Texto: As Duas Superpotências (URSS e EUA)

As Duas Superpotências (URSS e EUA)

Embora os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) jamais tivessem entrado diretamente em conflito, a iminência de uma guerra nuclear entre as duas superpotências era preocupação frequente. No período da Guerra Fria, foram realizados intensos investimentos no desenvolvimento de tecnologia e armamentos, além de uma política de aliança e formação de blocos e alianças, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Pacto de Varsóvia. 

 

Duas Superpotências: Estados Unidos x União Soviética

Na década de 1940, um grande temor tomou conta do mundo: o receio de que a Alemanha nazista conseguisse desenvolver a bomba atômica e consolidasse a supremacia militar das potências do Eixo. Procurando se antecipar no desenvolvimento dessa tecnologia, os Estados Unidos iniciaram um programa secreto que ficou conhecido como Projeto Manhattan. Os resultados práticos desse projeto audacioso foram vistos em 1945, com o lançamento das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. O ataque nuclear ao Japão pôs fim à Segunda Guerra Mundial, mostrando o potencial avassalador das armas nucleares ao exterminar milhares de pessoas em questão de segundos. 

 

No entanto, o lançamento das bombas atômicas no Japão não foi necessário do ponto de vista bélico. Tecnicamente, a guerra já estava vencida para o lado dos Aliados. Todavia, os Estados Unidos insistiram na ação pelo seu caráter simbólico; tratava-se de uma demonstração de poder para o restante do mundo, sobretudo à União Soviética. A partir daquele momento, o mundo inteiro conheceria a capacidade destrutiva das forças armadas estadunidenses e passaria a respeitar o país. Isso fez com que os Estados Unidos saíssem do conflito como os principais vencedores. 

 

Do lado capitalista, os Estados Unidos conseguiram manter a hegemonia política e econômica, uma vez que a guerra proporcionou grande desenvolvimento industrial e tecnológico ao país. E mais: o fato de o país não ter, em geral, seu território atacado pelo inimigo, fez com os EUA tivesse pouco prejuízo material e não precisasse se reconstruir ao término da guerra. 

 

As condições da União Soviética – principal potência socialista e maior rival dos americanos – era bastante distinta. O Exército Vermelho cumpriu papel decisivo na guerra, visto que nenhum outro exército no mundo teria condições para derrotar a eficiente armada nazista. No entanto, essa proeza militar do exército soviético custou muito caro. Além de o país contar com o maior número de vítimas, inúmeras cidades foram devastadas pela guerrilha urbana e muitas estradas e indústrias terem sido destruídas. Ao contrário do rival americano, a União Soviética saiu do conflito com a necessidade de se reconstruir e barrar a supremacia de sua principal concorrente capitalista. Seu principal trunfo era a hegemonia exercida sobre os territórios libertados dos nazistas e mantidos sob a ocupação do Exército Vermelho. Nos anos seguintes ao término da guerra, a diplomacia soviética fez de tudo para manter a posse desses territórios. 

 

Após a Segunda Guerra, ocorreu uma intensa desmilitarização dos principais envolvidos no conflito. A União Soviética, por exemplo, diminuiu seus efetivos de 12 milhões para três milhões de soldados. Embora o efetivo militar tenha sido expressivamente diminuído, as duas superpotências (EUA e URSS) investiram de forma maciça no desenvolvimento de tecnologia militar. Em 1949, os soviéticos iniciaram os testes com armas nucleares, e a reação dos Estados Unidos aconteceu com o desenvolvimento da bomba de hidrogênio, com potencial destruidor maior que o da bomba atômica. Em seguida, foi a vez de os soviéticos anunciarem os testes com esse tipo de armamento. Duas décadas depois, inúmeros países dominavam os segredos nucleares, tanto para o uso pacífico (geração de energia, por exemplo) quanto para a fabricação de armamentos. 

 

Nesse contexto, a corrida tecnológica era justificada como uma estratégia para que as duas superpotências mantivessem suas áreas de influência e não perdessem espaço uma diante da outra. Assim, no mesmo ano em que os soviéticos anunciaram o domínio da bomba atômica, os Estados Unidos deram formato a uma ampla frente militar, reunindo-se aos países da Europa Ocidental. Nascia então a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com o objetivo de manter um aparato militar permanente que pudesse enfrentar uma possível expansão comunista. Vários artefatos nucleares foram instalados pela OTAN na Europa e na Ásia com o intuito de impedir uma suposta ameaça comunista. O governo soviético, por sua vez, respondeu com a criação do Pacto de Varsóvia, em 1955, o qual unia os países sob sua influência no Leste Europeu. 

 

Símbolo da OTAN

 

Os Desdobramentos do Conflito

Durante a Guerra Fria, várias nações europeias enfrentaram graves crises econômicas e sociais, como Bélgica, Itália, Polônia e França. Nesta última, a produção industrial fora reduzida a 30%, causando um sério problema de abastecimento dos principais produtos e serviços. Essa carência mercadológica gerou uma crise com a alta dos preços das mercadorias e da inflação. 

    

Manifestações populares se alastraram pelo continente. Na Inglaterra, por exemplo, o Partido Conservador do primeiro-ministro Winston Churchill perdeu as eleições para o Partido Trabalhista de Clement Attlee. Na Itália, consolidou-se o regime republicano, com a hegemonia das forças democratas cristãs. 

 

Diante da crise europeia, os Estados Unidos se mobilizaram criando uma estratégia para consolidar o seu domínio nas nações capitalistas e promovendo o apoio econômico aos países da Europa Ocidental. Tratava-se do Plano Marshall, que previa grandes investimentos nas economias francesa, inglesa, italiana, alemã, holandesa e belga. Com esse plano, os Estados Unidos aplicaram mais de 13 bilhões de dólares em programas de apoio econômico e social na Europa, em que os efeitos foram notavelmente sentidos na indústria, na agricultura e na política. 

 

Assim como os Estados Unidos, a União Soviética também procurou se mobilizar para ampliar sua influência nas suas áreas de domínio. Todavia, em meio a esse processo, aconteceram conflitos em algumas localidades. Na Polônia, por exemplo, houve um intenso sentimento antissoviético devido à aproximação entre Stálin e Hitler no início da Segunda Guerra Mundial. 

 

Em 1945, consolidaram-se na Europa as repúblicas populares democráticas (Tchecoslováquia, Hungria, Bulgária e Romênia), com governos que apoiavam a União Soviética e que futuramente passaram a integrar o Pacto de Varsóvia. 

 

Na região dos Bálcãs, o processo de consolidação do comunismo teve outros contornos. Ressalta-se que a própria população dessa região havia se encarregado de expulsar as tropas nazistas, sem o auxílio do Exército Vermelho, por meio de guerrilhas comandadas pelo general Joseph Broz Tito. Este estabeleceu acordos para formar uma Federação dos Bálcãs, que contemplava países como Bulgária, Eslovênia, Croácia, Albânia, Romênia, Hungria e Grécia. Temendo a formação de um estado comunista independente, os soviéticos se posicionaram de forma contrária à formação dessa federação. 

 

Joseph Broz Tito

 

Apesar da represália soviética, as iniciativas de Tito resultaram na formação de uma federação a partir de repúblicas (Eslovênia, Croácia, Sérvia, Montenegro, Bósnia-Herzegovina e Macedônia), que congregavam etnias e orientações religiosas distintas. Formava-se, assim, a Iugoslávia, com um governo socialista. Em 1950, houve um rompimento diplomático entre a Iugoslávia e a União Soviética, que fez com que o primeiro cumprisse um papel de destaque entre as nações que não se aliaram ao eixo capitalista, tampouco ao socialista soviético, embora sua política estivesse orientada pelo socialismo. Em 1980, com o falecimento de Tito, a convivência de tantas diferenças num mesmo país tornou-se insustentável, acarretando a desintegração da Iugoslávia.

 

Mapa dos países que faziam parte da Iugoslávia

 

Em Resumo

A Guerra Fria dividiu o mundo em zonas de influência, sendo que diversos conflitos tiveram a interseção dos Estados Unidos e da União Soviética. Os principais alvos das superpotências foram os territórios dos antigos impérios europeus que ruíram ao término da Segunda Guerra Mundial, ou seja, nações na África e na Ásia. Nesses continentes, sucederam-se guerras civis, golpes militares e governos totalitários em vários países. 

 

Referências

ALI, Tariq. Um curso rápido de história do imperialismo americano. Rio de Janeiro: Record, 2002.

HOBSBAWN, Eric. A Era dos Extremos: o breve século XX (1914 – 1991). São Paulo: Companhia das Letras. 1996.

LUXEMBURGO, Rosa. Reforma ou revolução. São Paulo: Expressão Popular, 1999. 

MANDEL, Ernest. Socialismo x Mercado. São Paulo: Ensaio, 1991.

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