Texto: Igreja: o Sacro Império

Igreja: o Sacro Império

Desde o fim do Império Romano, a Igreja Católica vinha passando por um processo de fortalecimento, cuja influência aumentou ainda mais com a conversão dos francos ao cristianismo. O Império Carolíngio foi o grande responsável pela difusão da religião de Roma pela Europa Ocidental, uma vez que promoveu a unidade cultural de diversos povos. Com sua fragmentação, formaram-se reinos que correspondem às atuais França e Alemanha. 

 

 

A França Oriental foi governada pelos herdeiros de Luís, o Germânico, até o ano de 911, data em que o último rei carolíngio morreu sem deixar filhos. A partir disso, os duques germânicos mais importantes passaram a escolher entre eles um rei. Formou-se assim o Reino Germânico, que acabou por fortalecer as relações travadas entre os nobres germânicos. 

 

A Formação do Sacro Império 

O mais famoso rei germânico eleito foi Oto I, o Grande. Eleito em 936, teve como maior realização o comando dos exércitos que derrotaram os húngaros, que ameaçavam o leste europeu, contribuindo assim com o fortalecimento do poder. Seu prestígio entre nobres e a Igreja Católica aumentou. 

 

Oto também lutou contra os lombardos no norte da Itália, que ameaçavam a Igreja e, por defender os interesses papais,, foi consagrado imperador em 962 pelo Papa João XII, dando origem assim ao Sacro Império. Apesar de sofrer alterações durante vários séculos, o maior Estado europeu sobreviveu até 1806. 

 

A Questão das Investiduras 

Com o grande poder adquirido, Oto I e seus sucessores passaram a intervir nos assuntos da Igreja Católica, principalmente na nomeação dos religiosos. Essa forte centralização acabou por desagradar os nobres feudais, que detinham controle sobre as próprias terras. Essa fusão do poder político com o religioso deu início à chamada Questão das Investiduras (Nomeações), em que a Igreja estava sob o controle do Estado. Surgia uma disputa entre imperadores e papas pelo direito de nomear os clérigos. No fundo, o ato de eleger padres e bispos estava ligado ao poder de controle das populações locais. 

 

A disputa chegou ao fim somente em 1122, pela Concordata de Worms. Nela, o papa tinha o poder de dar investiduras. Assim, bispos e padres não seriam mais funcionários do Estado, o que deu início ao predomínio do poder da Igreja sobre os Estados europeus. 

 

Além da educação, o cristianismo influenciou várias outras áreas. Na arquitetura, destacam-se as imensas igrejas em estilo gótico, cheias de vitrais coloridos e muito iluminadas. Na música, o canto gregoriano, cantado em várias vozes. Destaque também para a filosofia, em que pensadores como São Tomás de Aquino e Santo Agostinho buscaram o equilíbrio entre fé e razão. Além disso, o cristianismo também influenciou a pintura, as ciências e a cultura popular. 

 

Sacro Império Romano Germânico.

 

Atenção!

O poder da Igreja Católica não estava restrito aos assuntos políticos e religiosos. Nesse período, sobretudo na Península Itálica, o cristianismo exercia influência em todas as instâncias da vida. Um bom exemplo disso é a educação, onde o clero transmitia e influenciava a cultura nas escolas dos mosteiros. Já a partir do século XII, começaram a surgir as primeiras universidades, localizadas na França e na Itália. Elas eram instituições ligadas à Igreja, cujo objetivo era o estudo de certas áreas do conhecimento, como medicina, direito e teologia. 

 

Desgastes Políticos e Econômicos 

Por volta do século XII, os imperadores do Sacro Império buscaram impor sua influência sobre as populações de regiões sob o domínio de Roma. Frederico Barba Ruiva, por exemplo, dominou várias cidades no norte da Itália, expandindo assim seus domínios. Nesses lugares, surgiram disputas entre os defensores dos interesses do imperador e dos interesses papais. 

 

Além disso, a partir do século XIII, as cruzadas acabaram dando uma maior autonomia política às cidades, devido a seu caráter comercial com o Oriente. Complementa-se esse quadro com a Reforma Luterana, que acabou por cindir as possibilidades do cristianismo, inicialmente na Alemanha, o que colaborou com essa autonomia política. Tais disputas levaram o Sacro Império à decadência. 

 

Saiba Mais!

Apesar de entrar em decadência a partir dos séculos XII e XIV, o Sacro Império Romano Germânico durou até 1806, quando o imperador francês Napoleão Bonaparte conquistou vários territórios, modificando severamente o mapa do continente europeu. 

 

Em Resumo 

Ao lançar olhares sobre a história do Sacro Império Romano Germânico, é de fundamental importância salientar as principais dinâmicas. Destarte, vale destacar que o Sacro Império surgiu a partir da fragmentação do Império Carolíngio e que seus imperadores eram escolhidos entre os principais senhores feudais alemães. 

 

O maior rei germânico foi Oto I, o Grande, que lutou contra vários povos, defendendo os interesses do papa. Por isso, ele foi chamado de Imperador do Sacro Império, o que deu origem ao maior Estado da Europa até então. Oto defendia uma política centralizadora e isso acabou indo contra os interesses dos nobres feudais. Para fortalecer o império, ele passou a interferir nos assuntos da Igreja, como na escolha dos papas e bispos alemães (Investiduras). Nos séculos XII e XII, alguns imperadores buscaram o poder político sobre a Igreja, que influenciava grande parte da Europa Ocidental. Contudo, questões como as Reformas Protestantes e as Cruzadas comerciais acabaram colaborando e/ou possibilitando a liberdade organizacional das cidades. 

 

Nesse ínterim, cabe salientar que a Igreja Católica não exerceu influências apenas no campo da política, mas em diversos campos do conhecimento. Graças a ela, surgiram as primeiras universidades, que ensinavam direito, teologia e medicina. Destarte, devemos ao cristianismo boa parte dos nossos conhecimentos de filosofia, arquitetura, pintura e ciências. 

 

 

Referências 

ALVES, A.; DE OLIVEIRA, L. F. Conexões com a História. 1ed. São Paulo: Editora Moderna, 2010. 

LE GOFF, J. A civilização do Ocidente Medieval. Lisboa: Estampa, 1984. 

COTRIN, G. História Global: Brasil e Geral. 6ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 

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