Texto: Santo Tomás de Aquino

Santo Tomás de Aquino

Vindo de uma família nobre, Tomás nasceu em Nápoles, em 1225 depois de Cristo. Era conhecido na Igreja como “Doutor Angélico” e foi canonizado no ano de 1323. Com sua Suma Teológica, tornou-se um dos maiores expoentes da Filosofia Medieval. Nelas, ele procura provar a existência de Deus. Marcado por forte influência de Aristóteles, Tomás usará argumentos racionais para provar os elementos fundamentais da fé Católica. Vamos, pois, ao seu pensamento. 

 

As Provas da Existência de Deus

Tomás de Aquino acredita que, para chegar na inteligência, as coisas deveriam, antes, passar pelos sentidos. Em função disso, a ideia que temos de Deus, por exemplo, não pode ser absolutamente clara, já que ele não se dá a conhecer totalmente por nossos sentidos. Desse modo, para provar a existência de Deus, o filósofo se vale de uma estratégia bastante engenhosa: provar os efeitos produzidos por Deus para que a soma deles resulte na irrefutável ideia de que Deus, de fato, existe. Para tanto, ele formula as cinco provas da existência de Deus, ou cinco vias.

 

 

Na primeira delas, Tomás demonstra uma das evidências que nossos sentidos não tardam em perceber, a de que o movimento existe. Ora, acontece que todo movimento é causado por algum motor, alguma coisa que inicie ou mantenha o movimento. Se esse motor, por sua vez, é movido, precisará de um outro motor que o mova, e assim por diante. Se seguirmos esse raciocínio, perceberemos que, cada vez, precisaremos de outro motor que permita o movimento do anterior e iríamos caminhar indefinidamente nesse caminho, o que é impossível. Se não houvesse um primeiro motor imóvel, que move sem ser movido, esse raciocínio iria até o infinito. A ideia de um primeiro motor imóvel é a primeira ideia que garante a existência de Deus.

 

Além dela, Tomás lança mão da ideia de causa eficiente, de origem claramente aristotélica. Na verdade, o que ele faz é procurar a causa das causas. Como vimos, a causa eficiente em Aristóteles é aquela que garante que uma determinada matéria ganhe uma forma. Se seguíssemos a sequência de causas e efeitos, do mesmo modo que fizemos com a ideia de motor, novamente não seria possível remontar indefinidamente a série das causas. Logo, deve haver uma causa primeira, não causada, que é Deus. 

 

A terceira prova leva em consideração o seguinte: se todos os seres que conhecemos são finitos e contingentes, uma vez que não têm em si próprios a razão de sua existência, precisariam de uma causa necessária. Como eles são e deixam de ser e se são todos contingentes, em determinado tempo deixariam todos de ser e, por isso, nada existiriam, o que é absurdo. Logo, conclui-se a que os seres contingentes implicam o ser necessário, ou Deus.

 

A quarta prova, também conhecida como prova dos graus de perfeição, parte do pressuposto de que todos os seres finitos estão organizados segundo certos graus de perfeição. Existem, pois, seres mais perfeitos e menos perfeitos, mais bonitos e menos bonitos, mais inteligentes e menos inteliegentes e assim por diante. Mas como compararíamos as perfeições sem um ser absolutamente perfeito que servisse de parâmetro? Esse ser, segundo Tomás, é Deus. 

 

 

A última prova trata da inteligência que dirige todas as coisas. A filosofia de Aristóteles defendia que todas as coisas que existem no mundo tenderiam para um fim, inclusive no campo da ética (causa final). Portanto, elas aconteceriam com um propósito e não em virtude de um acaso. Esse propósito é chamado por Tomás de inteligência. Tudo, no mundo, tem um sentido. Das pequenas células aos enormes planetas, nada acontece por acaso. Existe uma ordem tão perfeita e tão impressionante que dá finalidade até aos mais estranhos acontecimentos do cosmo. Logo, há um ser suficientemente inteligente que dirige todos esses processos. Um ser que ordena a natureza e a encaminha para seu fim: esse ser inteligente é Deus.

 

Com essas cinco provas, Tomás julga ter encontrado razões suficientes para convencer a si mesmo e aos outros sobre a existência de Deus. Perceba que são provas a posteriori, provas que dependem da experiência. Já que Deus não pode ser conhecido a priori, esta é a estratégia usada por Tomás para demonstrar sua existência. 

 

O Homem e o Conhecimento

Para Tomás de Aquino, o homem seria composto de corpo e alma. A alma do homem seria inteligente e, ao mesmo tempo, incorpórea, ou seja, não possuiria matéria e, por isso, se encontraria, na hierarquia do universo, entre os anjos e os animais. A alma, enquanto princípio vital, é o ato do corpo organizado que tem em si a vida em potência. 

 

Desse modo, o conhecimento, para Tomás de Aquino, não seria lembrar-se, como pretendia Platão e Agostinho, mas extrair, por meio do intelecto agente, a forma universal que se acha contida nos objetos sensíveis e particulares. Percebe-se, aqui, a presença forte do pensamento aristotélico e de sua maneira de pensar o conhecimento. 

 

É por isso que Tomás afirma que o homem só poderia desejar o que conhece. Esta é a razão pela qual haveriam na hierarquia proposta por Tomás duas espécies de apetites ou desejos: os apetites sensíveis e os apetites intelectuais. Os apetites sensíveis, ou desejos sensíveis, produzem as paixões, cuja raiz é o amor. Já os desejos intelectuais, ou apetites intelectuais, produzem a vontade. O bem supremo, finalidade do homem, seria, pois, a felicidade. Esta seria fruto da contemplação do absoluto, da essência de Deus. 

 

Saiba Mais!

principal obra de Tomás de Aquino é sua Suma Teológica. Ali são expostas as “cinco vias”. Vale a pena ler como Tomás organiza esses raciocínios. Outra dica importante é a famosa obra de Umberto Eco, O Nome da Rosa. Ela fornece um interessante contexto dessa época, ampliando, assim, nossa visão sobre ela.

 

Razão e Fé

Oposto à Patrística, Tomás acredita que o pensamento deve ser construído em bases racionais e empíricas, separando filosofia de teologia, apesar de subordinar a primeira à segunda. Assim, o papel da razão é demonstrar e ordenar os mistérios revelados pela fé.

 

Desse modo, ele harmoniza razão e fé, que, apesar de serem distintas, mesmo no que diz respeito às verdades que podem alcançar, se complementam. Com efeito, existem, a respeito de Deus, verdades que ultrapassam totalmente as capacidades da razão humana. Uma delas é, por exemplo, que Deus é trino e uno. Ao contrário, existem verdades que podem ser atingidas pela razão: por exemplo, que Deus existe. Estas últimas verdades, os próprios filósofos as provaram por via demonstrativa, guiados pelo que Tomás chama de razão natural.

 

Em Resumo

Vimos que Tomás de Aquino toma para si a responsabilidade de provar a existência de Deus. Essa tentativa o torna célebre. São cinco as vias que provariam, segundo Tomás, a existência de Deus: O Movimento, A Causalidade, A relação entre Contingente e Necessário, Os Graus de Perfeição e, por fim, a Ideia de Finalidade. Diferente dos pensadores da Patrística, Tomás acreditava que a razão e a fé tinham uma relação harmônica e que a primeira deveria se submeter à segunda. 

Vamos Praticar?
Já é cadastrado? Faça o Login!