Texto: Diversidade Cultural

Diversidade Cultural

No primeiro tópico deste módulo, buscamos compreender o conceito de cultura, que, em linhas gerais, é o produto da ação humana. 

 

É preciso estar claro que a cultura não é uma expressão universal do gênero humano, ou seja, ela resulta de ações particularizadas de uma dada comunidade.

 

Aqui, nosso propósito é estudar como a diversidade cultural tem sido percebida pela comunidade acadêmica e pela população em geral.  

 

 

Etnocentrismo

Se tivermos a oportunidade de conviver em uma sociedade na qual os costumes e valores sociais são distintos daqueles que praticamos, certamente o sentimento de estranhamento ou reprovação será despertado em nós em algum momento. Pensemos um pouco a esse respeito considerando os exemplos abaixo.

 

Em geral, a gastronomia indiana é rica em fibras e vegetais, o que dispensa o uso da carne, sobretudo a bovina, na maioria dos pratos a serem servidos. Por outro lado, no Brasil, nós temos uma refeição rica em proteína animal e, aqui, a carne bovina é muito apreciada.  

 

Podemos destacar também a questão do vestuário. Quando observarmos alguns países, como, por exemplo, o Afeganistão e o Paquistão, nos quais as mulheres utilizam a burca, veste que cobre todo o corpo, inclusive o rosto, a princípio, parece-nos uma prática extremada de censura à mulher. 

 

De fato, ambos os casos supramencionados revelam aspectos culturais que são totalmente distintos daquelas que costumamos praticar. Certamente, se elaboramos uma análise mais profunda dessas culturas, descobriremos outros costumes que divergem dos valores morais que acreditamos serem corretos. 

 

Contudo, a emissão de juízo de valor orientado, exclusivamente, pela nossa cultura, desconsiderando as particularidades culturais das outras sociedades, caracteriza o que denominamos de etnocentrismo.

 

Assim, o etnocentrismo é uma visão preconceituosa em relação às demais culturas em que se considera os costumes das outras sociedades errados ou estranhos e, muitas vezes, inferiores.

 

Recentemente, entre os séculos XIX e XX, tivemos um exemplo claro de prática etnocêntrica. Durante esse período, as grandes potências europeias, como a França e a Inglaterra, baseadas em um discurso humanitário e civilizatório das sociedades carentes, exerceram um intenso domínio político e econômico na Ásia e na África. Esse processo, de caráter imperialista, foi constituído a partir de muita violência, racismo e subtração cultural por parte das comunidades dominantes. 

 

Assim, como vimos, o etnocentrismo cultural tende a estabelecer uma relação de hierarquia cultural de modo que o sujeito que exerce a análise social tende a classificar a sociedade a qual pertence como superior em relação às demais. 

 

Relativismo Cultural 

Se, por um lado, temos o preconceito e a discriminação acentuada, típicos da perspectiva etnocêntrica, por outro lado, temos o relativismo cultural, uma postura que leva em consideração as particularidades culturais de cada sociedade.  

 

O que é relativismo cultural? De modo geral, o relativismo cultural parte da compreensão de que cada grupo social esteve submetido a fatores históricos que os conduziram para o estabelecimento de suas próprias formas de interação social. Nesse sentido, é por meio da auto-organização que surge a particularidade social. 

 

Sendo assim, não podemos afirmar que os fatos históricos aos quais foram submetidas duas sociedades distintas induzirão às mesmas percepções sociais e culturais. Ou seja, cada sociedade interage com os eventos históricos segundo seus próprios valores, os quais individualizam essas experiências.

 

Em virtude de cada sociedade estabelecer seus próprios parâmetros sociais, não é possível estabelecer uma graduação social, tal como gostariam os defensores do etnocentrismo.

 

Portanto, para compreendermos a dinâmica sociocultural de uma dada comunidade em alguns aspectos, faz-se necessário negar as próprias referências culturais com o intuito de compreender as individualidades culturais, ou seja, é necessário compreender as causas das ações presentes em uma sociedade e, além disso, considerar os impactos culturais vivenciados por uma sociedade. 

 

Globalização e Cultura    

A compreensão dos conceitos expostos acima, etnocentrismo e relativismo cultural, merece nossa atenção, visto que vivemos em um mundo dinâmico e integrado, em outras palavras, globalizado

 

Em linhas gerais, a globalização caracteriza-se por um processo de interação política, econômica, social e cultural entre os Estados. Nesse contexto, nosso propósito é compreender os efeitos desse processo na esfera da cultura.

 

É notório o crescimento da influência cultural entre as sociedades. Prova disso são os inúmeros restaurantes de comidas típicas que encontramos em nossas cidades. Essa influência também é perceptível na moda, linguagem, música e outras esferas sociais. Ou seja, elementos que caracterizam e, sobretudo, particularizam a cultura de uma dada sociedade, em virtude da globalização, têm sido incorporados por outras sociedades. 

 

Certamente, ao longo desse processo de absorção dos costumes externos, algumas posturas culturais, paulatinamente, serão revistas. No entanto, isso não significa que os valores tradicionais de um povo serão plenamente anulados. 

 

Devemos entender que a cultura não é algo mecânico, construída em etapas matematicamente determinadas. Ao contrário disso, tal como os homens, a cultura possui uma natureza livre, isso porque ela se concretiza nos próprios homens e, estes, por sua vez, estão em constante transformação, ora afirmando ora negando a si mesmos. Ou seja, a própria cultura vivencia essa característica de negar-se ou afirmar-se. 

 

Nessa perspectiva, compreendemos que a interação cultural intersociedades ora será moralmente aceita pelos membros sociais ora não. Essa questão pode ser entendida da seguinte forma: se uma classe social absorver determinado hábito cultural, como, por exemplo, um estilo de roupa que não fazia parte daquela comunidade, esse novo hábito estará sujeito à aprovação ou reprovação do restante da sociedade, o que poderá causar conflitos entre os grupos sociais que possuem interesses distintos. 

 

Enfim, o processo de globalização permitiu que as particularidades culturais transitassem entre as inúmeras esferas sócias, o que levou, por parte dos indivíduos, à integração de hábitos culturais típicos de outras sociedades.

 

Em Resumo

Neste tópico, dedicamo-nos ao estudo da diversidade cultural e seus efeitos sociais. Para tal, abordamos os conceitos de etnocentrismo e relativismo cultural, sendo que o primeiro remete à ideia de hierarquia social e o segundo considera as particularidades culturais de cada sociedade, pois respeita o princípio de auto-organização existente em cada sociedade. Para finalizar nossos estudos, vimos a forma como o processo de globalização tem permitido a integração cultural entre os povos.

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