Texto: Alberto de Oliveira

Alberto de Oliveira

Neste tópico, apresentaremos os pontos principais concernentes a Alberto de Oliveira, considerado um dos representantes mais ortodoxos do Parnasianismo. 

 

O Lado Ortodoxo do Poeta 

Antônio Mariano Alberto de Oliveira nasceu em Palmital de Saquarema, Rio de Janeiro, em 1859, e faleceu em Niterói, em 1937. Cursou Medicina, mas se formou em Farmácia. Exerceu diferentes cargos públicos relacionados à educação, entre eles o de professor de língua e literatura. Também foi um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras e prestigiado em seu tempo, haja vista que, em 1924, fora eleito “Príncipe dos poetas brasileiros”. 

 

A produção poética de Alberto de Oliveira iniciou mediante a publicação da obra Canções românticas, indicando, claramente, o fato de o poeta ter seus primeiros escritos relacionados a essa estética, mesmo que ela já se encontrasse marcada pela contenção lírica. Seguindo os conselhos de Machado de Assis, o poeta encaminhou-se para o Parnasianismo, obedecendo a rigidez métrica e a impassibilidade, motivo que o fez um dos principais representantes dessa estética.  

 

Saiba Mais!

 

Alberto de Oliveira foi, certamente, o mais ortodoxo dos parnasianos e, em virtude disso, provocou opiniões contraditórias a seu respeito. Observe o que alguns poetas disseram a respeito dele:

 

“Alberto de Oliveira foi dos mestres parnasianos o que mais se deixou prender aos rigores da escola, o que mais se distingue pelo conceito escultural da forma” (Manuel Bandeira).

 

“Senhor Alberto de Oliveira, me desculpe: Por que o Senhor trocou tanto lirismo liederesco como o de nenhum outro poeta brasileiro, por uma poesia de mentira? Que frase complicada, puxa! Cada torcedura de sintaxe!” (Mário de Andrade).

 

“Se é verdade que Alberto de Oliveira sofreu a influência dos parnasianos franceses, não é menos certo que, há muito, dela se libertou, ganhando maior amplitude os seus temas e mais simplicidade a sua poesia, sempre elegante, aliás, e sempre correta” 

 

(Ronald de Carvalho).

 

E você? O que pensa da poesia de Alberto de Oliveira? Discuta com seus colegas sobre esse assunto! 

 

 

Com efeito, o poeta é considerado o mais rigoroso de todos. Ele trabalhou considerando uma visada estética dos objetos tão-somente, descrevendo elementos que variam entre obras de arte, natureza, mulher até mesmo um muro. Seus principais poemas são “O muro”, “Vaso chinês” e “Vaso grego”. O importante é conhecer nesse poeta a temática abordada em sua obra: a elaboração da poesia perfeita. Por essa razão, ele é considerado o parnasiano ortodoxo, impassível, imparcial frente à elaboração poética. Observe um exemplo de poema em que encontramos as características citadas: 

 

Às mãos o escopro, olhando o marmor: “Quero

– O estatuário disse – uma por uma 

As perfeições que têm as formas de Hero

Talhar em pedra que o ideal resuma”.

 

E rasga o Paros, Graça toda e esmero,

A fronte se arredonda em nívea espuma;

Eis ressalta o nariz de ralhe austero,

Alça-se o colo, o seio se avoluma;

 

Alargam-se as espáduas; veia a veia

Mostram-se os braços... cede a pedra ainda

A um golpe, e o ventre nítido se arqueia;

 

A curva, enfim, das pernas se acentua...

E ei-la, acabada, a estátua heroica e linda,

Cópia divina da beleza nua. 

 

(OLIVEIRA, 1969, p. 21-22).

 

No soneto (dois quartetos e dois tercetos) percebemos o apego do poeta aos cânones formais e temáticos. Notamos que o eu lírico espelha seu trabalho no do escultor, que esculpe o mármore com perfeição. Os decassílabos são tipicamente elaborados com o esmero parnasiano, pois evitam os hiatos (A /fron/te /se a/rre/don/da em /ní/vea es/pu/ma); típica dureza da métrica parnasiana. 

 

Observe também a elaboração cuidada das rimas ricas (palavras de diferentes classes gramaticais): quero/Hero, uma/resuma; esmero/austero; espuma/avoluma; veia/arqueia; ainda/linda; acentua/nua. O verso de ouro também se encontra presente no texto, de forma a abrilhantar o poema em questão: “cópia divina da beleza nua”. 

 

A figura da estátua verificada no poema de Alberto de Oliveira corresponde a um exemplo dos cânones elaborados pelo Parnasianismo, a fim de representar o culto à forma, aos valores greco-latinos. 

 

Atenção!

Por mais ortodoxo que o poeta costume ser visto pelos estudiosos da literatura, há uma poesia “menos contida” e que tem atraído os olhos dos leitores, na qual vemos uma expansão íntima. Observe o poema “Sob as copadas árvores”. Nele, o eu lírico apresenta o seu “grande tormento” mediante a expressão da natureza, das copadas árvores, que tomam vida no poema. Mesmo que ainda se valendo da sobriedade, o poema apresenta uma delicada melancolia, expressada por meio de uma linguagem simples. A impassibilidade do autor fica marcada pela elaboração de versos curtos (hexassílabos e tetrassílabos).  

 

Sob as copadas árvores me assento

E a fumar passo o dia.

Sussurra a voz do vento

Na ramaria.

As folhas verdes agitadas se olham

Com um modo singular,

E algumas que se esfolham

Me vêm falar.

 

E o vento passa. E as folhas, descobrindo

O meu grande tormento,

Afastam-se, fugindo,

Com o vento.  

 

(OLIVEIRA, 1969, p. 37).

 

Você Sabia?

A despeito do senso comum em relação aos parnasianos, podemos encontrar alguns elementos expressivos na poesia de Alberto de Oliveira, a exemplo da ironia. Observe o poema “Num trem de subúrbio”: 

 

No trem de ferro vimo-nos um dia,

E amarmo-nos foi obra de um momento,

Tudo rápido, como a ventania,

Como a locomotiva ou o pensamento.

– Amo-te!

– Adoro-te!

A estação primeira

Surge. Saltamos nela ao som de um berro.

Nosso amor, numa nuvem de poeira,

Tinha passado, como o trem de ferro. 

 

(OLIVEIRA, 1969, p. 46) 

 

Note que o poema trata ironicamente a temática amorosa, tantas vezes abordada de maneira idílica pelos românticos. Observe que o som do berro elimina qualquer possiblidade de idealização da cena amorosa. Assim, o poeta aproxima seu texto lírico ao comezinho, evidenciando como a realidade burguesa pode ser banal e fugidia; é, portanto, outra maneira de o poeta parnasiano se expressar avesso ao Romantismo. 

 

Leitura  

Como sabemos, o culto à mitologia greco-latina corresponde a uma das características do Parnasianismo. No poema “A estátua”, Alberto de Oliveira exalta a Antiguidade Clássica mediante a presença de Hero e da história subentendida de Pigmalião. Enquanto isso, Commelin, na obra Mitologia grega e romana, descreve inúmeras histórias dessa cultura. Vamos conhecer um pouco mais as histórias exaltadas por Alberto de Oliveira? 

 

Hero e Leandro

 

Hero, sacerdotisa de Vênus, morava em Sesto, cidade situada à beira do Helesposto, do lado da Europa; em face ficava Abido, ao lado da Ásia, onde morava o jovem Leandro. Este, tendo-a visto numa festa de Vênus, apaixonou-se e fez-se amar por ela, e vinha vê-la atravessando a nado o Helesposto, num trajeto, naquele lugar, de oitocentos e setenta e cinco passos.

 

Hero mantinha todas as noites um archote aceso no alto de uma torre, para conduzi-lo em sua trota. Depois de vários encontros, o mar tornou-se tempestuoso. Sete dias se passaram. Leandro, impaciente, não pôde esperar a bonança, lançou-se ao mar, faltaram-lhe forças e as ondas lançaram seu corpo na praia de Sesto. Não querendo sobreviver a seu amante, Hero precipitou-se no mar.

 

Algumas medalhas apresentam Leandro precedido por um Cupido que voa, de tocha na mão, para guiá-lo em sua perigosa travessia 

 

(COMMELIN, 2008, p. 351). 

 

Pigmalião

 

Pigmalião, Rei da ilha de Chipre, foi o famoso estatuário da mitologia grega. Revoltado contra o casamento por causa da má conduta das Propoitides (moças da ilha que negaram a divindade de Vênus, cultuada na Ilha de Chipre; como punição, a deusa inspirou-lhes os piores desejos sexuais, transformando-se nas primeiras mulheres a restituírem-se) de que era testemunha todos os dias, devotou-se ao celibato. Entretanto, apaixonou-se por uma estátua de marfim, obra de seu cinzel, e à custa de muita súplica, conseguiu que Vênus lhe desse vida. Satisfazendo seu pedido, casou-se com ela, com quem teve um filho, chamado Pafos, que foi mais tarde fundador da cidade a que deu seu nome 

 

(Cidade de Pafos, Chipre) (COMMELIN, 2008, p. 248, adaptado). 

 

Em Resumo

Alberto de Oliveira é considerado o mais ortodoxo dos poetas parnasianos, pois ele foi o que mais se preocupou com a utilização das características estéticas dessa manifestação artística. Mesmo assim, podemos ver em sua obra marcas significativas de ironia e traços de melancolia sem perder de vista o esmero poético.  

 

Referências

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1983.

COMMELIN, P. Mitologia grega e romana. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes: 2008. 

HAUSER, Arnold. História social da arte e da cultura. Lisboa: Estante, 1964. v. 4.

OLIVEIRA, Alberto de. Poesias. 2. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1969. 

PERRY, Marvin. Civilização Ocidental: uma história concisa. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002. 

 
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