Texto: A Monocultura na América Portuguesa

A Monocultura na América Portuguesa

Nos primeiros anos após a “descoberta” do território brasileiro pelos portugueses houve uma exploração predatória do pau-brasil. No entanto, uma nova atividade lucrativa foi viabilizada na colônia em meados do século XVI.

 

O Sistema Colonial 

Após três décadas de exploração do pau-brasil, os portugueses iniciaram a montagem do sistema colonial no país. Com a instalação de um engenho de cana-de-açúcar na região de São Vicente, onde foi fundada a primeira vila do Brasil em 1532, iniciou-se o sistema monopolista de produção de açúcar. 

 

Por meio do pacto colonial, Portugal tinha exclusividade na exploração do mercado brasileiro, ou seja, o Brasil só poderia vender seus produtos para sua metrópole, e apenas poderia consumir produtos vendidos por Portugal. Os produtos brasileiros eram comprados a baixos custos e revendidos na Europa com valores bem mais altos, garantindo uma grande margem de lucro para a burguesia lusitana. O sistema colonial foi organizado para explorar ao máximo a colônia. 

 

Devido ao clima tropical, a economia do país baseou-se exclusivamente na exportação de gêneros agrários. Assim,, a base da economia era o latifúndio, a monocultura e a utilização da mão de obra escrava.

 

Leitura

 

“No seu conjunto, a colonização dos trópicos toma o aspecto de uma vasta empresa comercial, destinada a explorar os recursos naturais de um território virgem em proveito do comércio europeu. É este o verdadeiro sentido da colonização tropical, de que o Brasil é uma das resultantes; e ele explicará os elementos fundamentais, tanto no plano econômico como no social, da formação e evolução históricas dos trópicos americanos. 

 

Se vamos à essência da nossa formação, veremos que na realidade nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde ouro e diamantes; depois algodão e, em seguida, café, para o comércio europeu. Nada mais que isto. É com tal objetivo, objetivo exterior, voltado para fora do país e sem atenção a considerações que não fossem o interesse daquele comércio, que se organizarão a sociedade e a economia brasileiras.

 

O ‘sentido’ da evolução brasileira ainda se afirma por aquele caráter inicial da colonização”. 

 

Fonte: PRADO JR, Caio. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo. Brasiliense, 1979. p. 31-2.  

 

 

As Capitanias Hereditárias

Como a Coroa não tinha recursos para colonizar o Brasil, a solução foi implantar um sistema particular de administração: as capitanias hereditárias. Deste modo, o Brasil foi divido em 15 lotes administrados por donatários nomeados pelo rei, que teriam autoridade máxima na região. 

 

Dois documentos estabeleciam a relação entre os donatários e o rei de Portugal: a carta de doação, que concedia ao donatário o direito de exploração das terras, e a carta foral, que estabelecia as atribuições para explorar o lote. 

 

No entanto, a expedição naval empreendida pelos portugueses tinha objetivos comerciais bem definidos: localizar fontes de metais preciosos – fato que não ocorreu no início da colonização americana. Visando a garantir a posse de seus domínios, foram realizadas diversas incursões pelo continente. 

 

Mapa das Capitanias

 

A Economia Açucareira

Uma vez constatado que não havia minas de metais preciosos no litoral, e diante da necessidade de proteger o território recém-descoberto de outras nações estrangeiras, Portugal iniciou no Brasil uma atividade econômica bastante lucrativa: o cultivo da cana-de-açúcar. 

 

A empresa açucareira foi implantada no litoral brasileiro pela grande demanda que o mercado europeu tinha do produto, e pela experiência prévia do comércio e produção do açúcar bem sucedido na ilha da Madeira e no arquipélago dos Açores. Além do fim da atividade predatória realizada com o pau-brasil, iniciava-se um processo de povoamento da colônia. 

 

Os aspectos que mais contribuíram para a organização desse sistema produtivo no Brasil foram: 

 

  • as condições geográficas favoráveis à cultura canavieira, uma vez que o litoral brasileiro apresenta clima quente e abundância de chuvas; 
 
  • a perspectiva mercantilista de angariar grandes lucros com o comércio do produto;
 
  • a participação de holandeses que se encarregariam de transportar e refinar a mercadoria. 

 

A unidade produtora de açúcar estava sob o comando do senhor de engenho, e tinha como principais estruturas:

 

  • Casa-grande: Residência do senhor, que comportava sua família e empregados (capatazes) que faziam sua segurança. A casa-grade era a célula administrativa da empresa açucareira. 
 
  • Capela: local destinado às cerimônias religiosas como missas, batizados, casamentos e velórios. Muitas vezes a capela ficava localizada na própria casa-grande. 
 
  • Senzala: habitação insalubre que comportava os escravos. 
 
  • Casa do engenho: estruturas de produção de açúcar.
 
  • Casa de purgar: local de processamento do açúcar para sua distribuição. 

 

O engenho

 

A Mão de Obra

Os portugueses encontraram vários empecilhos para utilizar os índios no trabalho agrícola. Dentre eles, a inaptidão dos indígenas para uma prática que culturalmente ficava a cargo das mulheres e a hostilidade dos índios frente à tentativa dos lusitanos de escravizá-los. Nesse contexto, a Igreja Católica teve um papel preponderante na proteção dos indígenas através dos jesuítas. 

 

No entanto, os portugueses encontraram uma solução muito lucrativa para a falta de mão de obra na colônia: o tráfico negreiro. Os lucros dessa atividade eram destinados à metrópole, enriquecendo a burguesia e a Coroa portuguesa, que recebia os impostos advindos da escravidão africana. Havia mitos relativos que pregavam a subserviência natural dos negros para o trabalho braçal, e também a omissão da Igreja frente a essa prática. No entanto, a escravidão dos negros foi, principalmente, uma imposição econômica do sistema colonial. 

 

Em Resumo

A monocultura, atividade agrícola fundamentada na produção voltada para o mercado externo, produção de gêneros agrícolas, grandes propriedades rurais (latifúndio), e utilização de mão de obra escrava, foi um negócio muito lucrativo utilizado pelos portugueses nos primeiros anos de colonização. Trata-se do primeiro ciclo econômico do Brasil. 

 

Referências 

ALVES, Alexandre; OLIVEIRA, Letícia Fagundes. . Conexões com a História. 1º Edição. São Paulo: Moderna, 2010. 

FRANCO, Paulo Sergio Silva; MORAES, Marcos Antonio de. Geografia Econômica - Brasil de Colônia a Colônia. Campinas-SP: Átomo, 2010.

LOPES, Luiz Roberto. História do Brasil Colonial. São Paulo:  Novo Século, 2001.

 
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