Texto: Processos de Interação Social

Processos de Interação Social

A socialização é uma força coercitiva através da qual o indivíduo, a partir de seu nascimento, é introduzido na vida social. Esse processo dá-se primeiramente através da instituição familiar, ambiente no qual recebemos o primeiro conjunto de regras, valores e costumes sociais.  É o processo de socialização que permite ao indivíduo identificar de maneira objetiva e subjetiva o seu contexto social.

 

Esse processo será continuo por toda a vida, ou seja, extender-se-á através da escola e do trabalho, por exemplo.

 

O processo de aprendizado é constante, e se amplia na medida em que os indivíduos trocam seus saberes com outros indivíduos e grupos sociais.

 

 As pessoas gostam de estilos musicais diferentes, praticam esportes diferentes, apreciam comidas diferentes, etc. Portanto, ao escutar uma música, ao saborearmos uma comida ou dançarmos estamos em contato e troca com outras formas de organização social. Algumas vezes, sentimo-nos mais íntimos, outras vezes, temos total estranhamento ao nos depararmos com um ritmo musical, uma dança, entre tantas outras atividades sociais.

 

Mas o que permite esse sentimento de intimidade ou estranhamento em face de determinada manifestação cultural ou prática social? 

 

Algumas práticas sociais singulares podem ser comunicadas aos demais grupos societários, e, nesse sentido, é a nossa capacidade de reconhecimento e assimilação que nos aproxima de outros saberes. Um indivíduo convive com outras pessoas e outras culturas; nesse convívio, efetua trocas de informações e conhecimento que são assimilados a partir de uma rede de códigos passíveis de serem interpretados por todos os membros. Esse processo permite ao indivíduo construir, reproduzir, reinterpretar e transformar um conjunto de concepções do grupo. É nessa negociação que o indivíduo constrói sua identidade social.

 

 

A interação social ocorre no campo semântico. Ela oferece ao indivíduo um leque de informações que o ajudarão a consolidar sua identidade, seja por aceitação ou negação de algo. Por exemplo, em uma partida de futebol, existem dois times: um opõe-se ao outro, com suas torcidas, com seus jogadores. As torcidas representam histórias de grupos diferentes, que podem ser facilmente reconhecidas por suas tradições, cores, gritos de guerra, origem, etc. Embora haja times adversários, todos os envolvidos na partida de futebol são capazes de assimilar os acontecimentos de uma partida, uma vez que a regra do jogo é clara para todos os envolvidos. É por isso que os torcedores, jogadores, juízes, reconhecem o que é uma bola dentro da trave: GOOOOOOL!

 

Quando não há nenhum elo de comunicação, os códigos de uma determinada organização social são totalmente estranhos ao indivíduo. Como, por exemplo, quando estamos diante de um grupo societário novo, ou totalmente desconhecido, é evidente a ausência da rede semântica. 

 

A interação social é uma ação social orientada, na qual dois ou mais indivíduos estabelecem contato e significado em relação às ações de outras pessoas ou grupos. Através do contato, é possível, por exemplo, aprender a jogar futebol, torcer por um determinado time, adquirir determinada crença, comportar-se de determinada forma à mesa, etc. 

 

A interação social pode modificar o comportamento social dos indivíduos envolvidos. Nesse sentido, a interação acontece no nível individual, mas também em contextos mais amplos, como entre grupos sociais.

 

Saiba Mais!

Ao contrário do que se passa nas sociedades tradicionais, nas sociedades modernas estamos constantemente interagindo com outras pessoas que nunca vimos ou conhecemos. Praticamente todos os nossos encontros quotidianos, como as compras no supermercado ou uma ida ao banco, fazem-nos entrar em contato – indireto, não obstante – com pessoas que poderão viver a milhares de quilômetros de distância. O sistema bancário, por exemplo, é internacional. Qualquer dinheiro que se deposite é uma pequena parte do investimento financeiro que o banco faz no mundo inteiro. Algumas pessoas temem que os rápidos avanços na tecnologia da comunicação, como o correio eletrônico, a internet e o comércio on-line, venham apenas a aumentar essa tendência, para haver cada vez mais interações indiretas. Segundo alguns autores, nossas sociedades estão a se tornar “afônicas” à medida que as potencialidades da tecnologia aumentam ainda mais. De acordo com essa perspectiva, as pessoas estão se isolando cada vez mais à medida que o ritmo de vida aumenta: hoje em dia interagimos mais com os nossos ecrãs de televisão e os monitores de computador do que com os vizinhos ou membros da mesma comunidade.

 

Qual será a natureza das interações ligadas ao correio eletrônico, ao sistema de mensagens instantâneas, aos grupos de discussão eletrônica e às aulas de chat, que agora se tornaram elementos da vida de muitas pessoas nos países industrializados, e que complexidades estão emergindo daí?

 

Fonte: GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004. p. 101.

 

Em Resumo

Neste tópico vimos que a interação social é uma ação social orientada, na qual dois ou mais indivíduos estabelecem contato. Nesse processo, a comunicação é uma constante, tanto entre grupos diferentes, como internamente. Essa interação ocorre o tempo todo  desde os primeiros anos de vida do ser humano. 

 

Referências 

BERGER, Peter; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1976. p. 177-178.

GOLDMAN, M. Uma categoria do pensamento antropológico: a noção de Pessoa. Revista de antropologia, v. 39, n. 1, 83-110, 1996.

DUMONT, L. Homo-Hierachicus. São Paulo: Edusp, 1992.

______. O individualismo: uma perspectiva antropológica da ideologia moderna. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.

DURKHEIM, Émile. Algumas formas primitivas de classificação. In: RODRIGUES, J. A. (Org.). Émile Durkheim. São Paulo: Ática, 1978. p. 183-203. (Col. Grandes Cientistas Sociais)

ELIAS, N. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994.

______. O processo civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1993.

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