Texto: Grécia Antiga

Grécia Antiga

Neste volume, você irá conhecer uma antiga civilização do Ocidente: a Grécia. Estudará também sua sociedade e cultura, suas principais cidades e o surgimento da democracia.

 


Política e Sociedade na Grécia Antiga

A Grécia antiga é considerada o berço da civilização ocidental.   
 
 
Foi nesse país, especificamente na cidade de Atenas, que, no século VI a.C., surgiu uma forma de participação popular que ficou conhecida como democracia direta. Nela, os cidadãos atenienses se reuniam na ágora para decidir questões importantes da cidade. Se concordavam, erguiam a mão, se não, mantinham-na junto ao corpo.
 
 
 
 

A ágora era a praça principal da cidade-estado na Grécia antiga, chamada pelos gregos de pólis. Geralmente, era um espaço público e livre, rodeada de mercados e feiras, onde se discutiam aspectos da cultura e política gregas.
 
 
Esta fotografia mostra as ruínas da ágora de Tessalônica
 
 

Observe o mapa abaixo.
 
 
 

Repare que a Grécia antiga abrangia três importantes regiões: ao sul da Península Balcânica, situava-se a Grécia continental; as ilhas dos mares Egeu e Jônio formavam a Grécia Insular; e a Grécia asiática era composta por uma estreita faixa de terra situada na Ásia Menor.
 

Observe também que a região é cercada por muitas ilhas próximas umas das outras, sendo Creta a maior delas. Por ter um relevo montanhoso, que dificultava a circulação/comunicação dos cidadãos de diferentes regiões, surgiram muitas cidades que eram independentes entre si. Por outro lado, por estar cercada pelos mares, surgiram portos naturais que permitiam a navegação e o comércio marítimos.
 

Como já foi dito, a Grécia é considerada o berço da civilização ocidental. Essa civilização em muito foi influenciada por aquela desenvolvida em Creta, onde, por volta de 2000 a.C., a sociedade organizava-se em torno de enormes palácios que eram governados por reis que cobravam impostos da população para abastecer os seus celeiros. O palácio mais conhecido de Creta foi o Palácio de Cnossos, representado na imagem abaixo.
 

Nele, encontravam-se a sala do trono, a sede administrativa, os armazéns onde ficavam armazenados os cereais, frutas, vinho etc., os aposentos da rainha, as casas dos funcionários do rei, as oficinas de trabalho, dentre outros.
 
 
Por volta de 1450 a.C., Creta foi conquistada pelos aqueus, que eram povos do leste da Europa e considerados antepassados dos gregos. Eles ocuparam, primeiramente, a península do Peloponeso e lá fundaram diversas cidades, sendo Micenas a mais famosa. Por meio da navegação, os aqueus entraram em contato com os cretenses e aprenderam muitas coisas, dentre elas as técnicas de construção naval, que, depois, seriam usadas para a conquista de Creta.
 
 
Palácio de Cnossos
 

Os palácios aqueus também foram destruídos por volta de 1200 a.C. Até hoje não se descobriu o que gerou essa destruição, mas sabe-se que, nessa época, chegaram na região três povos aparentados com os aqueus: os jônios e os eólios, que ocuparam a Grécia continental, e os dórios, que se estabeleceram no Peloponeso e em Creta.
 

A partir daí, com a destruição dos palácios e o fim do poder dos reis, surgiram os genos, que eram grandes famílias, seus dependentes e seus bens, com casas, terras e animais, que cultivavam apenas para a subsistência. Posteriormente, o mais poderoso chefe dos genos tornou-se um rei que governava diversos grupos familiares e, assim, surgiu a pólis, que, como já foi dito, era a cidade-estado grega. 
 

Politicamente, a pólis era um centro político e geográfico independente, isto é, cada uma tinha seu próprio governo, moeda e deuses. São exemplos de cidades-estados na Grécia Antiga: Atenas, Esparta, Tebas, Mégara, Corinto e Mileto. 
 

Dentre as cidades-estados citadas acima, você vai conhecer mais profundamente Atenas e Esparta.
 


Atenas

Atenas foi uma cidade-estado fundada pelos jônios por volta do século X a.C. Nela, desenvolviam-se a pesca, a navegação e o comércio marítimo devido à sua localização a poucos quilômetros do mar.
 
 

Saiba Mais!

É importante que você saiba que, além das cidades-estados, havia também as colônias, que foram fundadas a partir do momento em que pequenos proprietários de terra, por não conseguirem esperar o tempo de crescimento das árvores que plantavam, contraiam dívidas e, por não conseguirem pagá-las, tronavam-se escravos dos grandes proprietários. Isso estimulou muitos gregos a procurar novas terras em regiões mais distantes, fundando as colônias na orla do mar Mediterrâneo. As colônias gregas tinham seus próprios governos, o que as tornavam politicamente independentes da cidade-mãe, com a qual mantinha apenas laços comerciais e de religião e costumes.
 

Apesar de ser considerada o berço da democracia, inicialmente, o poder de Atenas era concentrado nas mãos da aristocracia ateniense, os chamados eupátridas, que, em grego, significa “bem-nascidos”. Isso significa que somente podiam ocupar cargos públicos grupos formados por pessoas ou famílias que, por herança ou concessão, tinham muitos privilégios sobre outras pessoas. Porém, isso incomodava outros grupos sociais, como artesãos, comerciantes e soldados, que também queriam participar da vida política ateniense, além dos camponeses, que queriam o fim da escravidão por dívidas. Muitas reformas foram feitas em Atenas em virtude das insatisfações e pressões desses grupos, dentre elas o primeiro código de leis de Atenas, escrito pelo legislador Drácon em 621 a.C., e o nascimento da democracia ateniense, decretada pelo político Clístenes, que assegurou a soberania e o poder do povo no governo da cidade.
 
 
Os principais órgãos da democracia ateniense eram: a Assembleia do Povo, da qual faziam parte todos os homens com mais de 18 anos e filhos de pais atenienses e na qual se votavam as leis e se decidia com o que gastar o dinheiro público; e o Conselho dos Quinhentos, formado por quinhentos cidadãos sorteados anualmente de forma que tanto ricos como pobres tinham a mesma chance de serem eleitos. No Conselho dos Quinhentos, eram escritos e propostos os projetos a serem votados pela Assembleia do Povo; depois de aprovados, eles eram colocados em prática pelos estrategos, que eram dez cidadãos eleitos pelo período de um ano pela assembleia.
 
 
Atenas
 

Percebe-se, portanto, que todos os cidadãos, independente da sua profissão e situação financeira, poderiam participar diretamente do governo, que, por isso, é considerado democrático. No entanto, é importante que se saiba que essa democracia ateniense não existia para os escravizados, para as mulheres e para os estrangeiros, pois eles não eram considerados cidadãos e, assim, não tinham o direito de participar da vida política ateniense.
 

A partir de 461 a.C., iniciou-se o chamado “Século de Péricles” (com fim em 429 a.C.), período em que Péricles ateniense aperfeiçoou a democracia de Atenas. Para tanto, ele criou um tribunal popular para julgar diversas causas em que o júri, isto é, o grupo de pessoas que analisavam os casos era quem dava a palavra final, fazendo o papel do juiz. Além disso, para que mais pessoas pudessem participar da Assembleia do Povo, Péricles decidiu remunerar, ou seja, pagar pela participação. Dessa forma, muitos pobres podiam deixar seus trabalhos por um tempo para participar da vida política ateniense.
 
Péricles
 
 
Foi ainda durante esse período que foi construído um importante local de Atenas, a Acrópole, a mais conhecida e famosa acrópole do mundo.
Trata-se de uma construção na parte alta da cidade de Atenas que servia como proteção contra invasores de cidades inimigas e, posteriormente, como sedes administrativas civis e religiosas. Foi dedicada a Atenas, a deusa da cidade.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Na Acrópole, descavam-se o Propileu (1), que era o portal para a parte sagrada da Acrópole, o Partenon (2) , que era o principal templo de Atenas, o Erecteion (3) , templo dedicado aos deuses do campo, e o Templo de Athena Nice (4) , que representava a harmonia de Atenas.
 

Saiba Mais!

Os escravos atenienses eram responsáveis por executar diversos tipos de tarefas, que eram diferentes para homens e mulheres. Os homens cuidavam do gado, da terra, plantavam e colhiam; as mulheres moíam grãos, cozinhavam, teciam e cuidavam das crianças e da casa de seus donos.

As mulheres de Atenas dependiam sempre de um homem, seja o pai, enquanto solteiras, seja do marido, depois de casadas. Elas eram responsáveis pelos serviços domésticos, os quais aprendiam com as mães e avós. Se fossem ricas, viviam fechadas em seus aposentos e tinhas criados e escravas à disposição; se pobres, faziam o trabalho doméstico e ainda ajudavam nas atividades do marido.

Os estrangeiros eram chamados de metecos e trabalhavam no comércio. Também não eram considerados cidadãos atenienses, assim como seus filhos, netos e bisnetos.

Agora, leia e ouça a música “Mulheres de Atenas”, composta por Chico Buarque.
 

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
 
 
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas; cadenas
 
 
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas
 
 
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas
 
 
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas
 
 
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas
 
 
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas
 
 
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas
 
 
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas
 
 
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas, serenas
 
 
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas.


Esparta

Enquanto Atenas estava envolta por águas, Esparta era uma cidade-estado situada na península do Peloponeso, rodeada por montanhas e sem saída para o mar. (Volte no primeiro mapa deste tópico para verificar onde Esparta está localizada geograficamente).
 
 
Esparta

A cidade foi fundada pelos dórios, que, logo em seguida, também conquistaram os povos vizinhos, que ficaram sob seu domínio. Assim, Esparta parecia um campo militar, o que fez com que, desde cedo, os espartanos fossem preparados para a vida militar.
 

A sociedade espartana era dividida em três grupos sociais: os espartanos, descendentes dos dórios, eram grandes e médios proprietários e os únicos que tinham o direito de ocupar cargos políticos e militares; os periecos, descendentes de povos conquistados, desenvolviam o artesanato, comércio e cultivo de pequenas propriedades, vivendo nos arredores de Esparta; e os hilotas, que eram escravos do Estado, mas emprestados para trabalhar nas casas e terras dos cidadãos espartanos.
 

Os homens espartanos eram considerados cidadãos, tendo o direito de votar e de ocupar cargos públicos, a partir dos 30 anos de idade, após se casarem e receberem do governo um lote de terra com hilotas. As mulheres, diferentemente das atenienses, faziam exercícios físicos e participavam de lutas, sendo preparadas para ser mães de filhos fortes, que deveriam servir o exército a partir dos 20 anos de idade.
 

Abaixo, uma ilustração que retrata um homem espartano, comumente identificado como um guerreiro, com suas vestimentas e armas para guerras.
 
 
A estrutura política espartana também se diferenciava da ateniense. Os principais órgãos do governo eram a Ápela, a Gerúsia e o Eforato. A Ápela era uma assembleia da qual participavam os cidadãos (espartanos com mais de 30 anos de idade) e onde se votavam as propostas de lei feitas pela Gerúsia, um conselho formado por dois reis e por 30 anciãos com idade superior a 60 anos que também decidia se Esparta participaria de uma guerra, julgava crimes etc. Já o Eforato era um órgão formado por cinco membros com mandado de um ano.
 

A sociedade espartana, portanto, não era democrática como a ateniense, mas, sim, oligárquica, isto é, era um “governo de poucos”.
 


Em Resumo

Neste tópico, você aprendeu sobre uma antiga civilização ocidental, a Grécia, que era dividida em colônias e em cidades-estados, chamada pelos gregos de pólis. Você estudou duas importantes cidades-estados: Atenas e Esparta. Aprendeu que Atenas é considerada o berço da democracia, isto é, “governo de todos”, e conheceu como ela estava dividida política e socialmente. Também aprendeu que Esparta era bem diferente de Atenas, sendo uma sociedade oligárquica, isto é, onde poucos tinham o direito de participar da vida política e das decisões da sociedade.
 
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