Texto: Regiões do Meio Técnico-Científico-Informacional

Regiões do Meio Técnico-Científico-Informacional

Um terceira proposta de regionalização do espaço geográfico brasileiro surgiu nos anos 2000, apresentada por dois geógrafos: Milton Santos e Maria Laura Silveira. Esses dois pesquisadores problematizaram a questão do que eles denominaram de meio técnico-científico-informacional.

 

Pressupostos Teóricos dessa Regionalização

A compreensão do espaço geográfico brasileiro por meio da teoria proposta por Milton Santos e Maria Laura Silveira tornou-se muito aceita no meio acadêmico, embora o IBGE ainda seja o órgão oficial que regionaliza o espaço brasileiro. 

 

Há diferenças entre os conceitos adotados por essa forma de regionalização e pelas outras, visto que nesta, os aspectos demográficos e naturais são secundários. O importante aqui é a capacidade de concentração de três aspectos básicos:

 

  • Técnicas e tecnologia;
 
  • Ciência e pesquisa;
 
  • Informação e comunicação.

 

Esses aspectos são colocados em análise em razão de sua importância no mundo contemporâneo. Além disso, a presença ou ausência de um desses elementos significa um descompasso com o mundo globalizado em que vivemos.

 

Em função disso, a regionalização por meio técnico-científico-informacional apresenta quatro regiões: Amazônica, Nordeste, Centro-Oeste e Concentrada.

 

Saiba Mais!

A região Concentrada recebeu esse nome justamente pela concentração dos elementos relacionados à tecnologia, ciência e informação. O grande polo irradiador desses elementos é a capital paulistana, São Paulo.

 

Observe o mapa dessa regionalização e veja as mudanças em relação aos anteriores:

 

Regionalização pelo meio técnico-científico-informacional

 

As Regiões

 

Amazônia 

Historicamente, uma região pouco povoada em virtude da presença da floresta equatorial amazônica; a exploração dessa área sempre esteve atrelada à extração de recursos naturais de vários tipos: mineral, vegetal e animal. 

 

Durante o período colonial, a região foi explorada por pessoas que iam atrás das drogas do sertão. Tais drogas eram, na verdade, a rica biodiversidade vegetal que a floresta dispunha e ainda dispõe. 

 

Fazem parte dessa região, de acordo com a regionalização do meio técnico-científico-informacional, os mesmos estados que compõem a região do IBGE, com exceção do Tocantins, que foi deslocado para a região Centro-Oeste.

 

Os principais eixos de circulação dessa região dão-se por meio de rodovias e hidrovias, além do espaço aéreo. Em razão da dificuldade de acesso a várias cidades, a região precisa complementar suas rotas por mais de um meio de transporte em alguns casos.

 

Embarcação no rio Amazonas. O transporte hidroviário é o de maior predominância

 

Além da intensa exploração mineral, ultimamente, a região da Amazônia ganhou destaque na área de geração de energia por meio de hidrelétricas. Muito se discute sobre a viabilidade de tais projetos, uma vez que os impactos ambientais e sociais são grandes, principalmente para populações tradicionais, como ribeirinhos e indígenas.

 

Rodovia federal Transamazônica, próximo a Altamira (PA) – descaso na pavimentação das vias de acesso da região

 

Nordeste

A região Nordeste do meio técnico-científico-informacional possui a mesma delimitação da regionalização feita pelo IBGE. Os mesmos estados fazem parte dessa regionalização, sendo, portanto, um estado que foi muito importante no processo histórico de ocupação do território brasileiro. 

 

Como nessa regionalização os pontos importantes referem-se às infraestruturas que cada região possui, podemos dizer que o Nordeste avança em alguns sentidos, principalmente em seu potencial de produzir pesquisas e tecnologias para o Brasil. Todavia, a questão da seca e a pobreza de parte considerável da população nordestina tornam esse avanço um pouco lento, principalmente em virtude das oligarquias que ainda controlam a política regional.

 

Ironicamente, uma das indústrias que mais cresce no Nordeste é a indústria da seca. Historicamente, a seca é uma realidade de grande parte do Nordeste, especialmente o interior. Nesse sentido, políticos, principalmente, criaram essa indústria no intuito de resolver os problemas gerados pela falta de precipitação prolongada. De fato, quem se beneficia dessa pseudo-indústria são os latifundiários da região, alguns políticos que possuem terras e grandes empresários da agropecuária, que recebem empréstimos para investimentos na área de irrigação e construção de açudes para benefício próprio. Os pequenos proprietários rurais e as demais populações das cidades tornam-se reféns dessa indústria, que gera muita riqueza a algumas poucas pessoas em detrimento de milhões de nordestinos.

 

Clima seco e gado morto em pequena propriedade rural, entre as cidades de Custódia e Serra Talhada (PE) – a seca é uma questão política e econômica

 

Centro-Oeste

A região do Centro-Oeste engloba os mesmos estados da região do IBGE mais o estado do Tocantins. Originalmente, o Tocantins integrava o estado de Goiás até o ano de 1988, como vimos em tópico anterior. Dessa forma, a região Centro-Oeste representa o que denominamos fronteira agrícola brasileira, em plena expansão.

 

Com o advento do conceito de agronegócio, a modernização do campo trouxe aos estados do Centro-Oeste um grande impulso no que se refere à tecnologia, ciência e informação. Esse fato também trouxe consequências, como o desmatamento de áreas de Cerrado, êxodo rural, crescimento acelerado em cidades como Brasília e Goiânia, dentre outros aspectos.

 

Um dos fatores que contribuíram muito para o crescimento econômico da região foi o fato da capital federal migrar do estado do Rio de Janeiro para o interior do país. Com a construção de Brasília e a transferência da capital, a região recebeu uma enorme quantidade de fluxo migratório, criação de infraestrutura e, principalmente, circulação de capital.

 

Com o acúmulo de capital, infraestrutura de base e crescimento populacional, além de modernização do campo, a região Centro-Oeste apresentou um crescimento econômico muito além do que o esperado pelo campo brasileiro. A presença da agroindústria foi fundamental nesse processo.

 

Concentrada

Por último, temos a região Concentrada, agregando todos os estados das regiões Sudeste e Sul do IBGE. De acordo com os autores que formularam essa regionalização, essa área concentra grande parte das atividades econômicas realizadas no Brasil, em especial a industrial e as atividades agropecuárias. 

 

Como concentra grande parte da população do país, essa região apresenta um elevado índice de urbanização, alavancando o setor de comércio e serviços presente nas cidades. Todos esses fatores em conjunto possuem um centro irradiador, que é a cidade de São Paulo. Com o histórico de acumulação de capital, a região é a mais importante, do ponto de vista econômico, para o país.

 

Os investimentos em pesquisas (ciência e tecnologia) também são elevados na região, possuindo todos os tipos de pesquisas, indústrias e desenvolvimento tecnológico do país. Com isso, muitos investimentos são realizados nos estados que pertencem à região Concentrada, tornando-se, assim, um centro de irradiação de informação e comunicação que molda todo o país. 

 

A circulação de pessoas, mercadorias, serviços, veículos, aviões e informações é muito alta na região Concentrada, permitindo um fácil acesso a qualquer ponto das cidades dessa região. A infraestrutura criada ao longo dos anos permitiu que a região dispusesse de uma ampla rede de conexão, interligando suas áreas de forma rápida e fácil. 

 

Grande parte dos principais aeroportos, por exemplo, estão nessa região. Somente na região de São Paulo, há Congonhas, Guarulhos e Viracopos, três dos maiores e mais movimentados aeroportos de cargas e passageiros do Brasil.

 

 Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos – principal e mais movimentado aeroporto do Brasil

 

Atenção!

Apesar da inegável importância da região Concentrada, as demais regiões brasileiras contribuem significativamente para a composição e o desenvolvimento do país. Nenhuma região isoladamente é capaz de se desenvolver sem a ajuda mútua entre as demais regiões.

 

Em Resumo

As regiões delimitadas pelo meio técnico-científico-informacional, conforme pensado pelo geógrafo Milton Santos, apresentam uma característica importante em relação às demais formas de delimitação: considera a concentração de aspectos importantes do mundo contemporâneo, como tecnologia, ciência e informação. Esses três pontos são importantes, pois no atual estágio de globalização em que o mundo se encontra, somente a apropriação desses elementos será capaz de promover um desenvolvimento pleno na sociedade brasileira aliado à distribuição de renda e inclusão social.

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