Texto: As Ordens Mundiais

As Ordens Mundiais

Podemos entender como Ordem Mundial as formas de interação de poder entre as grandes potências mundiais, responsáveis pela condução da política a nível global e, por isso, modeladoras do sistema econômico e sua organização. Basicamente existiram duas ordens mundiais, uma bipolar e uma multipolar. 

 

A primeira, a ordem bipolar, é como se caracterizou o período da Guerra Fria, dividido entre o poder dos EUA, defensor do sistema capitalista, e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, defensora do regime socialista. Essa ordem internacional manteve-se entre os anos de 1945 até 1989. Durante esse período, as duas superpotências, EUA e URSS, disputavam a influência ideológica e econômica sobre os territórios do planeta.

 

Esse período de tensão mundial ficou caracterizado pela ameaça de ataque por ambas as partes e o que se convencionou chamar de Destruição Mútua Assegurada, ou, como em sua sigla em inglês, MAD, que também significa louco. Por isso, o equilíbrio de poder durante a Ordem Mundial Bipolar esteve assentado sobre a capacidade bélica de ambos os contentores.

 

Essa situação alterou-se em 1989. Com a queda do Muro de Berlim, caiu também a disputa entre as duas superpotências, e a União Soviética saiu derrotada. Em 1991, a URSS viria a se esfacelar com a independência de suas 15 repúblicas e com a retração de seu poderio militar e econômico. Esse episódio da história recente é também o marco que divide a política internacional no que tange à Ordem Mundial. Após esse período de apenas dois anos, as análises da política internacional foram profundamente alteradas, assim como deram origens a inúmeras novas teorias.

 

Teste nuclear da bomba Apache. Na Ordem Bipolar, o equilíbrio de poder era representado pela capacidade de destruição do inimigo por esses artefatos

 

Esse novo momento foi logo batizado de Nova Ordem Mundial, já que, com a falência do socialismo soviético, a bipolaridade deixou de existir, abrindo caminho para que a estrutura de poder mundial se alterasse. Essa estrutura levou ao debate sobre como seria composta essa nova ordem e de quem estaria à frente no jogo geopolítico.

 

Nessa nova situação, uma das primeiras análises lançadas foi a proposta de Fim da História, na qual o cientista político estadunidense Francis Fukuyama advogava que o mundo havia chegado ao ápice de seu desenvolvimento, tendo o capitalismo e a democracia vencido os sistemas socialista e fascista. Nesse sentido, os Estados Unidos, como a maior potência militar e econômica, encontravam-se em posição isolada, no controle mundial, sendo, portanto, um sistema unipolar. Assim, nessa nova condição, os conflitos seriam mais raros e calcados sob condicionantes humanas, como a fome e os recursos naturais, e não mais sob disputas geopolíticas.

 

O que se viu a partir da década de 1990, entretanto, foi a continuação de antigos conflitos, porém com a preponderância militar dos Estados Unidos agindo de maneira determinante com vistas a garantir seus próprios interesses. Assim, podemos destacar conflitos surgidos nesse contexto, como a Guerra do Golfo (1990-1991), a Guerra da Somália (1994) e a Guerra do Kosovo (1999).

 

Outra proposta de análise sobre a Nova Ordem Mundial, também de um cientista estadunidense, entendia a nova situação a partir do choque entre culturas no mundo. Segundo Samuel Huntington, o Choque de Civilizações seria norteador para os futuros conflitos no mundo.

 

O mapa mundi, segundo a teoria do Choque de Civilizações

 

Deve-se entender que essas ideias são apenas proposições, já que não há consenso para compreender a nova condição geopolítica em que o planeta está atualmente inserido, justamente por ser um período muito recente de nossa história e em constante mudança.

 

Três proposições são mais aceitas: Unipolar, que leva em conta a capacidade bélica dos Estados Unidos e assume que esse país é superior aos demais no contexto global; a Multipolar, que é a mais aceita e considera a condição econômica dos países para as análises e, por isso, distribui o poder mundial entre as grandes potências econômicas mundiais; e a Uni-Multipolar, que também considera a economia como importante para a distribuição de poder no mundo atual, mas que admite a incontestável liderança dos Estados Unidos no campo militar.

 

Assim, em função dessas diferentes análises, não se pode considerar com exatidão o estabelecimento de uma ordem mundial claramente estabelecida. Fatores como o ressurgimento nos últimos anos da Rússia como importante ator político, visto recentemente em sua ação em defesa da Síria, e a cada vez mais clara posição chinesa de potência militar, vista como futura ameaça à hegemonia dos Estados Unidos devem ser levados em conta nas futuras análises. 

 

Em Resumo

A antiga Ordem Mundial, baseada na disputa entre EUA e URSS, também chamada de ordem bipolar, estava calcada, principalmente, sob o poder militar. Já a Nova Ordem Mundial pode ser vista sob vários aspectos, nos quais a economia é considerada em conjunto com a capacidade militar. É importante ressaltar que há diversas proposições para a análise do contexto mundial.  

Já é cadastrado? Faça o Login!