Texto: O Texto e o Verbo II/ Variação linguística I

O Texto e o Verbo II/ Variação linguística I

Estudamos um pouco, no tópico anterior, sobre a estrutura do verbo. Vimos alguns aspectos iniciais e neste tópico daremos continuidade a esse estudo. Estudaremos também um assunto de extrema relevância hoje: variação linguística, assunto bastante cobrado no ENEM e nos vestibulares.

 

Variação Linguística

 

“A palavra distingue o homem dentre os animais: a linguagem distingue as nações entre si; somente se sabe de onde é um homem após ele ter falado”.

(ROUSSEAU, Jean-Jacques. Ensaio sobre a origem das línguas. Campinas: Editora da Unicamp, 2008.)

 

Nas competências e habilidades propostas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), ressaltamos a competência de número 8 e principalmente suas habilidades, que se voltam para o assunto variação linguística:

 

Competência de área 8 – Compreender e usar a Língua Portuguesa como Língua Materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade.

 

H25 – Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. 

 

H26 – Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.

 

H27 – Reconhecer os usos da norma padrão da Língua Portuguesa nas diferentes situações de comunicação.

 

 

Não se pode, hoje, estudar línguas sem passar por esse importante assunto. É preciso ter a noção de que a língua não é falada da mesma maneira por todos os seus falantes, muito menos escrita da mesma forma que se fala. Há condicionantes que fazem com que a língua se ajuste, por exemplo, ao perfil social do falante, ao local de nascimento, à situação do momento da fala/escrita. Sendo assim, é necessário conhecer o maior número de modalidades faladas e escritas para a articulação eficiente da língua. Para exemplificar, veja abaixo uma propaganda da Gradiente publicada na revista Veja:

 

Fonte: Veja, 18 dez. 2002, p. 59-72.Disponível em: http://www.veja.abril.com.br/acervodigital.

 

Ao colocar em pauta as variações linguísticas, deve-se pensar que a língua apresenta variações em torno dos seguintes itens:

 

  • Época;
  • Região;
  • Escrita e falada;
  • Norma culta e norma popular;
  • Formal e informal.


A Língua Portuguesa apresenta variações com o tempo e com a época. O português do momento histórico de Tomás Antônio Gonzaga não é o mesmo da época de Machado de Assis e não é o português que utilizamos hoje. Notamos que há pouco tempo houve uma mudança na ortografia. Dessa maneira, lembre-se de que a língua se transforma com o tempo e que as pessoas também apresentam, numa mesma época, falares diferentes de acordo com a idade.

 

Leia abaixo texto publicado no jornal Folha da Manhã (jornal que deu origem à Folha de São Paulo), em 30 de janeiro de 1930.

 

Fonte: Folha da Manhã, 30 jan. 1930. Disponível em: http://www.acervo.folha.com.br/.

 

Ainda em relação às variantes linguísticas, ressalta-se a variação regional. Sotaque, expressões e palavras típicas de cada micro e macrorregiões do país configuram esse tipo de variação. Leia abaixo o fragmento do poema “Noturno de Belo Horizonte”, de Mário de Andrade: 

 

[...]

E abre alas que Eu quero passar!

Nós somos os brasileiros auriverdes!

As esmeraldas das araras

Os rubis dos colibris

Os abacaxis os mangas os cajus

Atravessam amorosamente

A fremente celebração do Universal!

 

Que importa uns falem mole descansado

Que os cariocas arranhem os erres na garganta

Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais?

Que tem se o quinhentos réis meridional

Vira cinco tostões do Rio pro Norte?

Juntos formamos este assombro de

misérias e grandezas,

Brasil, nome de vegetal..

[...]

 

ANDRADE, Mário de. Poesias completas.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013. v. 1.

 

Leia abaixo uma questão proposta pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL), no vestibular 2009:

 

“É o seguinte. Vou ser bem sincero pra ti. Eu roubei um carro. Agora. Eu peguei o carro e tinha uma criança dentro. Eu não vi, entendeu? Então tu manda uma viatura lá e manda o filho da p* do pai dele pegar ele e levar pra casa. Um piazinho, tá?” Assim começou o rápido diálogo entre um ladrão e um policial na delegacia da Brigada Militar (PM) de Passo Fundo, no interior gaúcho, na noite da quarta-feira, 17. O policial quis saber qual era o carro: “É um Monza. Tem um piazinho dormindo no banco de trás. E diz pro filho da p* que, da próxima vez que eu pegar aquele auto e tiver um piá lá, eu vou matar ele”. 

 

(Adaptado de: Carta Capital, 24 set. 2008, ano XV, n. 514, p. 25.)

 

Verbo

No tópico anterior, vimos que o presente do indicativo é tempo primitivo que forma o presente do subjuntivo e o imperativo (afirmativo e negativo). Agora vamos, a partir do pretérito perfeito do indicativo, formar mais tempos verbais, a saber: pretérito mais-que-perfeito do indicativo, futuro do subjuntivo e pretérito imperfeito do subjuntivo. Para que constituamos esses três tempos verbais do tempo primitivo pretérito perfeito, devemos saber de fato a terceira pessoa do plural do pretérito perfeito, na qual sempre vai aparecer a terminação -ram (eles participaram, eles andaram, cobraram, leram, comeram, fizeram, caíram etc). Veja, nas tabelas abaixo, como utilizamos a terceira pessoa do plural na formação dos outros tempos verbais.

 

 

Para formar o pretérito mais-que-perfeito do indicativo, eliminamos na terceira pessoa do plural do pretérito perfeito -m (eles andaram  → eu andara) e acrescentamos as desinências que indicam as pessoas do discurso.

 

Para formar o futuro do subjuntivo, eliminamos na terceira pessoa do plural do pretérito perfeito -am (eles andaram → (quando) eu andar) e acrescentamos as desinências que indicam as pessoas do discurso.

 

 

Fique atento a alguns verbos que apresentam, na fala, forma diferente da cobrada pela norma culta. O verbo ver, conjugado na tabela acima, é um dos que merecem atenção (observe também os compostos do verbo ver). Outros verbos problemáticos são: pôr e compostos, dar, ter e compostos, vir e intervir.

 

Para formar o pretérito imperfeito do subjuntivo, eliminamos na terceira pessoa do plural do pretérito perfeito -ram e acrescentamos -sse (eles andaram → (se) eu andasse); após isso, acrescentamos as desinências que indicam as pessoas do discurso.

 

 

Da mesma maneira, fique atento aos verbos problemáticos, como o verbo pôr (já conjugado) e aos compostos de pôr : repor, compor, supor, depor etc. Outro verbo que necessita de atenção é o verbo ter (e compostos).

 

Saiba Mais!

 
  • O pretérito perfeito indica basicamente uma representação verbal no passado, mas pode representar ato futuro, com o auxílio de outros mecanismos linguísticos:
 
  • Amanhã, a esta hora, já realizamos os testes com a vacina.
 
  • No modo subjuntivo, expressa-se a ação verbal como algo possível ou esperado. Normalmente, os verbos nesse modo ocorrem em períodos subordinados, daí o uso na fala de que, quando ou se antes de um verbo no subjuntivo (como se tivéssemos uma oração principal subentendida). O subjuntivo é chamado, inclusive, de conjuntivo em algumas línguas, como no português europeu, por ser introduzido por uma conjunção.

 

Em Resumo

Neste tópico, você deu continuidade aos estudos verbais. Há, ainda, muito estudo a ser realizado por você! Fique atento aos verbos problemáticos (veja que, em relação a esses verbos, há uma diferença entre a fala de muitos e a maneira de escrita). Também treine o uso de verbos e verifique seus sentidos nos mais diversos textos que você encontrar pela frente, nos quais você deve observar a variação linguística, assunto de extrema importância para todos os estudantes. Sobre tal aspecto, estudamos duas modalidades neste tópico: a regional e a de época.

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