Texto: As Crises do Petróleo

As Crises do Petróleo

O petróleo é conhecido desde a antiguidade pelo homem, tendo seu uso destinado para fins bélicos, para construção de projéteis incendiários e também na iluminação. Já seu uso moderno, como importante fonte de energia, começou no século XIX, com o início da exploração comercial em poços do Leste Europeu e da Ásia central, onde a pouca profundidade dos poços descobertos facilitava sua retirada.

 

 

Com a Segunda Revolução Industrial atingindo seu auge no fim do século XIX, as necessidades de uso do petróleo cresceram velozmente, tanto como fonte de energia para os processos fabris, como para a revolução que também se dava na química, principalmente em sua área orgânica.

 

No século XX, o consumo de petróleo teve um imenso crescimento, assim como a procura por reservas desse recurso. Porém, dadas as condições técnicas, a procura pelo óleo negro baseava-se em terra e ainda em profundidades pequenas comparadas às atuais, o que limitava também sua exploração nas áreas onde as reservas encontravam-se próximas à superfície. Essas áreas localizavam-se nos Estados Unidos e, principalmente, no Oriente Médio.

 

Essa segunda região, o Oriente Médio, veio a se destacar pelas imensas reservas que foram encontradas em seu subsolo, ficando os países com suas economias basicamente atreladas à exploração desse produto e aos ditames externos de grandes potências. Essa situação de dependência e influência externa levou os países produtores de petróleo a criar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com o objetivo de regular a produção e evitar o excesso do produto no mercado, mantendo o preço elevado. Em suma, isso pode ser entendido como a prática de um cartel.

 

Com a dependência industrial e energética pautada no petróleo, a elevação nos preços dessa matéria-prima passou a afetar de maneira imediata toda a cadeia produtiva do planeta, e foi justamente o que aconteceu durante a segunda metade do século XX.

 

A Primeira Grande Crise do Petróleo (1973)

A OPEP, que tinha como membros países árabes, usou o preço do petróleo como arma durante os conflitos ocorridos na região. A primeira grande crise do produto ocorreu em 1973, em decorrência da derrota de Egito e Síria na Guerra do Yom Kippur, contra Israel. Essa crise foi desencadeada em represália ao apoio direto dos EUA ao Estado judeu no conflito. De modo proposital, os países árabes reduziram a exploração e a comercialização de petróleo, o que levou a um aumento do preço do barril, fazendo com que os EUA entrassem em recessão. O preço do óleo, que até então se encontrava em patamares muito baixos, teve aumento de 300% em poucos meses.

 

Ilustração representando o ataque egípcio a posições israelenses nos primeiros momentos da Guerra do Yom Kippur

 

A Segunda Grande Crise do Petróleo (1979)

A segunda grande crise ocorreu em decorrência da instabilidade do Irã. Esse país era o principal aliado dos Estados Unidos na região do Golfo Pérsico, sendo também fonte da maior parte de petróleo consumido pela potência ocidental. A Revolução Iraniana em 1979, que tirou o Xá Reza Pahlevi do poder e colocou em seu lugar o líder religioso Aiatolá Khomeini, trouxe profundas mudanças nas relações entre os dois países. A troca de líderes fez com que a postura em relação aos EUA também se alterasse, iniciando uma fase de instabilidade regional e de forte oposição à influência estadunidense na região do Oriente Médio, o que levou os preços do petróleo a dispararem novamente, afetando o mundo todo.

 

Outras Crises do Petróleo

As duas crises da década de 1970, entretanto, não haviam sido as primeiras e tampouco as últimas. No ano de 1956, quando Gamal Abdel Nasser nacionalizou a passagem do Canal de Suez para o Egito, ocorreu uma guerra com França, Inglaterra e Israel. A crise desencadeada nessa importante passagem entre o ocidente e oriente, e principal via de transporte do petróleo extraído no Oriente Médio para Europa e EUA, também gerou um aumento nos valores do barril.

 

Após a Revolução Islâmica no Irã (1979), o vizinho Iraque, temendo uma revolta semelhante e com interesses territoriais na fronteira, iniciou um conflito que levaria oito anos para ter fim. A Guerra Irã-Iraque colocou frente a frente dois importantes produtores de petróleo, e, nas estratégias de ambos, atacar a produção e os sistemas de exploração e distribuição tornou-se comum durante todo o conflito. Nesse período, uma das mais importantes ações foi a chamada Guerra dos Petroleiros, quando o Iraque lançou uma campanha para afundar navios iranianos nas águas do Golfo Pérsico, o que afetou toda a região, pois navios de países neutros também foram atacados.

 

A evolução do preço do barril de óleo, que não tinha se recuperado do choque da crise do Irã, manteve um patamar elevado durante toda a década de 1980, ocasionando perdas financeiras a níveis mundiais, uma das razões de chamar esse período de a década perdida.

 

Outras crises viriam a balançar o preço desse importante recurso, como a Guerra do Golfo, de 1990-1991, quando o Iraque invadiu o Kuwait e ateou fogo em seus campos petrolíferos ao fim do conflito, e a posterior invasão daquele país pelos EUA, em 2003, devido a alegações de que o Iraque possuía armas de destruição em massa.

 

A região do Oriente Médio esteve envolvida em várias disputas desde a segunda metade do século XX. Sendo ela a principal reserva de extração de petróleo, os preços desse produto sempre foram afetados por essas crises, levando sempre a grandes prejuízos em todo o planeta.

 

Aviões da coalizão ocidental sobrevoam campos de petróleo incendiados no Kwait, durante a Guerra do Golfo 1990-1991

 

Em Resumo

O petróleo é a mais importante fonte de energia em uso no planeta e, por isso, tem um relevante papel na economia global. Os principais campos de exploração desse recurso localizam-se no Oriente Médio, região que enfrentou nas últimas décadas várias crises e conflitos, afetando sua produção e distribuição, o que gerou as chamadas crises do petróleo, devido à elevação mundial dos preços desse produto.

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