Texto: O Diretório e o Imperialismo Napoleônico

O Diretório e o Imperialismo Napoleônico

fase do processo revolucionário francês que compreende o que chamamos de Diretório foi tão conturbada quanto as anteriores. No plano interno, havia constantes revoltas promovidas pelos simpatizantes da monarquia e pelo setor representado pelos jacobinos, os sans-culottes. 

 

Napoleão Bonaparte

 

Para reprimir essas rebeliões, o exército, que fora convocado para fazer frente às invasões estrangeiras, atuou na contenção do levante popular. Tal fato fortaleceu, ainda mais, a importância política das forças armadas francesas. 

 

Desse modo, com o fortalecimento do exército, iniciou-se um arrojado projeto: a expansão territorial. Paulatinamente, o exército francês suplantou tropas nas fronteiras da Holanda, Suíça e Itália, ampliando seu território. Nesse momento, destacou-se, como hábil político e estrategista, o militar Napoleão Bonaparte.

 

O Consulado

Exímio estrategista e com notável habilidade política, o jovem general Napoleão Bonaparte conquistou a simpatia e o apoio da alta burguesia francesa e do exército, ambos receosos com a situação enfrentada pelo país. Havia o temor do retorno da monarquia, bem como a volta da carnificina jacobina. 

 

Ciente da situação, Napoleão liderou um golpe de estado que culminou na instalação do Consulado, em 10 de novembro de 1799. Esse episódio ficou cristalizado na história como o 18 Brumário (ver quadro sobre o calendário revolucionário). 

 

O novo governo seria regido por uma junta de três cônsules, sendo Napoleão o primeiro deles. Em 1802, sua condição de cônsul tornou-se vitalícia, e, dois anos mais tarde, Napoleão se autoproclamou imperador da França, concentrando o poder político em suas mãos. 

 

A Administração Napoleônica

Uma vez consolidado no poder, Napoleão adotou uma série de medidas para atenuar a desordem interna que assolava a França. A economia se recuperou gradativamente graças a uma reforma tributária e investimentos em obras públicas, fato que contribuiu com a geração de postos de trabalho para o grande contingente de desempregados ociosos nas cidades. 

 

 

Outra grande manobra foi a criação do Banco da França, o que permitiu a criação de uma unidade monetária. Com o estabelecimento da moeda nacional, o franco, os comerciantes e industriais puderam expandir seus negócios e adquirir financiamentos do poder público. 

 

No plano social, foi instituída a educação pública. Essa medida foi considerada estratégica para educar o povo a obedecer ao imperador e para qualificar profissionais e combatentes na França. 

 

Navios de Guerra Ingleses

 

O controle social foi consolidado com a promulgação do Código Civil francês. Essa nova constituição garantia os direitos individuais, mas proibia ações como greves, manifestações antigovernistas e organização dos trabalhadores em sindicatos, algo que favoreceu o fortalecimento da burguesia francesa. 

 

No plano externo, o governo de Napoleão foi marcado por diversos conflitos com nações europeias e pela anexação de vários países. O principal adversário do império francês foi a Inglaterra, cuja frota marítima conseguiu impor inúmeras derrotas aos soldados franceses. 

 

Uma vez consolidada a soberania bélica da Inglaterra, o imperador francês buscou derrotá-la por meio de outro viés, o econômico. Com o Bloqueio Continental, foi estabelecida a proibição, de qualquer Estado da Europa, de comercializar produtos com a Inglaterra. 

 

Tal medida visava causar uma crise econômica na Inglaterra. Porém, os ingleses conseguiram reverter essa situação a partir da conquista de novos mercados nas Américas espanhola e portuguesa. 

 

O Fim do Império Napoleônico

A campanha de conquista empreendida por Napoleão Bonaparte fez com que diversas nações se unissem para pôr fim ao império francês. Nesse contexto, o exército de Napoleão sofreu diversas derrotas, sobretudo na Campanha da Rússia

 

Em 1814, a França foi invadida. Acuado, Napoleão foi forçado a renunciar do poder e se exilar na ilha de Elba, localizada no Mediterrâneo. Seu sucessor foi Luís XVIII, irmão de antigo monarca Luís XVI. 

 

Um ano mais tarde, Napoleão conseguiu retomar o poder. Durante o Governo dos Cem Dias, no entanto, uma nova coligação internacional tornou a derrotá-lo na Bélgica. Mais uma vez deposto e exilado, Napoleão faleceu em 1821, na Ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul. 

 

Saiba Mais!

 

O Calendário da Revolução

 

Uma vez proclamada a República francesa, os revolucionários estabeleceram um novo calendário para comemorar a revolução.

 

O novo sistema de organização do tempo recebeu o nome de Calendário Perpétuo, devido ao interesse de seus idealizadores em eternizar os feitos da revolução. Assim como no calendário gregoriano, o revolucionário era dividido em 12 meses, mas cada um com exatos 30 dias. E os nomes dos meses se relacionavam com as condições de clima ou as estações do ano. 

 

Esse calendário esteve em vigor de 1792 até 1806, quando Napoleão Bonaparte reinstituiu o Calendário Gregoriano. 

 

 

Saiba Mais!

 

O livro Guerra e Paz, do escritor russo Leon Tolstói, reproduz cenas cotidianas na Rússia durante a invasão do exército napoleônico ao país. 

 

O filme Napoleão (2002) de Yves Simoneau é bastante interessante para consolidar os conhecimentos adquiridos neste tópico.

 

Em Resumo

Napoleão Bonaparte constituiu os principais impérios da história da humanidade; mais que isso, seu imperialismo abalou profundamente as bases do absolutismo monárquico europeu. Enquanto esteve no poder, apenas as monarquias britânica e portuguesa não se submeteram aos seus domínios. Isso refletiu diretamente na história de nosso país, uma vez que as invasões napoleônicas foram a causa da vinda da Família Real para o Brasil que se tornaria, a partir de então, a sede do império português. 

 

Referências 

HOBSBAWMEric J. A Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

HOBSBAWMEric J. A Era das revoluções: Europa (1789-1848). Tradução de Maria Tereza Lopes e Marcos Penchel. 20. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2006. 

MOTA, Carlos Guilherme. A Revolução Francesa. São Paulo: Scipione, 1994. (Discutindo a história)

PELLEGRINI, Marco César; DIAS, Adriana Machado; GRINBERG, Keila. Vontade de saber história 8º ano. 2. ed. São Paulo: FTD, 2012.

TULARD, Jean. História da Revolução Francesa (1789-1799). Tradução de Sieni Maria Campos. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.

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