políticos, nos convencionalismos personalistas burgueses, nacionalistas, sanitário e literário); mais solidariedade humana, menos filantropia-esmola!

 

O anarquismo é uma ideia e uma filosofia bem antiga. Lao Tsé, Confúcio, Mo Ti e tantos outros filósofos antecederam a Cristo 500 anos e já então pregavam a igualdade entre os homens, a conscientização como força motora da conduta, a devoção ao trabalho, como condição de bem-estar social e, mais do que isso, advogavam a renúncia a violência, à exploração do homem pelo seu semelhante.

 

Nesse sentido se manifestaram Moro, Campanella e tantos outros pensadores cujas ideias romperam até ao nosso século. Lao Tsé negou mesmo a validade do Estado, expressões que São Clemente, São Jerônimo e Santo Ambrósio haveriam de perfilhar muitos anos depois, não só no que se refere ao Estado, mas também no que toca à propriedade privada e ao acúmulo de fortunas de uns poucos às custas do trabalho de muitos.

 

No Brasil, o anarquismo também marcou época a teve seus apóstolos, seus pregadores. Desenvolveu sua trajetória por meio de movimentos humanitaristas de solidariedade humana e apoio, chegando a participar nas lutas de classe e vendo tombar seus mártires. Marginalizados seus princípios e doutrinas, não é demais estudá-los no instante em que todas as correntes políticas e ideológicas se perdem num galopante desejo de desforra, quando a violência toma lugar do bom senso, da solidariedade.

 

O Nacionalismo

No período do Antigo Regime, em que o sistema social e a política eram regidos pela aristocracia (antes da Revolução Francesa), não existia o sentimento de pertencimento a uma nação; os indivíduos somente obedeciam à mesma religião e à mesma dinastia que reinava em determinada região. O nacionalismo surgiu na passagem do século XVIII para o XIX, sendo estimulado/promovido pelos franceses na Revolução Francesa – posteriormente, se difundiu por toda a Europa. 

 

O sentimento de pertencer a uma nação estava ligado, sobretudo, à defesa da terra. Com vistas a ampliar os horizontes compositivos de intelectuais, escritores e artistas, tentava-se valorizar o patrimônio cultural de seu povo. Historiadores buscaram as tradições e lendas que caracterizavam as origens destes e, em ações afirmativas, símbolos surgiram para representar a nação que estava sendo constituída. Esses impulsos corroboraram os movimentos nacionalistas que lutaram pela unificação de territórios que falavam a mesma língua e tinham a mesma cultura, assim como pela independência de territórios dominados por estrangeiros. 

 

Em Resumo

Liberalismo econômico, socialismo, anarquismo e nacionalismo ditaram os ideais do século XIX.  Juntos (apesar de diferentes), eles proporcionaram mudanças significativas na constituição da sociedade, da economia e da política.

 

 

 

 

    

 

 

Já é cadastrado? Faça o Login!