Texto: O Ciberespaço e Ciberativismo

O Ciberespaço e Ciberativismo

Você já ouviu falar da WikiLeaks? Leu algo sobre a deposição do ditador egípcio, Hosni Mubarak, após 30 anos no poder?

 

Com certeza, sim. Mas, o que poderia ligar duas coisas tão diferentes?

 

Justamente o tema deste tópico. 

 

 

Esses dois acontecimentos compõem uma série de mudanças na forma de atuação e participação política. 

 

Vejamos.

 

Sites e Posts como Forma de Militância

A Wikileaks é uma organização mundial sem fins lucrativos. Seu principal editor é o jornalista australiano Julian Assange. 

 

 

Essa organização, diferentemente de uma organização política e militante tradicional, não tem um espaço físico que lhe sirva de sede, também não conta com uma estrutura convencional. 

 

Em sua forma de atuação, também se destacam postagens de documentos, fotos e informações confidenciais de governos ou empresas sobre assuntos de interesse público. Parece inofensível, mas não é. Se fosse, Assange não estaria na mira do governo norte-americano.

 

Desde a sua criação, em 2006, a WikiLeaks publicou provas de abritrariedades cometidas pelo exército americano na guerra do Iraque e no Afeganistão, bem como documentos que evidenciam a prática sistemática de tortura e abuso contra os prisioneiros do campo de detenção militar estadunidense, em Guantanamo.

 

O Twitter e o Facebook como Ponto de Encontro para as Manifestações

No início de 2011, o Egito viveu uma onda de protestos que contou com milhares de pessoas. Em fevereiro daquele ano, os noticiários anunciavam a maior manifestação de rua da história – um milhão de pessoas na praça Thrair, no Cairo.

 

 

Os protestos culminaram na renúncia do ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há mais de 30 anos.

 

A população foi à rua contra a falta de liberdade, de emprego e de condições dignas de vida.

 

Os motivos das manifestações, as próprias manifestações, o confronto com a polícia. Até aqui uma história conhecida das lutas sociais e da participação política. No entanto, toda essa mobilização foi também o resultado da troca de informações e debates através da internet. O facebook e o twitter foram largamente utilizados e permitiram coordenar os encontros nas ruas, bem como o apoio da opinião pública internacional.

 

Novas Formas de Ativismo e Participação

O Ciberespaço é um espaço de comunicação virtual. Um espaço que interliga em escala planetaria informações, ideias, opiniões e experiências. 

 

 

Os termos ciberespaço e ciberativismo foram criados durante os anos 1980, após a revolução informacional e o boom da internet, com a difusão dos microcomputadores pessoais, que gerou uma rede de máquinas e memórias interconectados.

 

A partir dos anos 1990, um número cada vez maior de pessoas passaram a frequentar regularmente os espaços virtuais, formando as redes sociais. Esse contato impulsinou inúmeras transformações na sociedade. Além da comunicação e da informação, parte importante da economia se desenvolveu a partir desse novo contexto.

 

Em geral, opomos o virtual ao real, mas ambas realidades não são necessáriamente opostas. A comunicação virtual dispensa a presença física, mas ela mantem certo paralelo com a experiência concreta. As diversas ações políticas desencadeadas a partir dos ciberespaços são uma evidência disso.

 

 

Além disso, as redes sociais não servem apenas como um meio de participação, elas podem funcionar como um ato político em si. Através delas, as pessoas assinam petições, boicotam páginas da web, invadem e pixam sites, etc. Ainda através delas, as pessoas não apenas travam conhecimentos pessoais, mas os movimentos e as causas se conectam. Um bom exemplo disso são as manifestações de junho de 2013 ocorridas no Brasil. A luta inicial pelo passe livre ampliou-se e incorporou diversas organizações com afinidades e interesses semelhantes. 

 

Entretanto, é através da mídia independente que a luta pela transparência na gestão do bem público, aliada a outra forma de produzir e transmitir a informação, que esse novo ativismo tem se destacado.

 

 

Essas experiências alteraram até mesmo o quadro da política tradicional. E a partir delas a crítica à democracia representativa liberal tornou-se mais contudente. A internet deu mostras da sua capacidade de mobilização e abriu as possibilidades de um outro fazer político.

 

 

Saiba Mais!

Ciberespaço

Gabriela E. Possolli Vesce

 

Marshall McLuhan, escritor canadense, um dos precursores da teoria da comunicação,formulou, há mais de trinta anos, o conceito de aldeia global. Ao perceber a agilidade e rapidez com que os meios de comunicação desenvolviam novas tecnologias McLuhan previu um novo conceito de sociedade: completamente interconectada e tomada pelas mídias eletrônicas. Essas novas mídias ao aproximar as pessoas de toda parte permitiriam a elas conhecer-se e comunicar-se, como em uma aldeia.

 

O surgimento da Internet como uma rede mundial de computadores, veio confirmar essas expectativas ao criar um novo espaço para a expressão, conhecimento e comunicação humana. Porém trata-se de um espaço que não existe fisicamente, mas virtualmente: o ciberespaço. Termo que foi idealizado por William Gibson, em 1984, no livro Neuromancer, referindo-se a um espaço virtual composto por cada computador e usuário conectados em uma rede mundial.

 

É inegável que a revolução cibernética-tecnológica afeta os mais variados aspectos da vida cotidiana, com a inserção de contextos virtuais, como círculos eletrônicos de amizade, por meio de comunidades virtuais, e da possibilidade de “navegar” pelo mundo, tornando o presente cada vez mais próximo da idéia de aldeia global. Porém foi na última metade do século XX, com o surgimento da rede digital e do ciberespaço, que foi explicitada a possibilidade de virtualização e o virtual passou a ser um traço inquestionável nas práticas sociais. Pode-se afirmar que o ciberespaço diz respeito a uma forma de virtualização informacional em rede. Por meio da tecnologia, os homens, mediados pelos computadores, passam a criar conexões e relacionamentos capazes de fundar um espaço de sociabilidade virtual.

 

O espaço cibernético intensificou transformações sociais nos mais diversos campos da atividade humana, é o que Manuel Castells chama de sociedade em rede. No campo da produção de mercadorias surgiram as empresas virtuais que têm a internet como base de atuação, mas também ocorreram importantes alterações sócio-culturais e políticas que atingiram as principais mídias em decorrência do aceleramento dos meios de comunicação e de informação. Com o ciberespaço constituiu-se um novo espaço de sociabilidade que é não-presencial e que possui impactos importantes na produção de valor, nos conceitos éticos e morais e nas relações humanas.

 

Fonte: http://www.infoescola.com/internet/ciberespaco/

 

Em Resumo

Neste tópico discutimos as noções de ciberespaço e ciberativismo e vimos como ambos fenômenos alteraram o quadro de referência de participação política.

 

Referências

CAVA, B. Não é hora de sair do facebook. In: Outras Palavras, Disponível em: <http://outraspalavras.net/posts/nao-e-hora-de-sair-do-facebook>. 

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