Texto: Os Sentidos

Os Sentidos

Nós tópicos anteriores, você aprendeu sobre como nosso organismo é revestido e a importância da pele para nossa proteção. Além disso, você conheceu os sistemas responsáveis por nossos movimentos (sistema esquelético e sistema muscular). A partir deste tópico, você conhecerá um pouco a respeito das estruturas e dos sistemas envolvidos na percepção dos estímulos ambientais (sistema sensorial) e no controle das atividades de nosso corpo (sistema nervoso e sistema endócrino). Começaremos nosso estudo pelo sistema sensorial, que nos permite perceber e interpretar as mudanças que ocorrem no ambiente a nosso redor. Nós conheceremos seus componentes e suas funções.
 


Os Sentidos

Todos os dias nós experimentamos várias sensações. Quando uma luz muito forte é colocada em nossos olhos, fechamo-los imediatamente, podemos sentir a forma dos objetos, ouvir música ou sentir o sabor do chocolate, entre outras sensações. Em nosso corpo, possuímos cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato, que serão apresentados a seguir.


A Visão

A visão é o sentido que nos permite reconhecer os objetos e organismos que estão no ambiente, a distância que eles estão de nós e se estão em movimento ou parados. O principal órgão responsável pela visão é o olho.
 
Esquema apresentando as estruturas que formam o olho humano
 


Estrutura Interna do Olho

O olho é esférico e está localizado nas cavidades orbitais. Ele é formado por três camadas: a esclera (região branca dos olhos), a córnea (região anterior dos olhos, em que a esclera é transparente) e a corioide (estrutura vascularizada que forma um disco, na região anterior, chamado íris). Na região anterior da corioide, há uma lente chamada cristalino.

A íris é a região colorida de nossos olhos (azul, verde, castanho ou preto) e possui uma abertura chamada pupila. A íris diminui ou aumenta o diâmetro da pupila de acordo com a quantidade de luz no ambiente. 

O cristalino divide nosso olho em dois compartimentos, um anterior a ele (entre a córnea e a íris), que possui um líquido chamado humor aquoso, e outro posterior a ele, que é preenchido pelo humor vítreo (substância gelatinosa).
 
Figura mostrando as diversas cores que a íris pode apresentar
 

A membrana mais interna do olho é denominada retina; é nessa região que as imagens são formadas (fóvea) e onde ocorre a detecção da luminosidade. As células responsáveis pela percepção das cores são chamadas cones, enquanto as células que percebem a luz recebem o nome de bastonetes.

Após a percepção das luzes e das cores, essas informações são conduzidas pelo nervo ótico até o encéfalo. Na região em que o nervo ótico encontra com a retina não há bastonetes ou cones e, por isso, não podemos ver a imagem que se forma nela. Esse é o ponto cego.


Estruturas Externas ao Olho

Os olhos são protegidos pelas pálpebras (superiores e inferiores) de traumas e entrada de corpos estranhos. Essas estruturas são móveis e, por isso, controlam a entrada de luz em nossos olhos. 
 
Esquema apresentando as estruturas externas ao olho, que também auxiliam no processo de visão
 

Na extremidade das pálpebras há os cílios, que são pelos que protegem os olhos da entrada de poeira e excesso de luminosidade. Na região acima dos olhos há outro conjunto de pelos, chamados supercílios (sobrancelhas), que evitam que o suor escorra até os olhos. 

Além disso, há as glândulas lacrimais, que produzem as lágrimas, usadas para umedecer e lubrificar os olhos, e os músculos oculares, responsáveis pelos movimentos dos olhos. 


Como Enxergamos?

Os raios luminosos que são refletidos pelos objetos e organismos entram em nossos olhos e são percebidos pelas células que estão na retina. Nessa região há a formação de uma imagem invertida, que nosso sistema nervoso é capaz de interpretar de forma correta. 
 
Esquema mostrando como as imagens são formadas na retina
 

Nós somos capazes de ver tanto objetos distantes quanto aqueles que estão próximos a nós. Isso é possível graças à capacidade de ajuste das estruturas no interior do cristalino. Essa propriedade é chamada de acomodação visual, isto é, se o objeto está distante, o cristalino achata-se para ficar mais fino e, se o objeto está próximo, ele se torna mais espesso. Esse controle é realizado por músculos que estão conectados ao cristalino.
 

Saiba Mais!

Algumas pessoas podem apresentar problemas nos olhos que dificultam a visão, isto é, algumas pessoas têm dificuldade em ver os objetos que estão próximos a elas, enquanto outras têm dificuldade em enxergar os objetos que estão longe dela. No primeiro caso, a pessoa apresenta hipermetropia, que é resultado de um olho pequeno no qual a imagem forma-se depois da retina. Já no segundo caso, a pessoa possui miopia, que é consequência de um olho mais longo no qual a imagem forma-se antes da retina. Todas as duas condições podem ser corrigidas por meio da utilização de lentes específicas (óculos ou lentes de contato) que corrigem a posição da formação da imagem na retina. 
 
Esquema representando a forma como as pessoas com miopia e hipermetropia veem e como são as lentes usadas para corrigir a formação das imagens
 
 

A Audição 

Nós somos capazes de perceber os sons que estão a nossa volta e a identificar sua origem.  Para ouvir, possuímos duas orelhas, compostas por três regiões: a orelha externa, a orelha média e a orelha interna.


Orelha Externa

A orelha externa é responsável por receber os sons e é formada pelo pavilhão auditivo e o meato acústico externo.  O pavilhão auditivo é o que conhecemos, popularmente, como orelha. Já o meato acústico externo é um canal em que há pelos e glândulas, responsáveis pela produção de cera e proteção dessa estrutura. 
 
Esquema representando as regiões da orelha e as suas estruturas
 


Orelha Média

A orelha média é separada da orelha externa por uma membrana chamada membrana timpânica. Ela é formada por um compartimento no qual há três ossículos interligados (martelo, bigorna e estribo). Além deles, há duas outras membranas na orelha média: a janela oval e a janela redonda.  Os ossículos transferem as vibrações da membrana timpânica até a janela oval. Há, ainda, a tuba auditiva, que é um canal que conecta a orelha interna à faringe, além de ser responsável por manter essa região cheia de ar.
 
Esquema representando uma membrana timpânica saudável e outra rompida, e o esquema mostrando mais detalhes dos ossículos presentes na orelha interna
 


Orelha Interna

Essa região recebe os estímulos sonoros da orelha média e os conduz até os nervos auditivos. A orelha interna é preenchida por um líquido e é formada por canais semicirculares, utrículo e cóclea. Os canais semicirculares e o utrículo compõem o aparelho vestibular, que é responsável por informar a posição de nosso corpo. Já a cóclea é a região onde estão as células responsáveis pela audição. 
 
Esquema mostrando os detalhes dos componentes da orelha interna
 
 

Saiba Mais!

Além de nos permitir ouvir, a orelha está relacionada ao equilíbrio do corpo, junto com a visão. O aparelho vestibular, ao ser estimulado, informa ao nosso sistema nervoso a posição de nossa cabeça e qual o tipo de movimento que realizamos. Ao girar rapidamente, o aparelho vestibular é estimulado e, quando paramos por alguns instantes, suas células continuam estimuladas e enviando informações a respeito do movimento realizado. Por isso, sentimo-nos tontos. Doenças que causam a inflamação desse aparelho, por exemplo, a labirintite, também podem causar tontura e enjoos, já que alteram a maneira como as células recebem o estímulo. 
Criança rodando em brinquedo

 


Como Ouvimos?

O som é uma onda que vibra e propaga-se pelo ar e outras substâncias, como a água. Durante o processo de audição, nossa orelha externa capta as vibrações sonoras e conduzem-nas até a membrana timpânica. Essa membrana também vibra e essas vibrações são transferidas para o martelo, depois para a bigorna e, por último, para o estribo. O estribo está em contato com a janela oval e faz com que ela também vibre, provocando a movimentação do líquido que está na orelha interna. O movimento do líquido, por sua vez, estimula os cílios presentes nas células responsáveis pela audição, que captam esse estímulo e conduzem-no até o sistema nervoso. No sistema nervoso, o som é interpretado e podemos reconhecer o que ouvimos.


O Paladar

Nós podemos distinguir os sabores daquilo que ingerimos. Isso é possível porque possuímos receptores químicos que são capazes de perceber algumas moléculas específicas.  Esses receptores estão localizados em estruturas chamadas papilas linguais. Cada uma dessas estruturas possui células nervosas, associadas a elas, que levam essa informação até o sistema nervoso, onde são interpretadas.

As papilas estão localizadas na língua e permitem-nos perceber quatro sabores: doce, salgado, azedo e amargo. Elas percebem os sabores quando os alimentos estão dissolvidos em água, por isso, a presença da saliva é importante nesse processo. Além disso, a percepção dos sabores também depende do olfato (próximo sentido que será estudado). É por isso que não percebemos os sabores da mesma maneira quando estamos resfriados.
 
Fotografia de alimentos: doce (bolo), salgado (batata), azedo (limão) e amargo (jiló)
 
Esquema representando a localização de algumas papilas linguais
 
 

Você Sabia?

Você já pensou como seria se seu emprego dependesse de suas papilas linguais? Há profissionais que vivem delas, como o sommelier. Sommelier é uma palavra em francês que designa o profissional que é especializado no conhecimento de vinhos e outras bebidas. Ele é capaz de reconhecer os sabores e aromas das bebidas, além de conhecer outros aspectos relacionados a sua comercialização.  Há cursos específicos para a formação desse profissional.
Fotografia de uma sommelier conversando com um cliente sobre vinhos
 
 

O Olfato 

O olfato é o sentido que nos permite perceber os aromas. Somos capazes de distinguir milhares de cheiros. As células olfativas, responsáveis por perceber os aromas, também possuem receptores químicos, como as papilas linguais, e estão localizadas na cavidade nasal. Essas células possuem cílios em suas membranas, que captam os estímulos provocados pelas substâncias odoríferas. 

Para perceber a presença das substâncias, elas devem estar dissolvidas na água, por isso é importante que haja umidade na cavidade nasal, promovida pela secreção de muco. 

Em cada célula olfativa, há células nervosas associadas a elas que conduzem as informações obtidas até o sistema nervoso, onde são interpretadas. 
 
Esquema mostrando as estruturas relacionadas à percepção dos aromas
 


O Tato

Somos capazes, também, de perceber diferença na temperatura do ambiente, sentir dor quando algum objeto arranha-nos ou nos corta e identificar alguns objetos de acordo com suas formas e texturas. Isso é possível porque em nossa pele há receptores específicos para cada tipo de sensação envolvido no tato, que ficam localizados nos corpúsculos táteis. 

Esses receptores, assim como todos os receptores descritos até o momento, possuem células nervosas e estão distribuídos por todo o corpo. Como você viu anteriormente, nas camadas mais internas da pele estão os receptores de pressão, dor e temperatura (calor e frio). 
 
Esquema mostrando alguns receptores presentes na pele
 
 

Você Sabia?

Não somos tão bons para perceber os aromas como outros mamíferos. Nos humanos, as células olfativas ocupam uma área de 10 cm2, enquanto as células de um cachorro cobrem uma área de 25 cm2. Em virtude da diferença no número de células capazes de perceber os aromas, os seres humanos precisam de 500 milhões de moléculas de ácido acético (presente no vinagre) para sentir seu cheiro, enquanto os cachorros precisam de apenas 200 mil moléculas para perceber a mesma substância.
Revista Superinteressante, Janeiro de 1988.
Fotografia de uma mulher e seu cachorro. Ele pode perceber aromas que ela não é capaz de sentir
 
 

Leitura

O tato é o sentido usado por pessoas com deficiência visual para ler. Isso mesmo, as pessoas que não conseguem enxergar são capazes de ler textos escritos em braile. Em braile, as letras do alfabeto, assim como todos os sinais de pontuação, são escritas em relevo e correspondem a um conjunto de pontos. As pessoas são alfabetizadas nesse tipo de leitura e são capazes de ler todo tipo de texto. 
Fotografia de uma criança lendo em braile
 
 

Em Resumo

Os sentidos permitem-nos perceber o ambiente em que estamos e as alterações que ocorrem nele. Em nosso corpo, temos cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato. Cada um possui sua função específica.

O principal órgão responsável pela visão é o olho. O olho é uma estrutura esférica formada por várias estruturas que são responsáveis por receber os estímulos luminosos e das cores, para a formação das imagens.

Já a audição é responsabilidade da orelha, que apresenta três regiões: orelha externa, orelha média e orelha interna. Nós ouvimos por meio da captação da vibração dos sons, que são captados pelo pavilhão auditivo e conduzidos até as células presentes no interior da orelha interna. 

As papilas linguais presentes na língua são responsáveis por perceber os sabores dissolvidos na água: doce, salgado, amargo e azedo. Associado a elas, o olfato também participa da percepção dos sabores.  

O olfato é o sentido que nos permite perceber os aromas e as células olfativas que realizam essa função estão localizadas na cavidade nasal. 

Além desses sentidos, temos, também, o tato. O principal órgão responsável pelas sensações táteis é a pele. Nela estão os receptores dos estímulos de pressão, dor e temperatura, que estão localizados nos corpúsculos táteis.

Independentemente do sentido, os receptores estão associados a células nervosas que conduzem os estímulos até o sistema nervoso, onde são interpretados. 
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