Texto: A Crise da Democracia: Ascensão de Regimes Totalitários na Europa

A Crise da Democracia: Ascensão de Regimes Totalitários na Europa

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a Europa encontrava-se, sobretudo política e economicamente, em um cenário crítico. Muitos países do continente viviam sua pior crise, e a população estava desolada pelo fato de o fim da guerra não ter trazido sensíveis melhorias. Diante desse contexto, ainda aliado ao sentimento nacionalista que vinha se intensificando desde antes da guerra, alguns grupos sociais começaram a se organizar politicamente, levantando a perspectiva de que nem o socialismo nem o comunismo dariam conta de sanar os problemas políticos, econômicos e sociais enfrentados no momento. Era o nascimento dos regimes totalitários, que encontrariam sua maior forma de expressão em países como Itália e Alemanha.

 

Bandeira da Itália

 

O Fascismo

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, a Itália convivia com um saldo de inúmeras perdas financeiras e também humanas. Não muito diferente do que se via em outras nações europeias, na Itália os índices de desemprego eram altíssimos e aumentavam ainda mais em consequência da volta de cerca de 2,3 milhões de soldados para casa. Ademais, os italianos não aceitavam o fato de a Itália não ter ganhado território com a assinatura do Tratado de Versalhes, alegando que, no final da guerra, a Itália lutava ao lado dos vencedores.

 

Diante desse contexto, Benito Mussolini ganhou intensa notoriedade política. Mussolini fundou, em 1919, o grupo que deu origem ao Partido Fascista Italiano. A doutrina vislumbrada por Mussolini, o fascismo, tem como característica bastante salutar o nacionalismo extremado. Nesse ínterim, os fascistas defendiam que havia urgência de uma ação forte e unida para tirar a Itália da situação de miséria e colocá-la, novamente, em seu apogeu, como no Império Romano.

 

Benito Mussolini

 

Rapidamente as ideias fascistas cresceram e se desenvolveram, sobretudo em virtude do apoio de grandes empresários que estavam assustados com a crise em que a Itália estava mergulhada e, ainda, com o crescimento da influência de socialistas e comunistas na política do país. Desse modo, esses empresários vislumbravam no fascismo o meio de manter a ordem que lhes beneficiava. Desse modo, em 1921, o movimento fascista configurou-se como o Partido Nacional Fascista, contando, rapidamente, com volumoso número de associados que obedeciam ao líder Mussolini.

 

Já em 1922, diante de uma greve geral instaurada pelos comunistas, Mussolini ameaçou que se o governo italiano não reestabelecesse a ordem, ele o faria. No mesmo ano, Mussolini liderou o movimento que ficou conhecido como Marcha sobre Roma, em que milhares de fascistas – chamados de camisas negras – invadiram a capital italiana com a intenção de tomar o poder. O rei da Itália, Vittorio Emanuelle III, vendo-se pressionado pelos fascistas, convidou Mussolini a ser o primeiro ministro italiano. Desse modo, o fascista Benito Mussolini ascendeu ao poder.

 

Os Camisas negras

 

No poder, Benito Mussolini fazia discursos de apaziguamento com seus adversários, mas pelas costas a política era bem diferente. Por exemplo, em 1924, os fascistas se valeram de violência e fraudes para saírem vencedores das eleições. Consequência disso foi a morte do deputado socialista Matteoti, que denunciou a fraude e acabou sendo eliminado pelos fascistas. Mussolini instaurou uma severa ditadura na Itália, cerceando liberdades, eliminando opositores e fechando jornais, estabeleceu um único partido politico no país, o Fascista, e criou uma polícia secreta. Assim, Mussolini governou a Itália de forma totalitária, concentrando o poder em suas mãos e assassinando seus adversários. 

 

O Nazismo

Assim como aconteceu na Itália, com o fascismo, na Alemanha pós-guerra, em meio a inflação, desemprego e a altíssima dívida externa, um regime totalitário ganhou notoriedade, o nazismo.

 

Entre 1929 e 1932, o número de desempregados na Alemanha alterou-se de 2,9 para 6,7 milhões, ou seja, quase um terço da população total de trabalhadores alemães. Diante da intensa crise que assombrava a Alemanha desde a assinatura do Tratado de Versalhes, um indivíduo com extrema habilidade discursiva, Adolf Hitler, apresentou-se como possível líder para tirar a Alemanha da crise. Com o apoio da burguesia industrial alemã, em 1933, Hitler assumia o cargo de chanceler alemão.

 

Bandeira da Alemanha

 

No poder, Hitler instaurou a mais cruel ditadura de que se tem registro: os nazistas começaram a caçar seus opositores, queimaram livros e perseguiram homossexuais e judeus. Em 1934, Hitler ascendeu à presidência da Alemanha com o título de Führer (condutor) e, no governo, congelou salários, mas não fez a reforma agrária prometida em campanha, gerando descontentamento. Nesse ínterim, Hitler e seus assistentes iniciaram, internamente, um processo de intensa propaganda do regime e de muita violência física contra seus adversários.

 

Adolf Hitler

 

Atenção!

O chanceler é o chefe de governo na Alemanha.

 

Externamente, em 1936, a Alemanha nazista aproximou-se da Itália fascista. No mesmo ano, a capital alemã sediou os jogos olímpicos – naqueles jogos, Hitler queria afirmar a superioridade alemã.

 

Economicamente, o regime nazista desenvolveu indústrias de base, como ferro, aço e máquinas; incentivou, ainda, obras públicas e fábricas de armas, gerando assim muitos empregos.

 

No ano de 1938, Hitler assumiu o controle das forças armadas alemãs e substituiu diversos comandantes militares. O Führer conduzia a Alemanha para a guerra!

 

Saiba Mais!

 

A Entre as principais características do nazismo, podemos destacar:

 
  • A superioridade da raça ariana. Para o Führer, a raça da qual provinha o povo alemão era pura e superior às outras;
 
  • O antissemitismo. Para os nazistas, os judeus contaminavam a raça ariana e seriam a causa dos problemas na Alemanha;
 
  • A necessidade de espaço vital. Hitler afirmava que os alemães deviam conquistar e dominar outras nações.

 

Adaptado de: http://www.significados.com.br/onu/

 

 

Outros Regimes

Apesar de terem encontrado maior expressão na Itália e na Alemanha, os regimes totalitários não se restringiram a esses dois países, estendendo suas perspectivas para nações como Espanha e Portugal e ganhando adeptos, embora a partir de releituras, até no Brasil.

 

Na Espanha, a situação era de total insatisfação popular diante da crise econômica que assolava o país. Tal contexto facilitou a queda da monarquia e a proclamação da república, em 1931. O novo governo, republicano, iniciou uma série de reformas, como a agrária, mas tal política não agradou as elites espanholas. Desse modo, a oposição uniu-se em um grupo denominado Falange – um partido fascista que fazia uso da violência contra seus adversários. Comunistas e socialistas uniram-se na Frente Popular para ir de encontro à Falange.

 

Os fascistas, sob o comando do militar Francisco Franco e com o apoio do exército, pegaram em armas para eliminar seus oponentes. Era o início da sangrenta Guerra Civil Espanhola, que durou de 1936 até 1939. Hitler e Mussolini, líderes de Alemanha e Itália respectivamente, enviaram soldados e armamentos para a Espanha com a intenção de ajudar Franco a derrubar o governo republicano que havia sido eleito.

 

Francisco Franco

 

A guerra espanhola deixou um saldo de mais de 760 mil mortos, além de inúmeros feridos. O conflito foi vencido pelos apoiadores de Franco, que logo em seguida instaurou uma ditadura no país, o franquismo. 

 

Guerra Civil Espanhola

 

Outro exemplo de fascismo foi o salazarismo, nome dado ao regime ditatorial instaurado em Portugal entre 1933 e 1974, sob a liderança de Antônio de Oliveira Salazar.

 

Antônio de Oliveira Salazar

 

Vale lembrar ainda que, no Brasil, as ideias fascistas serviram de inspiração para a criação da Ação Integralista Brasileira, sob a liderança de Plínio Salgado.

 

Integralistas da cidade de Viçosa do Ceará na década de 1930

 

Em Resumo

Diante da intensa crise sentida nos anos subsequentes ao final da Primeira Guerra Mundial, das crises que diversos países europeus enfrentavam e, ainda, diante da amargura das imposições postas à Alemanha no Tratado de Versalhes, líderes com apelo popular ganharam destaque em nações como Itália e Alemanha e ascenderam ao poder instaurando regimes totalitários – como, por exemplo, o fascismo e o nazismo, respectivamente – que mais tarde seriam o estopim para o início da Segunda Guerra Mundial.

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