Texto: EUA: a Construção de uma Potência

EUA: a Construção de uma Potência

território dos Estados Unidos da América foi descoberto devido às políticas colonialistas dos europeus. Todavia, sabemos que lá já existiam povos indígenas que desenvolveram agricultura avançada, arquitetura e sociedade. Então, podemos pensar que a chegada dos europeus foi, na verdade, um processo de conquista e não de descobrimento. Com o termo conquista, preservamos a memória dos que habitavam o território.

 

Em 1492, Cristóvão Colombo chegou a várias ilhas do Caribe e, a partir disso, começou a colonização da América pelos europeus. A chegada de Colombo à América foi possível devido aos avanços da técnica de navegação e de comunicação, pois permitiu que ele atravessasse o Oceano Atlântico e propagasse a notícia na Europa. Assim, a Espanha formou colônias na Flórida e a França colonizou em torno dos Grandes Lagos a chamada Nova França. Já em 1614, temos a chegada dos holandeses que se estabeleceram no Rio Hudson. Os ingleses chegaram em 1607 na Virgínia e, nos anos seguintes, houve uma grande onda de migração. Por volta de 1634, a Nova Inglaterra já estava povoada.

 

É bom lembrar que a colonização trouxe escravidão, doenças e guerras que dizimaram as populações indígenas, que foram sumindo com a chegada de brancos e negros no novo continente.

 

Mapa da colonização inicial dos Estados Unidos

 

Você Sabia?

nome América foi dado ao continente em homenagem a Américo Vespúcio, um explorador que viveu entre 1454 e 1512. Cristóvão Colombo foi o primeiro a chegar à América, porém achou que estava chegando à Índia. Posteriormente, em suas viagens, Américo Vespúcio relatou que o território que Colombo havia alcançando não se tratava da Índia, mas sim de um novo continente. Por esse motivo, a homenagem foi feita a Américo Vespúcio. 

 

 

As Treze Colônias

A colonização inglesa dos Estados Unidos foi formada pelos chamados pais peregrinos. Eles eram puritanos que fugiram da Inglaterra devido às perseguições religiosas do início do século XVII. Eles não foram os primeiros a chegar ao território, mas são considerados os fundadores da nova colônia. Chegaram com a intenção de conhecer e inventar um novo mundo, de recomeçar a vida num lugar onde teriam mais liberdade religiosa e de buscar o enriquecimento, visto que as terras ainda podiam ser exploradas e inspiravam esperança.

 

Na Inglaterra, a população aumentava cada vez mais, faltando empregos que absorvessem toda a mão de obra disponível. Anglicanos e puritanos estavam em conflito desde os primeiros tempos da Reforma Religiosa; discordavam sobre questões teológicas, políticas e econômicas e sobre o papel da Igreja. Sendo perseguidos, os puritanos fugiram para a América e estavam dispostos a construir uma sociedade de acordo com os seus princípios e crenças. 

 

As viagens foram possibilitadas pelo rei Jaime I que autorizou, em 1606, a construção de companhias de comércio com o objetivo de organizar a colonização do novo continente. Essas companhias foram encabeçadas por mercadores de Londres e Plymouth, sendo uma solução para a falta de dinheiro da própria Coroa para fazer a travessia entre os continentes. 

Viagens dos ingleses ao novo mundo 

 

A colonização foi promovida por iniciativas particulares e autônomas e essa ocupação foi reflexo dos motivos que trouxeram os ingleses puritanos ao continente. A colônia de Massachussets foi fundada em 1620, logo após a chegada do navio Mayflower. Com o tempo, novos núcleos foram se formando até se constituírem as treze colônias da América Inglesa.

 

Mapa das Treze Colônias 

 

As dificuldades dos primeiros anos, tais como a falta de conhecimento do espaço da colonização e disputas territoriais, não atrapalharam a motivação dos colonos. Eles acreditavam que foram o povo escolhido por Deus para criarem uma nova terra e corrigirem os erros cometidos pela Europa. Essa ideia foi usada como justificativa pelos atos que, por vezes, causavam guerra e destruição. A colonização era motivada pela religião, que acompanhava as necessidades comerciais, o sucesso financeiro e o lucro, características do puritanismo: o homem tinha que ter capacidade de administrar os bens de Deus na Terra, de gerar riquezas.

 

As Treze Colônias eram autônomas e tinham uma relação tranquila com a metrópole. A Inglaterra reconhecia que a colonização foi um feito das companhias de comércio e, assim, permitiam que as colônias pudessem conduzir a política e o comércio das mercadorias. Entre elas também existia essa autonomia, já que não havia nenhum vínculo entre as colônias. Tal fato permitiu modelos de colonização bem diferentes. Eram divididas em:

 

  • Colônias do norte, formadas pelas províncias de New Hampshire e da Baía de Massachusetts e pelas colônias de Rhode Island e de Connecticut;
 
  • Colônias do centro, formadas pelas províncias de Nova Iorque, de Nova Jersey e de Pensilvânia e pelas colônias de Delaware; e
 
  • Colônias do sul, formadas pelas províncias de Maryland, da Carolina do Norte, da Carolina do Sul, da Geórgia e pela colônia de domínio da Virgínia.

 

As colônias do norte e do centro tiveram semelhanças, como:

 

  • As condições climáticas e do solo impediram uma agricultura extensiva;
 
  • A economia incluía a caça, a pesca e a exploração de madeira, comercializados na América Inglesa;
 
  • As propriedades policulturas eram voltadas à subsistência e cultivadas pela própria família;
 
  • As economias rural e urbana eram integradas, o que permitia que o excedente do campo fosse comercializado na cidade; e
 
  • Elas estabeleciam com o exterior um comércio triangular, do qual participavam as colônias do norte e do centro, áreas do Caribe e da África. Os comerciantes da América adquiriam açúcar, melaço e rum das colônias do Caribe e trocavam por escravos com a África. Os escravos eram vendidos para as colônias do sul e para o Caribe. Esse comércio era comandado pelas colônias do norte e do centro, fazendo com que se expandissem e aumentassem seus lucros.

 

Nas colônias do sul, a colonização foi diferente. Observe algumas de suas características:

 

  • Economia agrária e exportadora;
 
  • Produção em grande escala em propriedades rurais e monocultura;
 
  • Sistema de plantation;
 
  • Mão de obra escrava; e
 
  • Comércio mais intenso com a Europa por meio das companhias de comércio, o que aproximava mais o sul da metrópole. 

 

A sociedade e a política nas colônias do sul eram controladas pelos grandes proprietários. A religiosidade também era ponto marcante da cultura local, porém, ao contrário do centro-norte puritano, os sulistas eram, sobretudo, de origens católicas. A superioridade branca sobre a negra era valorizada e isso constituiu as bases do racismo, a manutenção da escravidão e as fortes restrições de convivência entre brancos e negros no sul.

 

Mapa do Comércio triangular 

 

Saiba Mais!

 

formação dos Estados Unidos da América está pautada em relações culturais e econômicas que aparecem sob os termos que elucidaremos a seguir.

 

  • Anglicanismo: religião cristã estabelecida na Inglaterra após a Reforma Religiosa no século XVI.
 
  • Mayflower: famoso navio que, em 1620, transportou os peregrinos do porto de Southampton, na Inglaterra, para o Novo Mundo. No navio foi escrito o Pacto de Mayflower, no qual se comprometiam a estabelecer leis igualitárias e justas no Novo Mundo. 
  • Pais peregrinos: primeiro grupo de puritanos a deixar a Inglaterra a bordo do navio Mayflower em 1620.
 
  • Plantation: sistema baseado na monocultura destinada à exportação com utilização da mão de obra, sobretudo, escrava.
  • Policultura: propriedade que produz vários artigos, como, por exemplo, maçã, pêssego, trigo, entre outros.
 
  • Puritanismo: religião cristã desenvolvida na Inglaterra por protestantes radicais da Reforma Religiosa com características calvinistas.

 

A Independência 

Devido à forma de colonização, as treze colônias mantiveram distância da metrópole. Os próprios governos coloniais definiam as regras, a política, o comércio, os impostos e, mesmo quando chegavam ordens vindas da Inglaterra, eles as submetiam a uma avaliação. Porém, a partir de 1760, o interesse da Inglaterra em relação às colônias começa a mudar, pois percebe a importância que o novo continente tinha, principalmente, para fornecer matéria-prima e mercado consumidor. 

 

A Inglaterra conquistou o território do Canadá e da Luisiana, que antes era dominada pelos franceses e, com isso, viu a possibilidade de avançar para o oeste e dominar o Mississipi. Lá pretendiam deixar as populações indígenas e estabelecer rotas de comércio, já que as colônias (principalmente as do centro-norte) tinham o interesse de expandir os seus domínios para esta região e angariar novas terras. Essa situação provocou tensões entre a metrópole e as colônias. 

 

A Inglaterra aumentou os tributos que deveriam ser pagos pelas colônias com o objetivo de recuperar as perdas econômicas com a Guerra dos Sete Anos contra a França e aumentar o controle sob as colônias. Algumas leis impostas foram: Lei do melaço (1733), que determinava que os impostos seriam mais altos caso o melaço fosse adquirido fora das áreas de colonização inglesa; Lei da Receita (1764), que gerava tarifas alfandegárias para a importação; Lei do Selo (1765), que taxava a circulação de cartas e determinava que todos os documentos deveriam conter o selo da metrópole; e Lei do Chá (1773), que determinava que o chá só deveria ser comercializado pela Companhia Inglesa das Índias Orientais.

 

Essas novas medidas foram impostas na tentativa de controlar as colônias, mas elas acabaram reagindo contra a Inglaterra. As reações iam do descumprimento das leis até ações de vandalismo contra as unidades da metrópole. A mais famosa foi a Festa do Chá de Boston em 16 de dezembro de 1773, na qual navios da Companhia Inglesa das Índias Orientais foram atacados por colonos vestidos de índios e mercadorias foram lançadas ao mar. Em resposta, a metrópole tomou medidas que ficaram conhecidas como Leis Intoleráveis: fecharam portos de Massachusetts, aumentaram a presença militar e reforçaram os vínculos de dominação política entre as colônias.

 

Festa do Chá de Boston 

 

Essas medidas fizeram com que os colonos se organizassem e, em 1774, ocorreu o Primeiro Congresso Continental da Filadélfia. Nesse congresso, as Leis Intoleráveis foram rejeitadas, alguns movimentos armados foram organizados e caminhos de conciliação com a metrópole foram estudados. A resposta foi o aumento militar. 

 

O Segundo Congresso foi realizado em 1776. Nele as colônias decidiram pela emancipação, visto que não conseguiam negociar com a metrópole e queriam ter a liberdade de volta. No mesmo ano, a guerra começou e, em 4 de julho de 1776, foi feita a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, elaborada por Thomas Jefferson. A tentativa da Inglaterra de manter suas colônias permaneceu por mais sete anos e, em 1783, foi assinado o Tratado de Paris estabelecendo a paz e a independência das colônias. 

 

Com a independência, era necessária uma constituição para definir o regime de governo e os estados. As discussões estavam entre os federalistas, que queriam um governo centralizado representando o país, e os adversários, que queriam um governo que não interferisse nos assuntos regionais. Assim, em 1787, no Congresso Regional, foi definida a constituição com regime presidencialista, com os poderes executivo, judiciário e legislativo. O princípio federalista permite cerca autonomia dos estados. Essa constituição vigora até hoje e, quando necessárias, alterações são inseridas por meio de emendas.

 

Constituição dos Estados Unidos 

 

Você Sabia?

Fazer emendas significa consertar ou corrigir algo e federalismo é o sistema político em que os municípios e estados são independentes uns dos outros com um governo federal que governa a todos (a união mantém a autonomia).

 

Saiba Mais!

 

Aprofunde seus conhecimentos nos assuntos tratados neste tópico através dos filmes:

 

  • Revolução, de 1985, dirigido por Hugh Hudson. 

 

  • O Patriota, de 2000, dirigido por Roland Emmerich. 

 

  • O novo mundo, de 2005, dirigido por Terrence Malick. 

 

 

Em Resumo

O processo de colonização se iniciou com o redescobrimento da América. O processo de construção das treze colônias começou com a chegada dos peregrinos.  As Treze Colônias incluem as colônias do norte, do centro e do sul, cuja emancipação teve início com o aumento das exigências da metrópole, que passou a perceber a importância que tinha o novo continente.

 

Referências

KARNAL, L. História dos Estados Unidos: das origens ao século XX. Contexto, 2007.

_________. Estados Unidos, a formação da nação: da colônia à independência, puritanos, índios e negros – A ruptura e o novo país. São Paulo: Contexto, 2005.

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