Texto: Fluxos Migratórios Internos no Brasil

Fluxos Migratórios Internos no Brasil

Os fluxos migratórios internos no Brasil sempre existiram e foram, na maioria das vezes, motivados por fatores econômicos. 

 

Durante o período o colonial, mais precisamente até o final do século XVII, a maioria da população brasileira concentrava-se no litoral nordestino, já que essa região era até então o centro econômico do país, principalmente devido ao cultivo da cana-de-açúcar. Contudo, a descoberta de jazidas de ouro na região sudeste em fins do século XVII e início do século XVIII, mais precisamente na região do atual estado de Minas Gerais, fez com o Brasil experimentasse sua primeira grande onda migratória interna. Como a atividade mineradora passava a ser a principal atividade econômica do país e era realizada predominantemente na região sudeste em Minais Gerais, houve uma grande transferência populacional do nordeste para o sudeste do país. A esse contingente populacional que migrava internamente, somavam-se milhares de imigrantes que vinham sobretudo da Europa tentar a sorte nas terras brasileiras.

 

Com o declínio da atividade mineradora na segunda metade do século XVIII e a ascensão do cultivo de café no interior paulista durante o século XIX, muitos habitantes das Minas transferiram-se para São Paulo, criando a segunda grande onda migratória.

 

No século XX, a grande concentração populacional e as riquezas acumuladas pelas atividades mineradora e cafeeira criaram as condições básicas para o desenvolvimento industrial no sudeste. A partir da década de 30 do século XX, o desenvolvimento industrial do sudeste, em especial de São Paulo, consolidou essa região do país como a mais atrativa aos fluxos migratórios. Ressalta-se ainda que, juntamente com o desenvolvimento industrial no sudeste do Brasil, observa-se um grande êxodo rural, principalmente a partir da década de 1950, quando a atividade industrial consolidou-se como uma das mais importantes atividades econômicas brasileira. 

 

Nos anos 1950 e 1960 observou-se também um importante afluxo populacional em direção ao centro-oeste do país, mais precisamente em direção à nova capital do país, Brasília. No início,  a necessidade de trabalhadores para a construção da capital federal atraiu importantes contingentes populacionais, vindos, sobretudo do nordeste do país. A partir de 1960, com a fundação de Brasília e a consequente transferência da capital do litoral para o interior do país, novas frentes migratórias colaboraram para uma maior ocupação e povoamento do centro-oeste, em especial do estado de Goiás. 

 

Ainda na década de 1960, com a criação da Zona Franca de Manaus no estado do Amazonas, houve também importante transferência populacional para a região. Esses migrantes foram atraídos pela atividade industrial que por lá se desenvolvia. A maior parte era originária da região nordeste.

 

Fluxo de Migrações entre 1960-1980 (modificado)

 

Observe, portanto, que historicamente o nordeste foi, na maioria das vezes, uma região de repulsão populacional, sobretudo o interior, que ainda hoje é dominado por forte desigualdade social e baixo nível de desenvolvimento econômico e social. Nas últimas duas décadas, contudo, o tímido desenvolvimento econômico e industrial do interior nordestino tem contribuído para uma migração de retorno. Muitos nordestinos que migraram para o sudeste nos anos 70, 80 e 90 em busca de melhores condições de vida estão retornando para sua região de partida.

 

Outro movimento migratório que se destaca nos dias atuais é o que se direciona para o centro-oeste e sul da Amazônia. O importante desenvolvimento industrial, e principalmente o desenvolvimento do agronegócio em estados como Goiás, Mato Grosso e Tocantins, têm atraído centenas de trabalhadores que partem de diversas regiões do país em busca de melhores condições de vida.

 

Fluxo de migrações de 1990 em diante (modificado)

 

Além desses vários movimentos inter-regionais que existiram e continuam a existir no Brasil, têm se tornado frequente também as migrações intrarregionais, isto é, dentro de uma mesma região ou dentro de um mesmo estado. As grandes capitais estaduais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, estão ficando menos atrativas e mais repulsivas para os fluxos migratórios. Tem sido observada nos últimos anos uma tendência de emigração dessas cidades em função da baixa qualidade de vida, relacionada principalmente à grande violência, aos problemas de poluição, aos congestionamentos no trânsito, entre outros. Nestes casos, as famílias que emigram das capitais buscam frequentemente se estabelecer no interior, onde os problemas anteriormente mencionados são menos frequentes, garantindo-se uma melhor qualidade de vida. Isso não quer dizer, no entanto, que não exista mais imigração para estas cidades, elas só se tornaram menos intensas. 

 

Em Resumo

Os fluxos migratórios no interior do Brasil foram motivados em sua maioria por fatores econômicos. A primeira grande onda migratória ocorreu a partir do final do século XVII, quando se descobriram jazidas de ouro no atual estado de Minas Gerais, fazendo com que muitos migrassem do Nordeste para o Sudeste. Com o fim da mineração e ascensão do cultivo do café (século XIX) no interior de São Paulo, este se tornou o principal destino dos migrantes no país. No século XX o desenvolvimento industrial consolidou o sudeste como a região mais atrativa para os migrantes. Nos anos 1960, a construção de Brasília no centro-oeste e a criação da Zona Franca de Manaus no norte também criaram importantes rotas de migração para estas regiões. Atualmente o agronegócio e o desenvolvimento industrial têm atraído populações para estados do centro-oeste e norte do país, como Goiás, Mato Grosso e Tocantins.

 
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