Texto: Fazendo Ciência e o Método Científico

Fazendo Ciência e o Método Científico

O ser humano é naturalmente curioso. Cada fenômeno natural que observamos levanta-nos uma série de questões: Por que isso ocorre? Isso voltará a acontecer? Eu posso prever quando acontecerá novamente? Muitas vezes, acabamos recorrendo a respostas extraordinárias e pouco baseadas na realidade para saciar nossa curiosidade sobre diversos fatos. Mas, os cientistas e pesquisadores são pessoas que buscam respostas para essas questões de uma maneira racional, utilizando uma série de métodos que possibilitam uma confiabilidade grande dos resultados. O conjunto desses conhecimentos recebe o nome de ciências (do latim scientia = conhecimento).
 
 
A ciência nem sempre evolui através de grandes saltos e grandes descobertas. O desenvolvimento científico ocorre por meio do acúmulo gradual de conhecimento. Cada pesquisa é um passo adiante do que havia sido feito. Mas, o conhecimento científico não é definitivo. Quando novas descobertas demonstram que nosso conhecimento anterior estava errado, este é substituído por informações mais novas. Essa é uma das maiores grandezas da ciência, sua característica mutável, de se corrigir e se aprimorar a cada nova descoberta.
 
A ciência não é desenvolvida apenas em laboratórios e no campo por pesquisadores e cientistas. Você e seus amigos, com o auxílio de seus professores, também podem desenvolver conhecimento científico. Para guiar o desenvolvimento desse conhecimento, existe o que chamamos de método científico.
 

Método Científico

O método científico é um conjunto de regras básicas que devem ser utilizados na elaboração de um estudo, visando desenvolver ou aprimorar certo campo do conhecimento. Esses métodos são utilizados para solucionar desde problemas cotidianos até questões universais. Apesar de haver variações para se encaixar melhor em diferentes áreas do conhecimento, o método científico possui algumas etapas básicas, que você verá a seguir.
 

Etapas do Método Científico

Observação

A primeira etapa para uma pesquisa científica é observar alguma questão que desperte interesse ou que necessite de uma solução. Por exemplo, Daniel observou que as plantas que o avô cultivava no jardim não estavam crescendo como o esperado. Daniel, então, utilizou diversos produtos que ele possuía pra criar um fertilizante, com o objetivo de melhorar o crescimento da plantação de seu avô. No entanto, Daniel necessitava testar a eficiência do fertilizante desenvolvido.
 

Hipótese

Por meio de conhecimentos desenvolvidos previamente, nós podemos formular hipóteses. As hipóteses têm como objetivo explicar algum fenômeno e prever suas consequências. No caso do efeito do fertilizante sobre o crescimento das plantas, Daniel desenvolveu a hipótese de que seu fertilizante acelera o crescimento das plantas, pois possui nutrientes minerais de que a planta necessita para se desenvolver. 
 

Experimentação

A fase de experimentação é uma das mais importantes e que exigem mais de um pesquisador. Nessa etapa, o pesquisador testará suas hipóteses, verificando se um determinado fator realmente é a causa de um fenômeno. Um dos modos mais práticos é através de um experimento que compare um tratamento e um controle. O tratamento é o grupo a ser testado que está sob efeito de um fator que desejamos medir. Já o grupo controle é um grupo sob condições idênticas, mas sem a presença do fator a ser medido. Para testarmos se o fertilizante acelera o crescimento de uma espécie de planta, Daniel separou dois grupos de plantas muito semelhantes. Um dos grupos é um conjunto de plantas em que foi aplicado o fertilizante, chamado de grupo tratamento. O segundo grupo é composto por um conjunto de plantas iguais, expostas à mesma condição, mas sem a presença do fertilizante. Esse é o grupo controle. 
 
 

Saiba Mais!

Até metade do século XIX, achava-se que os seres vivos surgiam a partir de matéria não viva. Por exemplo, acreditava-se que após deixarmos matéria em decomposição, organismos complexos, como vermes, moscas e micro-organismos, surgiam espontaneamente a partir dessa matéria. Isso gerou muitas discussões durante um longo tempo, entre cientistas que defendiam a ideia da vida surgindo da matéria não viva e cientistas que defendiam a ideia de que um ser vivo só surge a partir de outro ser vivo. No entanto, um cientista francês chamado Louis Pasteur realizou experimentos que se tornaram referencias no uso do método científico para defender sua hipótese de que os seres vivos não surgiam da matéria não viva. Através de um experimento utilizando dois frascos, um que permitia a entrada de germes e outro que barrava essa entrada, Pasteur conseguiu demonstrar que os seres vivos não surgem espontaneamente e, sim, derivados de outros seres vivos iguais. Sua elaboração de hipótese e a sequência de etapas realizadas no experimento serviram de guia para a idealização dos métodos científicos modernos.


Conclusão

A partir dos resultados dos experimentos é possível aceitar ou rejeitar a hipótese. No experimento de Daniel sobre o efeito do fertilizante sobre o crescimento das plantas, supomos que as plantas com fertilizante cresceram significativamente mais rápido que as sem fertilizante. Podemos concluir que o fertilizante criado por Daniel acelera o crescimento das plantas utilizadas no teste, confirmando sua hipótese. Caso o resultado demonstrasse que não houve diferença entre o crescimento das plantas nos dois grupos, a hipótese seria rejeitada.
 
Louis Pasteur (1822 - 1895)


Em Resumo

No nosso início do estudo de ciências, aprendemos como se desenvolve nosso conhecimento científico. Vimos a importância do método científico, um conjunto de regras utilizadas para guiar a elaboração de uma pesquisa científica. Esse método é baseado em várias etapas, sendo as principais: observação de algum fenômeno de interesse; elaboração de uma hipótese que explicaria o fenômeno; elaboração de um experimento que mostraria se a hipótese é verdadeira ou não; e, conclusão, a partir dos resultados do experimento.
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