Texto: Métodos Contraceptivos e Doenças Sexualmente Transmissíveis

Métodos Contraceptivos e Doenças Sexualmente Transmissíveis

Agora que você já aprendeu como ocorre a gestação e o desenvolvimento do feto no interior do útero materno, você conhecerá quais os métodos usados para evitar a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis. Essas medidas são importantes para que a pessoa possa planejar o momento mais adequado para ter filhos e para que sua vida sexual seja saudável.
 


Controle de Natalidade

Ter um filho não está associado apenas à preparação do corpo, é necessário que ocorra um planejamento prévio. Os responsáveis pela criança devem ser capazes de prover todas as condições necessárias para seu desenvolvimento saudável, tanto em aspectos físicos como emocionais. Por isso, é importante que essa fase da vida seja planejada com cuidado! 

Para evitar a gravidez em momentos inesperados, existem vários métodos anticoncepcionais (que serão apresentados a seguir), de modo que alguns deles também evitam as doenças sexualmente transmissíveis.


Dispositivo Intrauterino (DIU)

O DIU é um dispositivo que é colocado no interior do útero, por um médico, composto por plástico ou metais. Esse dispositivo influencia a locomoção dos espermatozoides no interior do sistema genital feminino, dificultando a fecundação e, caso ela ocorra, ele impede a nidação do embrião no útero. Embora seja um método que evita a gravidez, ele não tem nenhum efeito sobre as doenças sexualmente transmissíveis, além de poder causar alguns distúrbios no corpo da mulher, como infecções, hemorragias e dores.
 
Esquema representando um dispositivo intrauterino colocado no interior do útero


Métodos Hormonais

Esses métodos fazem o uso de substâncias sintéticas semelhantes aos hormônios progesterona e estrogênio. Esses hormônios são liberados gradativamente no organismo da mulher, evitando que ocorra a ovulação. 
 
Fotografia de uma cartela de pílulas anticoncepcionais
 

O método hormonal mais comum é a pílula anticoncepcional, que é comercializada em cartelas. Geralmente, elas devem ser ingeridas diariamente e no mesmo horário para que sua eficácia seja garantida. 

Há outros métodos hormonais, como injeções contendo hormônios, que devem ser tomadas a cada mês ou trimestre, e adesivos colocados sobre a pele, que são substituídos semanalmente.

Independentemente da forma como os hormônios entram no corpo da mulher, esses métodos não possuem efeito sobre as doenças sexualmente transmissíveis.


Laqueadura e Vasectomia

Os métodos cirúrgicos, geralmente, são irreversíveis e adotados por pessoas que já têm filhos. A cirurgia realizada nas mulheres é chamada de laqueadura e tem como objetivo impedir que os ovócitos liberados nos ovários cheguem até o útero, por meio do corte das tubas uterinas. Já a cirurgia realizada nos homens é chamada de vasectomia e tem como objetivo impedir que os espermatozoides cheguem até a uretra. Para isso, é realizado um corte nos ductos deferentes. Todos os dois métodos não previnem as doenças sexualmente transmissíveis.
 
 

Saiba Mais!

A “pílula do dia seguinte” é um método hormonal que possui grande quantidade de hormônios, quando comparada às dos demais tipos. Em razão disso, seu uso deve ser realizado apenas em situações de emergência, como em caso de estupro ou rompimento da camisinha. Ela deve ser tomada até, no máximo, 72 horas após o ato sexual para aumentar sua eficiência. Seu uso inadequado pode provocar alterações no ciclo menstrual, náuseas, enxaquecas e outros sintomas.


Camisinhas Masculina e Feminina

As camisinhas são os únicos métodos anticoncepcionais que evitam, também, as doenças sexualmente transmissíveis. Elas são feitas, geralmente, de borracha e impedem o contato do esperma com a vagina e outros órgãos do sistema genital feminino. Existe tanto a camisinha masculina, que é mais conhecida, quanto a camisinha feminina.
 
Fotografia de uma camisinha masculina
 

Para utilizar a camisinha masculina de forma correta deve-se:

1º Verificar se a camisinha escolhida está dentro do prazo de validade e se ela possui o selo do Inmetro (órgão responsável pela verificação da qualidade de vários produtos);
 
2º Verificar se a embalagem da camisinha está devidamente lacrada;

3º Abrir a embalagem com cuidado para evitar danos à camisinha;

4º Verificar qual o lado correto;

5º Colocar a camisinha quando o pênis estiver ereto, segurando e apertando a ponta dela. Esse procedimento remove o ar de dentro da camisinha, permitindo que o esperma seja depositado em seu interior.

6º Descartar a camisinha usada após a ejaculação.
 

Para utilizar a camisinha feminina de forma adequada, deve-se:

1º Verificar se a camisinha escolhida está dentro do prazo de validade e se ela possui o selo do Inmetro (órgão responsável pela verificação da qualidade de vários produtos);

2º Verificar se a embalagem da camisinha está devidamente lacrada;

3º Abrir a embalagem com cuidado para evitar danos à camisinha;

4º Apertar o anel menor utilizando os dedos polegar e indicador;

5º Introduzir na vagina o lado do anel menor de forma a cobrir o colo do útero, deixando o lado do anel maior para fora do corpo. A camisinha deve ser colocada apenas no momento em que será utilizada.

6º Descartar a camisinha usada após o ato sexual.
 
Fotografia de uma camisinha feminina
 

Saiba Mais!

Antes de iniciar a vida sexual, é importante que a pessoa procure orientações médicas para a escolha do tipo de anticoncepcional mais adequado. Além disso, alguns métodos, como a camisinha e a pílula anticoncepcional, podem ser combinados para aumentar a eficiência de sua proteção.
 
Fotografia de camisinhas e pílulas anticoncepcionais


Doenças Sexualmente Transmissíveis

Como você aprendeu no item anterior, a camisinha é um método que evita a gravidez e protege as pessoas de doenças sexualmente transmissíveis.
 
Essas doenças são conhecidas, também, pela sigla DST e, como o nome indica, são transmitidas de pessoa para pessoa durante o contato sexual. Elas são causadas por vários tipos de agentes infecciosos: vírus, bactérias, protozoários e fungos. A maioria das DST possui tratamento específico, mas algumas, como a AIDS, ainda não possuem cura.

A partir de agora, nós apresentaremos algumas das principais DST.


AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida)

Agente Causador 
A doença é causada pelo vírus da imunodeficiência humana, que possui a sigla em inglês HIV. 
 
Esquema representando o vírus HIV atacando uma célula de defesa do organismo

Sintomas
O vírus ataca as células de defesa do organismo (linfócitos), diminuindo a eficiência da defesa de nosso organismo contra invasores.

Transmissão
O vírus é transmitido por meio de contato direto com sêmen, secreção vaginal, leite materno e sangue. O contato com esses fluidos pode ocorrer durante a relação sexual sem proteção, amamentação, transfusões de sangue, compartilhamento de seringa e objetos cortantes e durante a gestação, por meio da placenta. É importante ressaltar que não é possível ser contaminado por meio do toque (como em um abraço), saliva (por tosse e beijo), compartilhamento de objetos como sabonetes, talheres e de locais, como piscinas. 

Tratamento
A AIDS é uma doença que ainda não possui cura e o tratamento é realizado para diminuir a infecção dos linfócitos. Isso permite que a pessoa contaminada tenha uma qualidade de vida melhor, pois seu sistema de defesa fica um pouco mais eficiente. Para descobrir se a pessoa é portadora do vírus, é necessário fazer um exame de sangue específico, pois nem todas as pessoas que possuem o vírus manifestam a doença.


Herpes Genital

Agente Causador
A doença é causa pelo vírus Herpes simplex, que pode afetar o pudendo feminino e o pênis. 

Sintomas
A ação do vírus provoca, inicialmente, coceira e ardência na região atingida. Depois, há a formação de algumas bolhas agrupadas e preenchidas por um líquido claro. Após um tempo, essas bolhas rompem-se e há a formação de uma ferida dolorida que desaparece por volta de algumas semanas.
 
Esquema de um vírus responsável pela herpes genital
 

Transmissão
A transmissão ocorre por meio do contato direto com o líquido proveniente das bolhas. Esse vírus pode permanecer no corpo sem provocar a manifestação dos sintomas por um tempo e em razão de algumas situações como exposição ao sol, estresse e outras, os sintomas podem aparecer novamente.  

Tratamento
Assim como a AIDS, não existe cura para a herpes genital, mas há medicamentos que diminuem o período de manifestação dos sintomas. 


Papilomavírus

Agente Causador
O papilomavírus possui a sigla em inglês HPV.

Sintomas
O vírus provoca lesões semelhantes a verrugas na vagina, útero, pênis e ânus.
 
Esquema do vírus HPV
 

Transmissão
O vírus é transmitido pelo contato sexual.

Tratamento
O tratamento das lesões é realizado por meio de sua cauterização, utilizando ácidos ou congelamento, ou cirurgicamente. O diagnóstico é feito por meio de exames específicos que coletam material da região afetada e o tratamento deve ser realizado o mais breve possível para evitar o desenvolvimento de câncer. Hoje já existe vacina contra o HPV. 


Sífilis

Agente Causador
A doença é causada pela bactéria Trepanema pallidum e pode afetar o pudendo feminino, a vagina, o útero, o pênis e a boca.

Sintomas
Durante o primeiro estágio, há o surgimento de uma ferida dura na região afetada, que desaparece com o tempo sem deixar cicatriz. Essa ferida é chamada de cancro. No segundo estágio, há o surgimento de machas vermelhas na pele, que também podem desaparecer com o tempo. No terceiro estágio, há o início de infecções em outros órgãos do corpo, como o coração e o cérebro. Nessa etapa, caso a pessoa não seja tratada adequadamente, pode ocorrer o comprometimento das funções dos órgãos afetados, ocasionando a morte do indivíduo. 
 
Fotografia de uma pessoa com sífilis no segundo estágio
 

Transmissão
A transmissão pode ocorrer da mãe para o filho durante a gestação, por meio do contato sexual e transfusão de sangue.

Tratamento
O tratamento é realizado utilizando medicamentos (antibióticos) sob orientação médica. O diagnóstico é realizado por meio de exames específicos que detectam a presença da bactéria.


Gonorreia

Agente Causador
A doença é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae e pode afetar o pênis, os testículos, a próstata, a vagina, as tubas uterinas e os olhos. 
 
Esquema da bactéria causadora da gonorreia
 

Sintomas
Os sintomas da gonorreia são: ardência ao urinar, secreção purulenta no pênis e corrimento vaginal. Em algumas mulheres, esses sintomas podem ser muito discretos ou ausentes.

Transmissão
A transmissão dessa bactéria ocorre por meio do contato sexual e durante o parto.
 
Tratamento
Assim como a sífilis, a gonorreia também é tratada com antibióticos específicos sob orientação médica. Para evitar a transmissão entre a mãe e o filho durante o parto, os recém nascidos são tratados utilizando colírios. O diagnóstico é realizado por meio de exames específicos que verificam a presença da bactéria.


Candidíase

Agente Causador
A doença é causada por um fungo chamado de Candida albicans e afeta o pênis e a vagina.
 
Esquema do fungo Candida albicans
 

Sintomas
A presença desse fungo causa inflamação do pênis, irritação vaginal acompanhada por coceira e corrimento esbranquiçado.

Transmissão
A transmissão desse fungo é realizada por meio do contato sexual, assim como pelo contato com secreções de pessoas contaminadas (por exemplo, compartilhamento de roupas íntimas). O fungo também pode ser passado da mãe para o filho durante o parto.

Tratamento
O tratamento da candidíase é feito por meio de medicamentos específicos orais e pomadas sob orientação médica.


Em Resumo

A gestação é um momento que deve ser planejado pelos pais, pois eles devem proporcionar todas as condições necessárias para o desenvolvimento saudável de todos seus filhos. Assim, é importante escolher o momento ideal para ter os filhos, por isso, foram desenvolvidos vários métodos que impedem a gravidez quando ela não é desejada.

Alguns métodos, como o dispositivo intrauterino e os métodos hormonais, são reversíveis e evitam a gravidez apenas enquanto estão sendo utilizados de forma correta. Já outros, como a laqueadura e a vasectomia, são métodos irreversíveis. Porém, todos são exemplos de métodos que não são eficazes na proteção contra doenças sexualmente transmissíveis.

Já as camisinhas masculina e feminina são usadas para evitar a gravidez e protegem as pessoas de doenças sexualmente transmissíveis como: a AIDS, a herpes genital, as lesões causadas pelo papilomavírus, sífilis, gonorreia e candidíase. Essas doenças, embora possuam diferentes agentes causadores e diferentes sintomas, são transmitidas, principalmente, pelo contato sexual. 

Algumas das doenças mencionadas possuem cura, mas, para outras, ainda é necessária a descoberta de meios para eliminá-las. Por isso, para ter uma vida sexual saudável, é importante conhecer seu próprio corpo e respeitá-lo, tendo todos os cuidados necessários para evitar a gravidez inesperada e doenças que podem comprometer a qualidade de vida. 
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