Texto: Movimentos Guerrilheiros na América Latina

Movimentos Guerrilheiros na América Latina

Atualmente, na América Latina, persistem alguns movimentos revolucionários que, na tentativa de tomar o poder em seus países de origem e alterar as formas de governo vigentes, atuam utilizando a tática de guerrilha. Esses movimentos são resquícios do período da Guerra Fria, época em que, por toda a região latino-americana, diversos movimentos optaram pela luta armada para derrubar as ditaduras locais e instaurar governos de esquerda, alinhados com a política comunista da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).

 

Pinturas representando os heróis nacionais cubanos, em Havana, Cuba

 

Movimentos guerrilheiros caracterizam-se por atuarem com ações rápidas de forma dispersa pelo território , por causarem o maior dano possível e, em seguida, fazerem retiradas para áreas que garantam segurança, escondendo-se das forças do governo. Dessa forma, esses movimentos causam pânico na população e desestabilizam os governantes, visto que a sociedade tende a entender que o governo não consegue controlar suas ações. 

   

Os movimentos guerrilheiros que ainda resistem na América Latina localizam-se em países que apresentam acentuadas diferenças sociais, discriminação com povos de origem indígenas e políticas públicas de ordem neoliberal.

 

O maior e mais atuante grupo guerrilheiro na atualidade são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou simplesmente FARC. Esse grupo, com origem nos anos 1960, inspirou-se na revolução cubana ocorrida poucos anos antes e tinha como objetivo reverter a situação calamitosa em que vivia grande parte da população colombiana - sob grande pobreza e altamente reprimida pelas elites locais.

 

Guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionários da Colômbia

 

Durante a Guerra Fria, o contexto de luta das FARC foi pautado por avanços e recuos, tanto na guerrilha como na frente política - com uma tentativa de abandono da luta armada e sua legalização através de eleições legítimas. Porém, grupos armados contrários aos comunistas e às forças armadas aproveitaram esse momento para exterminar parte dos guerrilheiros, o que levou a uma maior radicalização da luta armada.

 

Nos anos 1990, após a queda da URSS e o fim do financiamento da guerrilha na Colômbia, as FARC acabaram adotando novas estratégias para continuar sua luta. Uma delas foi proteger traficantes que plantavam coca em seus territórios de domínio, cobrando impostos deles. No entanto, as FARC não estavam envolvidas diretamente no plantio e no tráfico da cocaína, droga originada da coca. Não se deve entender essa prática como pertencente a todo o grupo guerrilheiro, já que ele se divide em várias pequenas facções independentes, chamadas de “frentes”. Tampouco se deve associar o tráfico de drogas às FARC, visto que, na Colômbia, há inúmeros cartéis e grupos de paramilitares envolvidos no plantio e na distribuição da cocaína, sendo que vários estão em confronto direto com a guerrilha por territórios de plantio.

 

Outra maneira utilizada de arrecadação de dinheiro para o sustento da guerrilha é o sequestro de personalidades e militares do governo, através do pedido de resgate para a libertação. Um dos casos mais famosos e de maior duração foi o sequestro da candidata à presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, sequestrada por seis anos.

 

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Em 2010 a ex-candidata a presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, que ficou por seis anos sequestrada pelas FARC, lançou um livro de memórias intitulado “Não há silêncio que não termine”, em que ela narra os longos anos em que esteve sob poder dos guerrilheiros na selva amazônica colombiana.

 

O governo colombiano, apoiado pelos Estados Unidos, utiliza-se do argumento de que as FARC são um grupo de narcoguerrilheiros e que, portanto, são uma ameaça tanto ao governo, por se oporem a sua política e por distribuírem drogas na América Latina, quanto também à população civil, por praticarem atos considerados terroristas.

 

Em 2000, o governo dos EUA aprovou o chamado Plano Colômbia, que visava apoiar o governo deste país no combate à guerrilha, fornecendo dinheiro e armas para o enfrentamento. Com isso, na última década, os combates entre forças militares da Colômbia e as FARC tornaram-se mais intensos, com um saldo de centenas de mortos de ambos os lados e uma paulatina diminuição do efetivo de guerrilheiros, que anteriormente era estimado em 16 mil homens, passando a apenas seis mil em poucos anos.

 

Os governos de países vizinhos veem com muita desconfiança a aproximação entre a Colômbia e os EUA, que implantaram várias bases militares no subcontinente com o argumento de combate ao narcotráfico, mas que, no entanto, destinaram a essas bases tipos de equipamentos que não coincidem com equipamentos destinados ao combate de grupos insurgentes, o que leva a crer que há outros interesses dos EUA na região.

 

Outro grupo com destacada atuação guerrilheira na América do Sul, especificamente no Peru, é o Sendero Luminoso. Esse grupo, também criado nos anos 1960 e de inspiração comunista, porém de linha chinesa, foi formado por professores e estudantes universitários inconformados com a situação da sociedade peruana, optando pela luta armada como forma de modificar a estrutura dessa sociedade.

 

O grupo sofreu um forte revés no início dos anos 1990, quando seu principal líder, Abimael Guzmán, foi detido pelas forças peruanas, passando a ter fraca atuação após esse episódio. Nos anos 1990, o Sendero Luminoso passou a atuar em conjunto com grupos de traficantes, também como forma de manter seu financiamento, o que levou o governo a combatê-los com mais vigor, praticamente pondo fim aos militantes.

 

No início do século XXI, o grupo ressurgiu, mas com atuação bastante reduzida e em áreas isoladas da cordilheira andina, regiões de difícil acesso. Porém, mesmo com um efetivo estimado em pouco mais de uma centena de homens, o governo peruano aprovou uma forte resposta ao movimento, de maneira a extinguir o grudo comunista.

 

Selo cubano comemorando o aniversário de Che Guevara

 

Por fim, podemos citar o grupo mexicano Exército Zapatista de Libertação Nacional ou, simplesmente, EZLN, que foi fundado no fim dos anos 1960 e inspirado nos ideais revolucionários de Emiliano Zapata, líder revolucionário mexicano do início do século XX. O grupo também segue a ideologia marxista - esse é o principal grupo revolucionário mexicano - tendo grande expressão até os dias atuais, sendo, porém, bastante ofuscado pela mídia mexicana e internacional, que dá mais destaque ao combate a grupos de traficantes situados na fronteira com os EUA e que nada tem a ver com o EZLN.

 

Deve-se ressaltar que, nos países onde há a atuação dos referidos grupos guerrilheiros, os governos têm sido fortemente criticados pela população, sendo que todos têm características de governos de direita, proximidade com o governo dos Estados Unidos e atuação de grupos de traficantes de drogas, que acabam sendo relacionados de maneira indiscriminada aos grupos guerrilheiros.

 

Em Resumo

Os grupos guerrilheiros atualmente em operação na América Latina situam-se na Colômbia, no Peru e no México e são, respectivamente, as FARC, Sendero Luminoso e EZLN. Todos têm origem na Guerra Fria e seguem orientações marxistas, buscando uma revolução socialista em seus países, que se caracterizam por fortes diferenças sociais e repressão às populações de origem indígena.

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