Texto: Nova Ordem Mundial e Globalização (Neoliberalismo)

Nova Ordem Mundial e Globalização (Neoliberalismo)

O fim da Guerra Fria e a consequente instauração de uma Nova Ordem Mundial ocasionaram também a prevalência do sistema capitalista em todo o mundo. Dessa maneira, como sistema econômico dominante e de amplitude mundial, o capitalismo teve, na década de 1990, sua profusão para o leste europeu, onde anteriormente se situava o bloco socialista. Na América Latina e na África também houve profundas reformas no sentido de ampliar o consumo de produtos de países centrais, abrindo o mercado para os importados.

 

Essa última fase de expansão capitalista e suas reformas, assim como a integração das pessoas e países através das inovações realizadas a partir da Terceira Revolução Industrial - iniciada nos anos 1970 e que tinha como característica novos sistemas de comunicações e de produção industrial - são também consideradas a última fase da Globalização.

 

A globalização não é um fenômeno recente. Ela se inicia com a expansão marítima europeia durante o mercantilismo, ampliando não somente o mercado europeu com produtos vindos de colônias distantes, como também a visão de mundo, já que, só a partir desse momento, toma-se consciência das dimensões de nosso planeta com a descoberta dos novos territórios ao redor do globo. Entretanto, costuma-se denominar de globalização esse período mais recente, em que o planeta passa a estar integrado de maneira mais ágil, através de processos produtivos espalhados em vários países, e também pelas comunicações instantâneas, possibilitadas por inovações tecnológicas, como a criação de satélites e o surgimento internet.

 

Com o fim da Guerra Fria no final dos anos 1980, os Estados Unidos se destacaram como potência militar dominante e também como a primeira economia do globo. Essa posição facilitou a difusão de sua indústria cultural pelo mundo, transformando, de acordo com seus próprios padrões, o modo de vestir, de ouvir música e de ver filmes em inúmeros outros países. As pessoas passaram a imitar costumes antes restritos ao mundo ocidental e próprios dos estadunidenses por todos os cantos, incluindo o antigo bloco socialista, que, já nos primeiros anos da década de 1990, viu lojas do McDonald’s se instalarem próximas à Praça Vermelha, no centro de Moscou.

 

Essa situação de difusão mundial do capitalismo, ao contrário do que muitas análises apontavam, não transformou o planeta em um lugar mais pacífico e com menores diferenças sociais. O que se viu foi o aprofundamento das diferenças sociais em vários países, a falência de empresas situadas fora do eixo dos países centrais do Atlântico Norte, sem condições de competir com suas tecnologias, e a divulgação de enormes lucros de grandes empresas, todas elas baseadas em processos produtivos com a utilização de mão de obra barata de países pobres, no qual a exploração desses operários ampliou os ganhos em todo o mundo. 

 

A inserção desigual dos países na economia global pode ser exemplificada pela DIT (Divisão Internacional do Trabalho). A partir dessa expressão designam-se os processos de produção mundial de mercadorias, classificando os países em relação ao seu desempenho comercial e ao que produzem. Países ricos produzem tecnologias avançadas, voltadas para a área aeroespacial e de projetos aeroespaciais e para a área de informática. Países em desenvolvimento têm suas economias baseadas na indústria, porém têm grande parcela de seus ganhos oriundos da agricultura e da extração minerais, assim como fábricas com tecnologias menos avançadas em relação aos países ricos. Já os países pobres permanecem como fornecedores de produtos primários, tais como produtos agrícolas, de origem animal e mineral, e com pouca ou nenhuma industrialização. Essa Divisão Internacional do Trabalho tende a ampliar as diferenças ao extrair matérias-primas baratas de países pobres e vender-lhes tecnologia.

 

Outra maneira de identificar um processo produtivo globalizado e amplificador das diferenças é seguir os caminhos de grandes empresas ao redor do mundo. Muitas daquelas que fabricavam tênis, roupas e eletrônicos e que antes se situavam na Europa e nos Estados Unidos, fecharam suas fábricas nesses países e se instalaram no sudeste asiático, onde a abundância de trabalhadores com qualificação necessária para produzir seus itens de consumo é imensa, tornando o preço pago para cada trabalhador apenas uma fração do que era pago em seus países de origem. Dessa maneira, tornou-se mais barato extrair matérias-primas da América do Sul e da África, enviá-las por navio para a China, a Indonésia e o Vietnã, montar grandes barracões, onde se concentram uma massa de trabalhadores, produzir um tênis ou qualquer outro produto e enviá-los aos Estados Unidos e Europa para consumo, do que manter a produção e consumo apenas nestes países. Apesar de os custos de produção desses produtos terem sido reduzidos, seus preços de venda não foram reduzidos na mesma proporção, o que levou à ampliação dos lucros das empresas fabricantes.

 

Uma das características mais marcantes da globalização é a presença de marcas mundiais

 

Ressalta-se ainda que, apesar de a produção ter deixado de ser executada nos países ricos, a gerência dessas empresas continua baseada neles, assim como o setor de projetos e design dos produtos, porém com pessoal reduzido, dado que sua mão de obra é de valor muito superior aos encontrados em países que estão em diversas fases de desenvolvimento.

 

Na tentativa de assegurar os ganhos e proteger os mercados internos, muitos países buscaram associar-se com outros na mesma situação, criando blocos econômicos com esses fins. Data do início da década de 1990 a formalização de acordos como o NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), Mercosul (Mercado Comum do Sul) e a consolidação do processo de integração econômica europeu com a criação da União Europeia. Assim, os países associados buscavam ampliar o comércio entre os parceiros de seu bloco, e concorrer no mercado mundial com outras economias.

 

A globalização, mais do que um mito de construção de uma aldeia global, até o momento apenas ampliou o processo de ganho dos países desenvolvidos, espoliando os já historicamente explorados países pobres e suas sociedades. Podemos entender esse processo como a manutenção do status quo das grandes nações, impedindo a emergência da competição dos inúmeros países pobres no contexto global.

 

Saiba Mais!

É muito comum ouvirmos ou lermos o termo mundialização sendo utilizado como sinônimo de globalização. No entanto, é preciso ficar claro que, apesar de terem conceitos muito próximos entre si, eles não têm o mesmo significado. De uma maneira simplória, podemos caracterizar o termo mundialização como um componente da globalização. A mundialização é uma denominação usada para fazer referência à integração econômica global; já a globalização é uma denominação muito mais ampla, pois abrange, além da integração econômica global, as dimensões sociais, culturais, políticas, religiosas, entre outros.

 

Em Resumo

O processo de globalização tem origem nas grandes navegações europeias, quando o mundo passa a ser totalmente conhecido e o capitalismo disseminado. Entretanto, sua última fase toma forma no contexto da Nova Ordem Mundial, em uma conjuntura em que o capitalismo levou a produção industrial para países subdesenvolvidos, criando uma nova Divisão Internacional do Trabalho e ampliando ainda mais as disparidades sociais ao redor do mundo. 

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