Texto: Os Estados Unidos e o Terror Anticomunista

Os Estados Unidos e o Terror Anticomunista

Os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas travaram, no período da Guerra Fria, uma intensa batalha que se caracterizou, mais enfaticamente, nos âmbitos da propaganda, espionagem e pressão ideológica para defender seus interesses. Nesse sentido, ao procurar combater as possíveis ameaças comunistas, os Estados Unidos valeram-se de várias políticas que perseguiram e reprimiram possíveis simpatizantes das diretrizes socialistas e, ainda, criaram diversos mecanismos atrativos à sua ordem capitalista.

 

 

Plano Marshall

O contexto, aos fins dos anos 1940, apresentava o avanço e a expansão dos partidos comunistas tanto no leste quanto no oeste da Europa. Preocupados com essa dinâmica, os Estados Unidos lançaram mão de um plano, idealizado pelo general George Marshall, que tinha como principal objetivo a derrocada comunista em detrimento do avanço capitalista.

 

Anunciado em 1947, o Plano Marshall foi um grande programa de ajuda econômica aos países capitalistas que sofreram com os impactos deixados pelos conflitos da Segunda Guerra Mundial. Esse plano compreendia, ainda, empréstimos a juros baixos, desenvolvimento tecnológico e severos investimentos.

 

General George Marshall

 

Valendo-se das mencionadas práticas, o Plano Marshal alcançou seus objetivos rapidamente, possibilitando a rápida recuperação de países como Alemanha Ocidental, Inglaterra e França.

 

Enquanto isso, a União Soviética criou a Agência Comunista de Informação (COMINFORM), idealizada por Stálin, que objetivava dar suporte e/ou conduzir o movimento comunista no mundo. Desse modo, os partidos comunistas de todo o planeta foram obrigados a obedecer piamente determinações dessa agência.  

 

Diante desse contexto de intensa tensão, Estados Unidos e União Soviética acordaram a divisão do território alemão, conquistado aos fins da Segunda Guerra Mundial. Em 1949, foram criados dois países distintos: a República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental) e a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental), sendo a primeira área de influência dos Estados Unidos (capitalista)    e a segunda, da União Soviética (socialista). A capital, Berlim, também foi dividida ao meio por cercas de arame, passando a ser Berlim Ocidental (capitalista) e Berlim Oriental (socialista).

 

Nos anos seguintes, devido à ajuda dos Estados Unidos, a Alemanha Ocidental recuperou-se da crise gerada pela Guerra e passou por um severo processo de crescimento econômico. Graças a isso, a propaganda capitalista difundiu-se por muitos habitantes da capital e, do outro lado (Berlim Oriental), os habitantes começaram a questionar o socialismo e fugir para o lado capitalista. Para evitar a fuga dos alemães orientais, o governo comunista mandou construir um enorme muro divisor da cidade, o Muro de Berlim.

 

O Muro de Berlim permaneceu dividindo a cidade até 1989.

 

Foto atual do Muro de Berlim

 

Otan e o Pacto de Varsóvia

Em 1949, Estados Unidos, Canadá e outros países da Europa assinaram um tratado que criava a aliança militar chamada de Organização do Trabalho do Atlântico Norte (OTAN). Esse tratado vislumbrava a ajuda mútua no caso de ataque por parte dos comunistas; logo, o ataque a um país-membro da Otan seria entendido como uma ofensiva ao grupo. 

 

Bandeira da OTAN

 

A União Soviética, por outro lado, firmou, com países comunistas, o Pacto de Varsóvia, aliança militar de ajuda mútua aos seus membros comunistas.

Emblema do Pacto de Varsóvia

 

O Macarthismo

Nos Estados Unidos (e na União Soviética), os indivíduos suspeitos de compactuar com os ideais opostos aos defendidos pelo país eram perseguidos e reprimidos. Nos anos 1950, nos Estados Unidos, o principal líder da luta anticomunista era o senador Joseph McCarthy, chamado de “caçador de comunistas”.

 

Joseph McCarthy

 

O macarthismo, liderado pelo referido senador, perseguiu e prendeu centenas de pessoas (cientistas, intelectuais, músicos, profissionais liberais, desocupados etc.) que foram considerados traidores da pátria por afeição ao comunismo. Exemplo desse movimento de perseguição pode ser encontrado no cineasta Charles Chaplin, que foi denunciado e reprimido pelo macarthismo.

 

A atuação do macarthismo – caça aos comunistas – durou entre 1950 e 1944, enquanto McCarthy dirigia o comitê de atividades antiamericanas no senado.

 

Charles Chaplin, em cena do filme “Tempos Modernos”

 

Em Resumo

Durante o período que ficou conhecido como Guerra Fria, os EUA e a URSS viveram sob pressão e tensão intensas que impactaram em outros países no mundo.

 

Motivados pelo medo em relação ao avanço dos ideais (e dos partidos) comunistas, os Estados Unidos lançaram-se em diversas campanhas para influenciar países, sob a égide capitalista, e, ainda, pretendiam caçar indivíduos que exercessem atividades consideradas antiamericanas, ou seja, que se aproximassem do comunismo. Nesse caso, uma grande política de caça aos comunistas foi o macarthismo.

 

Referências

BOULOS JÚNIOR, Alfredo. História – Sociedade & Cidadania. 9º ano. São Paulo: FTD, 2009.

HOBSBAWN, Eric. A era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

PELLEGRINI, Marco César. Vontade de saber história. 9º ano. 2. ed. São Paulo: FTD, 2012.

                                                                                                                                                                                                                          

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