Texto: A Transformação da Europa e as Monarquias Centralizadas

A Transformação da Europa e as Monarquias Centralizadas 

A partir do século XIII houve série de mudanças na política europeia. De modo geral, os reinos europeus já vinham sendo governados por um poder centralizado desde o século V, com a transferência do poder de forma hereditária, e, a partir do século VIII, o poder foi considerado um direito divino. 

 

No entanto, o enfraquecimento dos senhores feudais, o crescimento dos núcleos urbanos, o dinamismo das atividades comerciais e o surgimento da burguesia fizeram com que o poder se concentrasse de forma absoluta nas mãos desses monarcas. Diante deste cenário o rei passou a governar com autoridade inédita, com a diminuição da influência política da nobreza e com o controle de um exército nacional. 

 

Monarquias Ibéricas 

Durante o século VIII, os visigodos foram expulsos da península Ibérica, espalhados pela a Europa e, com o tempo, converteram-se ao cristianismo. Os responsáveis por essa fuga foram os povos islamizados do norte da África, que invadiram a região. Após o retiro, os visigodos formaram reinos ao norte da península: Leão, Castela, Navarra e Aragão. 

 

 

Em 1469, um casamento entre os reis cristão Fernando de Aragão, e Isabela, irmã do rei de Leão e Castela, levou à união dos reinos que futuramente se tornariam a Espanha. Em 1492, ocorreu a chamada Guerra de Reconquista, quando os povos islamizados foram finalmente expulsos para o norte da África, e a península Ibérica retornou para as mãos de seus antigos habitantes. 

 

O mesmo processo de reconquista fez originar o reino de Portugal. Em 1139, Afonso Henriques fez do condado Portucalense um reino independente. Era o início da dinastia de Borgonha. Em 1249, a região do Algarves, foi tomada dos “mouros” (como os povos islamizados eram chamados) e anexada ao território português. 

 

Em posição geográfica privilegiada, as cidades litorâneas do Porto e Lisboa localizavam-se em meio a um intenso fluxo comercial, fato que permitiu o enriquecimento do reino lusitano e, consequentemente, enfraqueceu os mercadores muçulmanos que praticam o comércio por vias terrestres. 

 

Em 1383, o rei português Fernando I morreu sem deixar herdeiros. Para seu lugar foi indicado pela burguesia lusitana o mestre de Avis, dom João. Mas havia um conflito de interesses em virtude do anseio da nobreza portuguesa em desejar integrar o reino à Castela. 

 

Em 1385, o rei de Castela ordenou a invasão do reino português, no entanto, os invasores fracassaram e dom João foi coroado rei de Portugal dando início à dinastia dos Avis. 

 

A Formação da Inglaterra 

O que se compreende hoje como a Grã -Bretanha corresponde aos antigos domínios dos povos anglo-saxões e celtas. Até o ano 1066, essa região era formada por quatro reinos: Escócia, Gales, Irlanda e Inglaterra. No entanto, o território foi unificado graças à ação do “Conquistador” Guilherme, duque da Normandia e primeiro rei da Inglaterra. 

 

Seu sucessor, Henrique II, conseguiu diminuir o poder da Igreja Católica no reino, fato que desagradou a nobreza e os membros do corpo eclesiástico em seu país. Tal crise política o forçou a assinar a Carta Magna, em 1215, documento que limitava o poder do rei, forçando-o a consultar o Conselho Geral do Reino sempre desejasse criar um tributo ou legislar alguma medida. Pouco mais de um século após, este órgão se transformou no parlamento inglês, instituição divida em duas partições: uma representava os membros da nobreza e da igreja, os Lordes; e a outra, a burguesia e a pequena nobreza, os Comuns. 

 

De 1337 a 1453, ocorreu a Guerra dos Cem Anos entre a Inglaterra e a França. Como veremos, este conflito serviu para enfraquecer a nobreza de ambos os países e consolidar o absolutismo monárquico nos respectivos reinos. 

 

A Formação da França 

O processo de centralização monárquica na França foi mais conturbado que nos demais reinos, sendo necessário um processo histórico que duraram quatro séculos (do X ao XIV). Dentre os aspectos que mais favoreceram a centralização do poder estão os altos lucros que a nobreza francesa adquiriu com o aumento da tributação dos produtos comercializados nos portos do reino. Isso permitiu a formação de um exército nacional e a criação de um aparelho burocrático para mediar as ações políticas da burguesia e da nobreza capaz de cobrar tributos (a partir da criação de uma moeda nacional). Assim como na Inglaterra, o advento da Guerra dos Cem Anos permitiu o fortalecimento do monarca. 

 

A Guerra dos Cem Anos 

A Guerra dos Cem Anos foi um conflito que envolveu a Inglaterra e a França e teve papel preponderante na formação das monarquias nacionais dessas nações. Em 1337, o trono francês ficou sem sucessor após a morte do rei Felipe. Esse fato foi aproveitado por seu neto Eduardo III, rei da Inglaterra, que iniciou a invasão da França para conquistar suas importantes cidades comerciais, a fim de aumentar o seu poder. 

 

Apoiados pela nobreza da região dos Flandres, os britânicos conseguiram obter algumas vitórias no norte da França. Outro fato conturbou o conflito, a Peste Negra, epidemia que dizimou milhares de pessoas na Europa e acabou fragilizando diretamente o conflito. Isso fez com a França se enfraquecesse ainda mais, sendo obrigada a assinar o Tratado Brétigny em 1360, oficializando a posse do território ocupado pela Inglaterra. 

 

Apesar de a derrota parecer cada vez mais iminente, os franceses comandados pelo rei Carlos V conseguiram retomar parte do território graças ao auxílio de um exército formado por mercenários. Em 1415, os conflitos recomeçaram. O Tratado de Troyes, o qual foi assinado entre os reis da Inglaterra e da França, funcionou como uma espécie de “rendição” dos franceses, já que garantia ao rei britânico Henrique XV o direito de suceder o trono francês. Este fato seria consumado sete anos mais tarde, após a morte de Carlos VI. 

 

 

A unificação das coroas gerou grande insatisfação da população francesa. No entanto, a resistência se fortaleceria entre os camponeses sob a liderança de Joana D’Arc, figura emblemática da guerra que conseguiu mobilizar um grande número de combatentes. No entanto, sua origem popular fez com que a própria nobreza francesa tramasse sua entrega para os britânicos. Aprisionada, Joana D’Arc foi queimada viva sob a acusação de bruxaria. Enquanto isso, no campo de batalha, os franceses haviam conseguido, enfim, retomar o seu território e expulsar os ingleses. A paz foi selada por meio de um tratado assinado em 1453. 

 

 

Em Resumo 

A formação das monarquias nacionais na Europa deu-se através de processos conturbados que envolveram conflitos militares. Além das diversas guerras ocorridas no período, a ascensão de uma nova classe comercial, a formação dos exércitos nacionais e o enfraquecimento da nobreza contribuíram para esses desdobramentos. 

 

Referências 

ALVES, Alexandre; DE OLIVEIRA, Letícia Fagundes. Conexões com a História. 1ª Edição. São Paulo: Moderna, 2010. 

COTRIM, Gilberto. História para o ensino médio: Brasil e geral. Volume único. 1º edição. São Paulo: Saraiva. 2002. 

SANTIAGO, Pedro; CERQUEIRA, Célia; 

PONTES, Maria Aparecida. Por dentro da história. São Paulo: Escala Educacional S/A, 2010. 

Sites: http://www.brasilescola.com/historiag/guerra-cem-anos.htm.

 

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