Texto: Ceticismo Absoluto

Ceticismo Absoluto

 

O Problema da Verdade

Será que, de fato, somos capazes de conhecer a verdade? Certamente você já se perguntou sobre isso. Por exemplo, quando se indagou: Será que Deus existe? Será que podemos mesmo conhecê-lo, tal como Ele é? Existe vida após a morte? Podemos conhecer essa vida? O que somos capazes, verdadeiramente, de conhecer? Questões assim acompanham o homem desde que o mundo é mundo ou, melhor ainda, desde que o homem é homem. 

 

 

Uma das maneiras de se posicionar acerca dessas perguntas é por meio do ceticismo. O cético é aquele que duvida ou nega que o conhecimento seja possível. Dessa maneira, se alguém não acredita na possibilidade de o homem conhecer verdadeiramente Deus, por exemplo, ele adota uma postura cética com relação a esse objeto de conhecimento. Pode até ser que Deus exista, mas não poderíamos, de acordo com um cético, conhecê-lo de fato. 

 

Alguns céticos levam essa ideia ao extremo, algo chamado de ceticismo absoluto. Há quem defenda que tal concepção nasceu com Górgias, um sofista que viveu na época de Sócrates. Existe ainda quem creia que seja de Pirro essa ideia, um filósofo nascido em 365 a. C. (chamam de pirronismo o ceticismo absoluto). Independentemente da paternidade do conceito, ele representa uma posição no que tange ao conhecimento. 

 

A Questão dos Sentidos

Os céticos da época de Pirro defendiam que o conhecimento era advindo dos sentidos. Entretanto, os sentidos nos enganam a todo tempo. Dessa forma, não podemos confiar no conhecimento que construímos, uma vez que sua fonte já se mostra defeituosa. Além disso, o próprio Pirro defendia a ideia de que a grande diversidade de opiniões sobre um mesmo tema demonstrariam a fragilidade e os limites da inteligência humana. 

 

Sendo assim, as possibilidades de conhecimento seriam nulas. Viveríamos de aparências que acreditaríamos serem conhecimentos e que, na realidade, são impossíveis. Perceba que, por meio dessa postura, nenhum conhecimento efetivamente consistente poderia ser construído. Para quem age de maneira cética, tudo o que vivemos é ilusório e passageiro; não há possibilidades de um conhecimento seguro. 

 

Você pode se perguntar: Mas como viver assim, acreditando que nada pode ser conhecido? Pois bem, você está no caminho de fazer as críticas que muitos fizeram aos céticos absolutos. Muita oposição se fez a esse tipo de posicionamento justamente porque ele anularia toda possibilidade de construção de conhecimento. Nesse sentido, muitos críticos jugaram o ceticismo uma doutrina estéril e contraditória. 

 

Estéril porque dela nada poderia surgir como verdade, e contraditória justamente pelo mesmo motivo. Se você não entendeu, pensemos juntos. Se afirmo que nada é verdadeiro, como a frase que acabei de afirmar poderia ser verdadeira? Julgando que ela seja falsa, então tudo seria verdadeiro – o que contradiz a primeira afirmação. Tudo bem, isso pode ter ficado confuso ainda. Vamos tentar fazer um esquema para te ajudar a compreender melhor. Vamos lá:

 

Leia com atenção a seguinte frase:

 

Nada é verdadeiro!

 

Vamos pensar sobre ela. Admitamos que nada seja verdadeiro. Nenhuma das coisas que experimentamos ou sentimos, vemos ou tocamos, pensamos ou queremos, nada. E que toda formulação de nossa mente, portanto, seja falsa. Se é assim, eu deveria, então, por mais louco que pareça, admitir que a frase que acabei de ler também não é verdadeira. Ou seja, a frase “Nada é Verdadeiro!” também é falsa. 

 

Ora, se ela é falsa, significa dizer que está errada e que, portanto, tudo é verdadeiro. Espere, mas isso contradiz o que eu tinha dito no começo. É isso mesmo, ao afirmar que nada é verdadeiro, entro num processo de contradição infinita. Daí os críticos ao ceticismo absoluto perceberem a dificuldade de mantê-lo como doutrina coerente. 

 

Ainda assim, existem pessoas que até hoje acreditam na impossibilidade de conhecimento e que a pensam de forma absoluta. Qual o contrário de algo absoluto? Isso mesmo, algo relativo. Seria, pois, possível um ceticismo relativo? É isso que veremos em breve. 

 

Saiba Mais!

Para o ceticismo absoluto, tudo é ilusório e passageiro. Essa posição consiste em negar, de forma total, nossa possibilidade de conhecer a verdade. Assim, para o ceticismo absoluto, o homem nada pode afirmar, pois nada pode conhecer.

 

Em Resumo

Vimos que existe uma postura com relação à possibilidade de conhecimento bastante radical, denominada ceticismo absoluto, em que absolutamente tudo o que presumo conhecer seria, na realidade, erro. Isso porque, para o cético absoluto, não existe possibilidade de construir qualquer conhecimento verdadeiro. Górgias e Pirro são os grandes representantes desse tipo de pensamento e, por isso, muitos, nos dias de hoje, ainda conhecem o ceticismo absoluto como pirronismo.

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