Texto: União Europeia: uma Nova Europa?

União Europeia: uma Nova Europa?

A Europa, enquanto um continente de um vasto contexto histórico e cultural, teve que se reinventar ao longo dos anos para manter momentos de paz e segurança econômica e política sobre seus domínios. Seus países, em maior ou menor grau, sempre estiveram à frente de algum conflito ou questões político-econômicas, sendo uma área que por muito tempo já tinha uma característica definida, mas instabilidades territoriais. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os países europeus tornaram-se mais preocupados com a questão da unidade europeia, mesmo mantendo o discurso sobre a diferenciação e o domínio de cada país. Desse modo, entra no contexto o surgimento da União Europeia e a configuração de uma nova Europa no cenário mundial.

 

Bandeira que representa a União Europeia – as 12 estrelas estão associadas a vários significados ocidentais que são parte da cultura dos países europeus, como os 12 signos do zodíaco, os 12 apóstolos de Jesus Cristo, os 12 deuses olímpicos, as 12 tábuas da lei romana, dentre outros significados

 

Benelux: o Primeiro Passo Rumo à União Europeia

Na tentativa de reerguer a economia europeia e, principalmente de seus países, os pequenos territórios de Bélgica, Holanda e Luxemburgo, antes do final da Segunda Guerra Mundial, uniram-se naquele que foi o primeiro bloco econômico surgido na Europa: o Benelux.

 

Fundada em 1944 e com sede em Bruxelas, capital da Bélgica, esses três países estabeleceram que o Benelux teria como objetivo o princípio das relações comerciais mútuas, incentivadas pela redução das tarifas alfandegárias entre seus membros. 

 

Bruxelas, capital da Bélgica – considerada, também, a capital da Europa no contexto da União Europeia

 

Com o funcionamento do Benelux, outros países da Europa visualizaram uma possibilidade de se reconstruírem por meio das alianças entre seus vizinhos, mudando radicalmente a mentalidade expansionista (a conquista de territórios) que imperava até a Segunda Guerra Mundial, principalmente na Alemanha e na Itália.

 

Além da aliança dos países, um plano elaborado pelos EUA, chamado de Plano Marshall, objetivou o investimento de milhões de dólares nos países europeus para a reconstrução de suas infraestruturas básicas, servindo, também, como mecanismo político-econômico para conter a expansão do socialismo na Europa por meio da União Soviética. 

 

Comunidade Europeia do Carvão e do Aço

Posteriormente à Benelux, surgiu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Ceca), nome sugestivo e que lembra dois aspectos principais da industrialização: o carvão, fonte de energia, e o aço, material produzido pela indústria de base.

 

Criada em 1952, com vários objetivos, dentre eles diminuir as tensões entre os países europeus, principalmente França e Alemanha, a Ceca estabeleceu-se em Luxemburgo, um dos países do Benelux, e agregou os seguintes Estados-nação: Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo. 

 

As tensões seriam diminuídas com a criação da comunidade, uma vez que visava a integração das siderurgias francesa e alemã na região de Alsácia e Lorena, cujos territórios foram alvo de disputa entre os dois países nos diversos conflitos ocorridos no continente. Além disso, a comunidade seria responsável por estabelecer e fiscalizar os preços e transportes dos produtos da siderurgia. 

 

Em virtude dos surpreendentes avanços alcançados pela comunidade, a Ceca cogitou a possibilidade de que os países-membros realizassem uma abertura para outros países europeus, com o objetivo claro de ampliar a aliança no continente.

 

O Mercado Comum Europeu (MCE) e a Comunidade Econômica Europeia (CEE)

Em 1957, em Bruxelas, foi assinado o Tratado de Roma, mantendo-se os mesmos países-membros fundadores da Ceca, projeto embrionário da União Europeia. Nesse tratado, ficou definido que a formação do Mercado Comum Europeu (MCE).

 

A primeira ampliação da comunidade ocorreu nas décadas seguintes, com a inclusão do Reino Unido, da Irlanda e da Dinamarca. Posteriormente, já no início da década de 1980, a Grécia, a Espanha e Portugal também se tornaram membros do MCE, promovendo uma verdadeira ampliação no grupo de países-membros. 

 

Em 1985, o MCE assumiu que o bloco tinha se tornado uma comunidade e passou a se chamar de Comunidade Econômica Europeia (CEE). Seus objetivos apresentaram como fundamento a integração econômica dos países-membros, eliminando as barreiras alfandegárias, incluindo uma tarifa única para o comércio exterior e assinando um contrato de cooperação econômica com uma série de países da Europa e da África.

 

Você Sabia?

Até hoje o Reino Unido rejeita a ideia de adotar o Euro como moeda corrente no país. Embora alguns comércios aceitem a moeda, predomina a libra esterlina, moeda que carrega, além da valorização maior que o euro, uma intensa carga de história, orgulho e cultura britânicos. Os próprios cidadãos britânicos são contra a adoção do euro e abandono da libra.

                                          Nota de 20 libras e moedas de 1 libra e 50 centavos de libra

 

O Tratado de Maastrich e a Consolidação da União Europeia

Na busca por uma ampliação dos objetivos da Comunidade Econômica Europeia e com as mudanças do panorama político-econômico mundial na década de 1990, realizou-se na Holanda o que ficou conhecido como Tratado de Maastrich, em que estabeleceram-se transformações significativas na comunidade e a alteração do nome de CEE para União Europeia

 

A partir de 1991, a União Europeia não só mudou de nome como ampliou os objetivos do grupo de países-membros, apresentando, assim, os seguintes aspectos: livre circulação de mercadorias; união aduaneira; eliminação de tarifas e impostos para o comércio internacional; tarifa alfandegária comum; livre circulação de capitais e de prestadores de serviços; passaporte único aos cidadãos dos países-membros (o que possibilitou a livre circulação de pessoas); criação do euro, do Banco Central Europeu e do Parlamento Europeu. 

 

Vista aérea de Zagreb, capital da Croácia – último país-membro incorporado à União Europeia em 2013

 

Todas essas transformações possibilitaram à Europa alcançar novos horizontes e agregar ainda mais países. Em 1995, Suécia, Finlândia e Áustria aderiram à União Europeia, e em 1999, no primeiro dia do ano, foi lançado oficialmente o euro, moeda única da União Europeia, sendo aceito por 12 dos 15 países-membros. 

Notas de euro em diversos valores

 

Saiba Mais!

A União Europeia possui um Parlamento e sua sede localiza-se na cidade francesa de Estrasburgo e na cidade belga de Bruxelas. No Parlamento Europeu, há uma série de representantes de cada país-membro, sendo estes eleitos por meio de votos dos cidadãos da União Europeia e colocados em vagas proporcionais para cada país. 

                                               Parlamento Europeu de Estrasburgo – França

 

Novas Ampliações

Em 2002, com a assinatura do Tratado de Nice, a União Europeia fez a maior ampliação de sua história de uma só vez: possibilitou o ingresso de 10 países, todos de origem do Leste Europeu. Desse modo, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Estônia, Lituânia, Letônia, Eslovênia, Malta e Chipre juntaram-se aos 15 países-membros da União Europeia, ampliando a área de influência do bloco sobre a Europa. Mais tarde, em 2007, Bulgária e Romênia uniram-se ao grupo. O último país a ser aceito e a aderir a União Europeia, em julho de 2013, foi a Croácia, totalizando 28 países-membros. 

 

Países-membros e países candidatos a ingressarem na União Europeia

 

Essa ampla configuração da União Europeia trouxe algumas preocupações aos países-membros mais antigos, visto que grande parte dos países ingressantes até pouco tempo atrás pertencia a outro regime econômico e precisava de investimento de infraestrutura para que pudesse acompanhar os demais países mais desenvolvidos.

 

Uma das consequências dessa ampla adesão à União Europeia foi a onda migratória na última década de habitantes dos países do Leste Europeu para países de elevado poder econômico, como a Inglaterra, a França e a Alemanha. Muitos habitantes viram na adesão à União Europeia uma chance de viver e trabalhar em outro país de forma legal e com os mesmos direitos que cidadãos locais. 

 

Alguns problemas ainda precisam de uma definição na política interna e externa da União Europeia, como a adoção do euro em todos os países, mesmo com as resistências existentes, a indefinição na política externa e a militarização do bloco. São desafios que futuramente serão tratados pelo grupo e terão um desfecho. 

 

Novas Adesões

Há, ainda, diversos países que almejam a adesão na União Europeia, embora alguns estejam longe de isso ocorrer. São os casos da Macedônia e da Turquia, países que apresentam uma cultura bastante diferente dos demais países da União Europeia.

 

A Turquia é o país que apresenta mais diferenças culturais em comparação aos demais países da Europa, a começar pela religião oficial do país, o Islã, além de o território turco estar em sua maior parte no continente asiático. Apesar de estar em negociação há muitos anos, França e Alemanha opõem-se fortemente à entrada da Turquia no bloco.

 

Por sua vez, a Macedônia é um país que ainda se recupera economicamente e politicamente da fragmentação territorial da Iugoslávia que sofreu na década de 1990, apresentando questões que ainda não possibilitam um horizonte próximo para ser aceito na União Europeia, embora a Croácia tenha sido aceita recentemente. 

 

Uma Nova Europa (?)

Definitivamente, uma nova Europa vem se modelando ao longo dos séculos XX e XXI. Todavia, a chegada da União Europeia ainda não apresenta traços de unificação do continente, principalmente pelo histórico de cada país, o que os torna cada vez mais nacionalistas.

 

A unificação da Europa desenha-se como algo distante e que será plenamente realizada apenas para efeitos econômicos. Politicamente, os países continuam e sempre continuarão soberanos e voltados aos interesses de sua população. Até o momento, não há evidências para afirmar que uma nova Europa surgirá a partir da unificação dos países.

 

Em Resumo

A União Europeia é, de fato, um bloco que superou expectativas e avançou muito nas questões econômicas que envolvem seus países-membros. Uma série de mudanças e posturas coloca-a como um bloco de sucesso e que vem construindo suas bases há mais de 50 anos e de forma gradual e sólida. Todavia, pensar a União Europeia como um processo de unificação da Europa é algo distante e que, talvez, jamais ocorra em virtude das características particulares de cada país e da própria identidade territorial dos Estados-nação.  

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