Texto: Tragédia Grega e Filosofia

Tragédia Grega e Filosofia

Naturalmente, quando ouvimos o termo tragédia, imediatamente, associamos a um fato catastrófico. Ou seja, tragédia seria um evento ruim que aconteceu com alguma pessoa. 

 

Entretanto, a tragédia que iremos estudar não será entendida apenas como um evento ruim na vida de uma pessoa. Nesse caso, nossa compreensão partirá do conceito elaborado pelo filósofo grego Aristóteles. Mas, antes de definirmos o que é tragédia, iremos situá-lo em qual contexto histórico ele surgiu. 

 

 

O Surgimento da Tragédia Grega

A tragédia grega tem seu florescer por volta do século V a.C. A palavra vem do grego, tragoidía (tragos = bode e oidé = canto), ou seja, canto ao bode, e é uma manifestação do deus Dionísio, que se transformava em bode para fugir da perseguição da deusa Hera. Aos poucos, o culto ao deus Dionísio ganhou a conotação de tragédia, enquanto gênero teatral, e comédia. Em virtude disso, Dionísio acabou sendo reconhecido como o deus do teatro. 

 

Portanto, a consciência trágica surge paralelamente ao teatro, quando os rituais simbolizavam uma relação entre homens e deuses. 

 

A Tragédia Segundo Aristóteles

Na obra intitulada A poética, o filósofo grego Aristóteles elabora uma teoria sobre o tema da poesia e da arte. Segundo ele, a tragédia é um momento de catarse do público. Sendo assim, é um momento de purificação das almas por meio de uma descarga emocional motivada pela cena assistida. 

 

Enfim, um final triste - como, por exemplo, a morte, a loucura ou a má fortuna - segundo Aristóteles, seria algo essencial como parte da representação trágica, pois, proporcionaria um sentimento de transformação e purificação dos espectadores. 

 

Os Escritores de Tragédia 

Poucos são os escritos da tragédia grega que sobreviveram ao tempo. Basicamente, há três mais conhecidos: Ésquilo (por volta de 525 a.C. a 456 a.C.), Sófocles (496 a.C. a 406 .a.C.)    e Eurípedes (485 a.C. a 406 a.C.).

 

Algumas obras de que temos conhecimentos são: 

 

  • Ésquilo

Considerado o fundador do gênero, sete peças suas sobreviveram à destruição do tempo: Os Persas, Sete contra Tebas, As suplicantes, Prometeu Acorrentado, Agamêmenon, Coéforas e Eumênides.

 

 

  • Sófocles

Importante tragediógrafo, também trabalhava como ator. Dentre suas peças estão a trilogia Édipo Rei, Édipo em Colona e Antígona.

 

 

  • Eurípides

Pouco se sabe sobre sua vida. Ainda assim, é dele o maior número de peças que chegaram até nós. São 18 no total, entre elas: Medeia, As bacantes, Heracles, Electra, Ifigênia em Áulis e Orestes.

 

 

Enfim, a consciência trágica é considerada por muitos estudiosos como um momento de amadurecimento e transição entre o período em que predominaram as narrativas mitológicas e o período das explicações filosóficas. Certamente, não podemos afirmar que a filosofia surge de um momento a outro sem que haja fatores que contribuam para a construção de um pensamento mais elaborado a respeito da compreensão dos fenômenos que cercam a existência humana.  Na verdade, seja transitória ou não, a tragédia também se caracteriza como um processo de conhecimento elaborado pelo homem com o intuito de conhecer a si mesmo. 

 

Em Resumo

Compreendemos a tragédia grega enquanto gênero teatral que, segundo a ótica do filósofo grego Aristóteles, fornecia aos homens a possibilidade de catarse dos sentimentos, ou seja, momento em que se podia purificar os próprios sentimentos mediante a dramatização dos atores.  

Vale ressaltar que a consciência trágica, de certo modo, estabelece o momento de transição entre o pensamento mitológico e o pensamento filosófico.

 

Referências

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. Tradução, coordenação e revisão de Alfredo Bosi et al. 2.ed. São Paulo: Mestre Jou, 1982.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. São Paulo: Moderna, 2012.

______. Filosofia com textos: Temas e história da Filosofia. São Paulo: Moderna, 2013.

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. Petrópolis: Vozes, 1986. 

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2005

DIMENSTEIN, Gilberto; RODRIGUES, Marta M. Assumpção; GIANSANTI, Álvaro Cesar. Dez Lições de Filosofia. São Paulo: FTD, 2012.  

REALE. Giovanni Antiseri. História da filosofia. São Paulo: Pulus, 1990.

VERNANT, Jean Pierre. As origens do pensamento grego. Tradução de Ísis Borges B. da Fonseca. Rio de Janeiro: Difel, 2002. 

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